Antecipar discussões de 2018 prejudica governo e população, diz Fábio

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FÁBIO REIS CRITICA ANTECIPAÇÃO DA CAMPANHA ELEITORAL
FÁBIO REIS CRITICA ANTECIPAÇÃO DA CAMPANHA ELEITORAL

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Publicada em 20/04/2015 às 11:04:00

O deputado federal Fábio Reis (PMDB), em entrevista ao Jornal do Dia, disse que o governador Jackson Barreto precisa ficar atento com a ação de aliados daqui pra frente. "O chamado fogo amigo vem em decorrência da antecipação das eleições de 2018. Não estão nem preocupados com 2016 que vem primeiro. Esta antecipação não ajuda em nada ao governo, nem a população", afirma Fábio. "Na política geralmente quem larga com muita antecedência acaba cansando", adverte.
O jovem deputado faz comentários sobre a sucessão municipal na capital e principais cidades do interior, colocando o ponto de vista do seu partido. "Mas se por ventura o PMDB decidir pela sua maioria em não lançar candidato em Aracaju, eu vejo com bons olhos o apoio a Valadares Filho do PSB", garante o deputado, que faz também uma breve análise desse início de governo JB.
Em relação à sua atuação em Brasília, Fábio Reis destaca a sua participação em projetos importantes para a sociedade. Ele considera o projeto das terceirizações "um avanço para os trabalhadores". "Com a regulamentação asseguramos aos trabalhadores a manutenção de todos os seus direitos sociais e evitamos que empresas possam dar calotes nos trabalhadores fechando suas portas sem pagar os seus direitos", alega. Leia a íntegra da entrevista:

Jornal do Dia - Com a eleição do governador Jackson Barreto, o PMDB voltou a ser o maior partido de Sergipe. O senhor acha que o partido deve apresentar candidatos a prefeitos nas principais cidades ou abrir mais espaços para aliados?
Fábio Reis - Temos que trabalhar neste sentindo, mas sem uma obrigação. A executiva nacional do PMDB tem feito um trabalho junto às bases para que tenhamos candidatos a prefeitos em todas as capitais do país.

JD - O PMDB teria um nome para disputar a prefeitura de Aracaju? Qual?
FR - Os deputados estaduais Robson Viana e Garibalde já colocaram o nome à disposição do partido. Se eles realmente querem, devem trabalhar desde já para viabilizar o nome deles. Para mim, são dois nomes com chances reais de ir ao segundo turno. Mas se por ventura o PMDB decidir pela sua maioria em não lançar candidato em Aracaju, eu vejo com bons olhos o apoio a Valadares Filho do PSB.

JD - Qual é o candidato dos Reis a prefeito de Lagarto em 2016?
FR - O prefeito Lila tem a preferência para ser candidato à reeleição. Publicamente já disse por diversas vezes que não será. Até setembro deste ano deveremos tratar com ele sobre esse assunto.

JD - De vez em quando o governador JB enfrenta o chamado 'fogo amigo'. Quais os aliados que o senhor considera mais problemáticos para o PMDB?
FR - O chamado fogo amigo vem em decorrência da antecipação das eleições de 2018. Não estão nem preocupados com 2016 que vem primeiro. Esta antecipação não ajuda em nada ao governo, nem a população. Acho que o nosso governador deviria dar um freio de arrumação neste tema e chamar o feito a ordem. Não dá para auxiliares estarem fazendo política visando 2018 sem combinar com o governador e deixando de fazer o dever de casa. O país e o estado passam por dificuldades. O rombo previdenciário está acabando com a capacidade de investimento do governo, custo com folha salarial na educação é desproporcional, saúde deficitária... Não dá para falar em 2018 sem antes resolver estes problemas. O fogo amigo em nada contribui com o governo e a população.

JD - O presidente estadual do PT, Rogério Carvalho, tem forte atuação em Lagarto e é ligado a seus adversários. Isso dificulta a relação com todo o PT?
FB - Votamos em Rogerio para senador a pedido do governador Jackson Barreto. Acho prematura qualquer discussão política neste momento.

JD - Como único deputado federal do PMDB, qual a sua avaliação dos primeiros quatro meses do governo Jackson Barreto?
FR - O governador tem trabalhado de forma incessante para resolver os problemas do estado com a queda de receitas. Algumas coisas estão no caminho certo, outras ele deve corrigir. Ele tem todas as condições de fazer um governo histórico e deixar o seu legado para as futuras gerações.

JD - Qual avaliação do secretariado? O senhor acha que o PMDB está bem contemplado no governo?
FR - O governador fez suas escolhas pessoais em nome do PMDB. Sempre defendi que ele tivesse a liberdade de escolher dentro do quadro do partido nomes em que ele pudesse trabalhar. As escolhas dos nomes do PMDB foi uma escolha pessoal do governador, portanto eu me sinto contemplado.

JD - Tão logo foi eleito governador, Jackson Barreto garantiu que se aposentará ao final do seu mandato e que é preciso abrir espaço para novas lideranças políticas. Já têm aliados defendendo que ele dispute o Senado em 2018. O senhor defende que Jackson se aposente ou concorra ao Senado?
FR - Como falei no início da entrevista, este tema só atrapalha a administração e a população neste momento. Quando digo isto emito uma opinião pessoal sem querer intervir no direito que cada partido tem de discutir o tema de forma autônoma e democrática. Digo que este tema tem atrapalhado a harmonia na base aliada e tem tirado o foco da parte administrativa. É preciso ter a consciência de que as coisas acontecerão no tempo oportuno. Claro que quando se vê um vácuo na política se tenta ocupar de forma imediata, mas este processo sucessório terá como protagonista nosso governador Jackson Barreto, sendo ele candidato ao Senado ou não, ficando no governo ou não. Na política geralmente quem larga com muita antecedência acaba cansando.

JD - A presidente Dilma vem enfrentando uma série de protestos. O senhor acha que há motivo para impeachment?
FR - Sou radicalmente contra o impeachment. Não há nenhum fato concreto que possa levar a isso.
JD - O senhor acha que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, vem tendo uma atuação oposta aos movimentos das ruas? O senhor apoia as suas ações?
FR - Eduardo Cunha restabeleceu a credibilidade e independência da Câmara. Ele sempre reclamou da falta de diálogo, acho que nossa presidenta começou a entender isso e está tomando as medidas para encerrar essa tormenta que em nada ajuda ao país.

JD - O senhor defende o projeto da terceirização do emprego? Ele não afeta a situação do trabalhador?
FR - Na verdade o que o Congresso está fazendo é regulamentar o que já existe na prática. Com a regulamentação asseguramos aos trabalhadores a manutenção de todos os seus direitos sociais e evitamos que empresas possam dar calotes nos trabalhadores fechando suas portas sem pagar os seus direitos. Este é um avanço para os trabalhadores.