DO LADRÃO FAMINTO A PAULO ROBERTO COSTA

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 26/04/2015 às 00:48:00

Descalço, sujo, roupa em frangalhos, o menino confessou numa delegacia de Fortaleza: ¨Doutor, eu nuca roubei, hoje foi a primeira vez. Tava com fome, sai de casa sem tomar café e vi na minha frente o homem com um cordão de ouro no pescoço. Nem reparei se tinha seguranças em volta dele. Puxei a corrente e sai correndo, Só queria vender a corrente e comprar comida Pra mim, os meus irmãos e a minha mãe¨.
O homem do cordão de ouro furtado fazia uma caminhada pelo calçadão da Praia de Iracema.  Hospedado num hotel 5 estrelas da orla, saíra, protegido por dois seguranças. Ele era, nada mais nada menos do que o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Estava no Ceará convidado para fazer uma palestra numa Universidade.
O menino, que já chegara aos 18 anos, ladrão iniciante e extremamente azarado, pagou pelo que fez. Passou mais de 6 meses numa das penitenciárias infectas, para aonde vão os desventurados miseráveis que roubam pouco.
O colar do ministro deveria valer algo em torno de 2 mil reais.
Já o felicíssimo assaltante, Paulo Roberto, agenciador confiável para altas figuras da República, roubou, só ele, bem mais de um bilhão. Admitamos que depois das ¨partilhas¨, a Paulo Roberto restassem 200 milhões de reais. Se, ao infeliz menino, a pena aplicada por ter roubado um bem que valeria 2 mil reais, foi de 6 meses numa Penitenciária, a Paulo Roberto Costa, seguindo-se o mesmo critério, e imaginando-se que na República Federativa Brasileira todos são iguais perante a lei, o mega-gatuno dirigente da PETROBRAS deveria, teoricamente, ter contra ele aplicada uma pena de 50 mil anos a ser cumprida, também, numa dessas superlotadas penitenciárias brasileiras, onde circulam ratos, baratas, e se dorme no chão, numa fedentina de esgoto entupido.
Como se sabe, Paulo Roberto Costa, o autor principal de inaudita façanha, foi condenado a uma pena de 7 anos, a ser cumprida em casa. Decorrido um ano, em regime aberto.  Isso é castigo ou prêmio?
Por que isso acontece?
Porque temos uma democracia viciada, um Estado de Direito, usado para garantir impunidade para a elite; uma República que se transformou em covil, enquanto a cadeia, a cela infecta, está sempre pronta para receber ladrõezinhos de primeira viagem , ladrõezinhos com a barriga roncando de fome, como aquele menino de uma favela da capital cearense , que teve a pouca sorte de ver, brilhando no enfeitado pescoço de uma grande autoridade da República, um cordão de ouro.