Baixa vazão do São Francisco ameaça economia do Nordeste, alerta Valadares

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Publicada em 07/04/2015 às 16:19:00

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB/SE) está preocupado com a baixa vazão de água do rio São Francisco, que no último mês de março, no reservatório de Sobradinho, já atingiu 17%. O senador teme que este nível seja reduzido a 5% como já foi registrado. "Caso haja a redução deste nível poderá haver um colapso no abastecimento de água dos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco", alerta o senador.

Valadares explica que o reservatório de Sobradinho, o terceiro maior do mundo em volume e espelho de água, está tendo uma redução considerável da vazão desde 2014. Segundo dados dos especialistas, em janeiro de 2014, o volume útil da represa chegou a 50%; já em janeiro deste ano, estava em 20%; e, no último mês de março, chegou à marca 17%.

Ele revelou que, nos últimos dias, fez uma visita aos perímetros irrigados em Petrolina/PE, onde conversou com os produtores sobre a possibilidade de um colapso hídrico na região, que pode afetar o abastecimento de 23 mil hectares de produção irrigada, principalmente de frutas.
O parlamentar argumenta que, fruto de emendas individuais de sua autoria, a Embrapa está desenvolvendo o plantio de uvas nas cidades de Canindé e Poço Redondo, o que poderia ser prejudicado pela dificuldade de captação da água.

"O propósito da visita foi conhecer de perto a problemática da vazão da água do São Francisco, que, segundo especialistas, pode ocasionar um colapso na produção de frutas, o que significaria, sem dúvida alguma, desemprego em massa e prejuízos incomensuráveis à agricultura regional", alertou.

O senador alerta ainda que a queda da vazão de água já representa uma ameaça à captação. "Se essa queda de acumulação de água continuar, o que vai acontecer é que em setembro as bombas que fazem a captação de água do Rio São Francisco em Sobradinho ficarão  impossibilitadas porque a vazão estará abaixo de 900 metros cúbicos por segundo, isto é, toda a produção agrícola ficará prejudicada. Os estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco terão prejuízos incalculáveis com a quase totalidade de sua produção anulada", alertou.

O senador também destacou a importância da região para a economia do Nordeste e do país. "Hoje, são cerca de 240 mil empregos diretos e 960 mil indiretos, mostrando que a região banhada pelo São Francisco contribui para o desenvolvimento do país. É preciso que medidas sejam tomadas e recursos sejam canalizados para que a Codevasf e a Chesf possam realizar obras de emergência evitando um colapso na fruticultura, que geraria desemprego em massa, significando um problema sem precedentes na história social e econômica do nosso país", disse.