Negócio da China

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Publicada em 18/04/2015 às 10:48:00

Motivos para suspeitas nunca faltaram. O comércio popular dos grandes centros urbanos brasileiros foi tomado por povos orientais de origens diversas. Os populares Xing Ling são conhecidos pela oferta de serviços e produtos a preços de banana e um ritmo de trabalho frenético. Uma simples visita dos fiscais do Ministério do Trabalho a uma pastelaria localizada no Centro do Rio de Janeiro, contudo, bastou para elucidar as razões de tanta disposição para o batente. A exploração da mão de obra recrutada do outro lado do mundo recheava os pastéis a disposição dos consumidores.

Para os empresários que exploram a força de trabalho dos chineses, qualquer botequim de ponta de esquina ganha a proporção de um negócio da China. Também não é pra menos. Além da negação de qualquer direito trabalhista, estes comércios prosperam em cima de jornadas excessivas e alojamentos insalubres, sem qualquer preocupação com a higiene e saúde dos trabalhadores. O confinamento dos aliciados fecha a conta.

Talvez fosse o caso de estender a fiscalização a outras cidades, Brasil afora. A sucessão de casos muito parecidos sugere um esquema muito bem organizado. Esta é a quarta etapa de um processo que iniciou em 2013, quando o caso de um trabalhador chinês em situação análoga à de escravidão, vítima de agressões físicas e psicológicas, em Parada de Lucas, na zona norte do Rio, veio a público. Ano passado, um chinês, menor de idade, foi encontrado depois de fugir de uma pastelaria em Mangaratiba, onde era explorado. O menino andou 22 quilômetros antes de ser socorrido por policiais militares. Em março, mais um caso foi descoberto, e três trabalhadores foram resgatados de uma pastelaria em Copacabana.

Aqui mesmo, no Centro de Aracaju, os estabelecimentos mantidos por empresários de origem oriental se multiplicam em velocidade curiosa. Não seria admissível deduzir que estes sejam todos mantidos por mão de obra escrava, mas, na dúvida, a devida fiscalização, realizada por quem de direito, talvez chegasse em boa hora pra muita gente.