Deputado critica ação do Coren no hospital de Aquidabã

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Para Gualberto, ação do Coren em Aquidabã foi \"um circo\"
Para Gualberto, ação do Coren em Aquidabã foi \"um circo\"

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Publicada em 10/04/2015 às 00:53:00

A intervenção ética feita pelo Conselho Regional de Enfermagem de Sergipe (Coren) na Fundação Hospitalar Santa Cecília, localizada no município de Aquidabã, foi alvo de protestos no plenário da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira, 9. O ato do Coren que aconteceu na segunda-feira, 6, foi classificado pelo deputado estadual Francisco Gualberto (PT), líder do governo, como "um desserviço à população".
"Fizeram um espetáculo na cidade. Convidaram toda a imprensa e levaram as principais redes de televisão para a cidade, além da Polícia Federal para garantir a entrada deles no hospital. E isso tudo num hospital onde todos os dias entram pessoas em cadeiras de rodas, com muletas e em macas. As portas estão sempre abertas. Mas o Coren precisava levar a PF para entrara, como se fosse uma missão impossível", criticou Gualberto.

Indignado com a atitude do conselho, que constrangeu os diretores da entidade que funciona como Hospital e Maternidade, Francisco Gualberto partiu para o ataque. "A quem o Coren quis servir com essa atitude? Com certeza não foi para defender os enfermeiros. Alguém está por trás disso. E nós vamos descobrir e denunciar", frisou o deputado. Para ele, o Coren é um órgão que só faz arrecadar mensalidades, não oferecendo nenhum benefício à categoria de enfermeiros.

Com mais de 20 anos de prestação de serviços em Aquidabã e região, o hospital Santa Cecília atende em média 2,5 mil pessoas por mês. Para isso, conta apenas com R$ 130 mil repassados mensalmente pelo Estado através do SUS. É uma entidade filantrópica mantida pelo médico João Feitoza e familiares. Mesmo assim, o Corem exige que o hospital contrate mais oito enfermeiros - com salários de R$ 4 mil/cada - e 17 técnicos de enfermagem. "Só faltou eles chegarem lá com uma máquina de fazer dinheiro e entregar aos diretores", ironizou Gualberto.

Para o deputado, a intenção do órgão é fechar definitivamente o hospital. "É a política rasteira. E eu repudio isso, pois é abuso de poder, coação e atendimento de interesse próprio. Além da falta de bom senso. Por isso, merece o repudio de todo o povo sergipano", argumentou Gualberto, anunciando que já procurou a Secretaria de Estado da Saúde para tratar sobre o assunto.

Na tribuna, o deputado lembrou ainda que o Coren de Sergipe já esteve envolvido em escândalos com repercussão nacional, envolvendo o desvio de recursos. "Admitimos que há deficiências no hospital, como em vários outros. E o Coren poderia orientar no sentido de ajudar a resolver. Mas não foi isso que fizeram. Chegaram lá com uma lista impositiva de contratações. Portanto, fica evidente que foram chantagear", afirma Francisco Gualberto.

O deputado ainda pediu à Comissão de Saúde da Assembleia, presidida pela deputada Silvia Fontes (PDT), que constitua um grupo de parlamentares para fazer uma visita ao hospital, assim como ao promotor púbico e ao juiz de Aquidabã para discutir o fato. De pronto, Silvia acatou a sugestão. Outros deputados, como o médico Gilson Andrade, também foram solidários à queixa de Gualberto. "É crime usar a dor dos outros, de uma população inteira, para buscar arrecadação para o Coren", disse o petista.