Professores decidem manter greve no Paraná

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 06/05/2015 às 15:15:00

Os professores e trabalhadores na educação do Paraná decidiram ontem, por unanimidade, manter a greve iniciada no dia 25 de abril em todo o estado. Pela manhã, a categoria protestou contra a violência policial na manifestação ocorrida na última quarta-feira (29), quando ficaram feridas mais de 200 pessoas, segundo a prefeitura de Curitiba.
Sob os gritos de "a greve continua" a categoria - que representa 70% do funcionalismo público do estado - optou pela continuidade do movimento, especialmente contra o projeto de lei que alterou o regime previdenciário dos servidores públicos estaduais.
Cerca de 10 mil educadores de todo o estado, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), participaram da assembleia no Estádio Dorival Britto e Silva (Vila Capanema).
Antes da assembleia desta terça-feira, houve reunião entre o comando de greve e representantes do governo do estado para tratar da pauta de reivindicações. Além de se posicionarem contra o projeto, os educadores reivindicam reajuste de 13,1% retroativo a data-base, realização de concurso público e melhores condições de trabalho.
De acordo com o presidente do APP-Sindicato, Hermes Leão, o governo evitou apresentar uma proposta de reajuste da data-base da categoria, o que foi decisivo para a manutenção da greve.
"Além de toda a indignação que tivemos com o confronto no dia 29 de abril, tivemos uma reunião importante hoje em que o governo deveria ter anunciado a data-base, o reajuste para o mês de maio", disse Hermes Leão. "A greve precisa continuar para que a gente possa continuar fazendo pressão, porque ainda não tivemos uma resposta firme de que este governo retomará qualquer pleito", complementou.
Os educadores também decidiram pedir a anulação da sessão da Assembleia Legislativa que aprovou o projeto de lei que modifica o sistema de Previdência Social dos servidores estaduais, o Paraná Previdência.
O governo paranaense quer tirar 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro, sustentado pelo Tesouro estadual e que está deficitário, e transferi-los para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário.
A medida, segundo o governo, vai gerar uma economia de R$ 125 milhões aos cofres públicos. Os professores são contra e argumentam que a iniciativa compromete a saúde financeira do fundo, que terá de pagar mais do que arrecada, prejudicando a aposentadoria dos servidores para "salvar as contas do governo". "Vamos continuar com uma luta intensa contra o projeto de lei da Previdência, amanhã vamos para Brasília para nos reunir com o Ministério da Previdência." Além da reunião, os professores devem participar de uma audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado para tratar do episódio do dia 29.