Muitas vezes o agressor também é a vítima

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 26/07/2012 às 14:54:00

* Lelê Teles

Tenho pena desse jovem, realmente o vejo como uma vítima. Todos ali, naquele momento, eram vítimas.
Vítimas do cinema-bomba, do capitalismo que anula o indivíduo em nome do endividamento e do individualismo, vítimas dessa sociedade dos paradoxos e das contradições.

Vítimas da perturbação mental do cinema pornô-porrada, dos ídolos sempre armados e atirando, da sociedade com a maior população carcerária do globo terrestre.
Vítimas da sociedade do sucesso que é cruel com os fracassados, e ali tem gente que se sente fracassado só de tentar.

Vítimas de um sistema que cria liberdades para consumir e falar bobagem, mas que reprime passeatas, acampamentos, que assassina pacifistas, que enforca e atira na testa de seus ex-amigos, dos idiotas e dos inocentes úteis.
Vítimas do tolerância zero.

Vítimas do 1%, dos ricaços que se divertem com a nossa miséria. No cinema em que eles atuam, eles é que são os figurões, nós somos meros figurantes.

Esses caras estão se lixando para o meio ambiente, para a natureza, para quem sofre de fome no mundo, para quem sente frio; as vítimas do furacão Katrina deixaram claro que não eles se importam nem mesmo se isso ocorrer dentro do território americano, como eles chamam.

Esse jovem, e muitos outros que agiram como ele, são vítimas da violência cotidiana.
O exército estadunidense jogou duas bombas atômicas numa população civil.
Matou 2 milhões de vietnamitas e deixou 3 milhões feridos ou inválidos.

O sistema maluco estadunidense enforcou Saddam e deu um tiro no meio da testa de Bin Laden, imagina o que ele não faz com caras como eu e você.

* Lelê Teles é diretor de Marketing da Prefeitura de Aracaju