O CORONEL COSTA FILHO

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Publicada em 02/04/2015 às 22:53:00

Lourival Costa Filho quando aluno da quarta série ginasial do Atheneu já demonstrava as convicções, a firmeza de atitudes e a ética que o acompanhariam por toda a vida. A vida que se encerrou semana passada. A turma que se formaria naquele ano de 1955, deveria ter uma formatura mais solene e festiva do que habitualmente acontecia.  Preocupava-se, o eficiente e zeloso diretor, Padre Mendonça, em dar brilho à festa, muito destaque as três turmas do ginásio, do clássico e do cientifico, que seriam as do primeiro centenário de Aracaju. O diretor e a congregação resolveram escolher os paraninfos das turmas entre personalidades de destaque no estado. Para os ginasianos concludentes, foi escolhido o governador Leandro Maciel. Alguns alunos ficaram insatisfeitos, porque alegavam não ter participado da escolha, embora nada tivessem contra o paraninfo, outros, por motivos políticos rejeitavam a indicação. Lourival foi conversar com a direção, mas a escolha dos homenageados já estava feita, os convites expedidos, seria então uma descortesia desconvidá-los. Lourival não se conformou, da mesma forma, outros colegas. Decidiu-se então que os descontentes não participariam da formatura, nem dariam seus retratos para o quadro da turma de formandos. O diretor chamou um por um os alunos e a todos demoveu do que estavam pensando fazer, menos a Lourival, e a um outro, que tornou-se amigo e admirador de Costa Filho a partir daquela ocasião, e acompanhou a carreira do militar que, muitos anos depois, o convidava para irem ver se ainda estaria numa das paredes do Atheneu o quadro da turma de 1955, sem os dois retratos. Isso aconteceu quando ambos tinham cabelos brancos, encanecidos pelo tempo. Na ocasião, o coronel Lourival que se transferia para a reserva, era homenageado no quartel do 28º BC, onde servira como tenente, pelo comandante, o coronel Eduardo Pereira, contemporâneo dele quando cadetes nas Agulhas Negras. Lourival e o outro velho colega, nunca chegaram a ir ver o quadro sem os retratos. Mas, o outro que faltou, teve, ao longo da vida, a oportunidade de verificar que a integridade e a dignidade do menino ginasiano que sabia ser firme, o acompanharam por toda a vida no desempenho de tantos cargos públicos que exerceu. Por isso, sempre acatava com satisfação e respeito as sugestões ou as criticas judiciosas que o coronel fazia a respeito do que o jornalista, antigo colega ginasiano, escrevia. Lourival, dele lembra o desembargador aposentado Pascoal Nabuco, era, sobretudo um homem de palavra única e firme. Ele foi diretor do Tribunal Eleitoral durante os períodos dos desembargadores Barreto Prado, Fernando Franco e Pascoal Nabuco.