"SANTA" CLARA CLAREOU

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Publicada em 07/04/2015 às 16:34:00

Ela está radicada nos Estados Unidos, mais precisamente em New York City há "séculos", mas quando menos espera bate a saudade do seu Sergipinho e eis que ela aporta por aqui já sem o sotaque sergipano, cantarolando "Jambalaia", disposta a degustar aquele caranguejo na Praia de Atalaia, "mirando as ondas do mar". É claro, bichinho, que tou falando de Clara Angélica, jornalista e cantora que nunca gravou um disco, mas bem que poderia, por que não? Lembro-me dela com saudade, cantando com personalidade ímpar, num show deslumbrante, saltitante, glamourosa e feliz, no palco do Teatro Atheneu. Invejosos(as) disseram que ela desafinava horrores, esquecendo-se que Nara Leão também desafinava e até hoje é a musa da bossa nova, assim como João Gilberto, um desafinado convicto, por muitos tido como um ícone inconteste.

Mas Clarinha não quis dar continuidade à sua carreira de cantora, preferindo aceitar o convite do então prefeito de Aracaju, Wellington Paixão, para exercer o cargo de presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju - Funcaju -, sendo empossada no dia 10 de março de 1992. Lá se vão 23 anos. Ficou no cargo por apenas nove meses (o tempo de uma feliz gestação), realizando em tão pouco tempo um trabalho memorável, sem ôba, ôba! Priorizando a concretização de projetos verdadeiramente culturais, como a criação do grupo de Teatro Cidade de Aracaju (que montou dois memoráveis espetáculos: "O Sangue do Mundo ou Santo Souza em Perto e Branco" e Quarta-Feira, sem falta, lá em casa, em parceria com o Inoccop Base/SE e com o apoio da Caixa. O projeto se desenvolvia todos os domingos nos conjuntos habitacionais e condomínios assessorados pelo InoCoop, em Aracaju. Objetivava levar a arte para o povo, procurando desse modo atingir uma camada da população situada no patamar do médio poder aquisitivo, segmento nunca lembrando pelas produções culturais aqui realizadas. Hoje, priorizam-se apenas megaeventos tipo Forrocaju, que rendem dividendos eleitorais, numa total inversão de valores.

Clara Angélica promoveu também durante sua eficiente gestão à frente da Funcaju, algo sui-gêneris: o Mercado Promocional de Artes de Aracaju. O projeto tinha por objetivo facilitar a venda de obras de arte, propiciando aos colecionadores ou eventuais compradores, uma série de vantagens para aquisição de trabalhos assinados por artistas plásticos os mais renomados do nosso estado. "Era a hora e a vez de você formar, sem gastar muito, a sua pinacoteca", dizia Clara Angélica, ela sim, que respirava cultura 24 horas por dia, sem aspirações de se perpetuar em cargos públicos do gênero. O espaço era a Galeria de Arte Álvaro Santos, um dos mais importantes núcleos da Funcaju.

A "Santa" Clara chegou e clareou os quatro cantos da cidade, mais madura, mas sem perder a jovialidade e a descontração. Integrou a comissão julgadora do Salão dos Novos, a convite de Luiz Adelmo, o diretor da Galeia acima citada, promotora do evento e participou do programa "Expressão", da TV Aperipê, pilotado brilhantemente por Pascoal Maynard. Enfim, "pra variar", a Clarinha brilhou e arrasou. E não voltou americanizada...