Caminho seco

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Publicada em 07/04/2015 às 16:03:00

A baixa vazão do São Francisco ressalta a importância econômica do chamado rio da integração nacional, em alusão ao grande número de estados localizados em diferentes regiões do País banhados pelo precioso veio de água. Com os reservatórios alimentados pelo Velho Chico em petição de miséria, a ameaça aos perímetros irrigados espalhados pelo Nordeste começa a ficar cada vez mais saliente. Comunidades de ribeirinhos, dependentes do São Francisco em tudo, além dos agricultores, avisam que o prejuízo não tarda.

Não foi sem alarde. A tendência observada ao longo dos últimos anos não era nada animadora. Sobradinho, o terceiro maior reservatório do mundo em volume e espelho de água, está tendo uma redução considerável da vazão desde 2014. Segundo dados dos especialistas, em janeiro de 2014, o volume útil da represa chegou a 50%; já em janeiro deste ano, estava em 20%; e, no último mês de março, chegou à marca de 17%.

Pior para todo mundo. Caso a ameaça venha a se tornar realidade, com uma queda drástica na produção da fruticultura, tão importante na região, e o desemprego de milhares de trabalhadores, perde também a economia nacional. Os 240 mil empregos diretos e 960 mil empregos indiretos gerados pela agricultura na região argumentam em favor de sua importância.

Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco serão os estados diretamente afetados caso o pior venha a ocorrer ao São Francisco. Não serão os únicos. Por tudo o que representa para a economia e o imaginário da região e do Brasil, triste de todos se o São Francisco se transformar num rio seco onde ninguém viaja.