Depoimentos de testemunhas no caso das subvenções da Alese chegam à última semana

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Publicada em 12/05/2015 às 14:59:00

As oitivas de testemunhas de acusação do caso das subvenções da Alese chegam à sua última semana. Nesta terça-feira (12) serão ouvidas pessoas ligadas a três associações beneficiadas pelo então deputado Jefferson Andrade: o Instituto Nossa Gente, da Barra dos Coqueiros, a Associação de Moradores e Agricultores do Povoado Visgueiro, em Muribeca, e da Associação Comunitária Nossa Senhora da Conceição, em Pacatuba.
O Instituto Nossa Gente é presidido por Adelmo Apóstolo de Araújo, que será ouvido na Justiça Eleitoral hoje, e recebeu R$ 400 mil em subvenções indicadas pelo deputado Jefferson Andrade. Entretanto, a entidade não funciona no endereço em que está registrada na Receita Federal.
Durante depoimento à PRE/SE, Adelmo de Araújo informou um novo endereço da associação, imediatamente checado pela equipe da PRE, e onde foi constatado que não funcionava nenhuma instituição.
O presidente da entidade afirmou ter gasto os recursos na aplicação de cursos para a população, mas a quebra de sigilo bancário autorizada pela justiça demonstrou que pelo menos R$ 342,5 mil foram sacados diretamente por Adelmo de Araújo em cheques nominais a ele mesmo ou em nome da entidade.
Ainda em relação ao Instituto Nossa gente, serão ouvidos Edenya Karine Ramos Meneses, tesoureira da entidade, e Edson Aparecido dos Santos, ouvidor da Prefeitura da Barra Dos Coqueiros. Edson dos Santos foi ouvido pela PRE na própria prefeitura e afirmou que a instituição nunca funcionou no município.

Muribeca - A Associação dos Moradores e Agricultores do Povoado Visgueiro, em Muribeca, recebeu R$ 480 mil de Jefferson Andrade. Em visita da PRE ao povoado, ficou constatado que a associação não funciona no endereço declarado e diversas testemunhas afirmaram nunca terem ouvido falar da entidade. Estão programados depoimentos de Sergio da Silva Santos, presidente da entidade e José Marinho dos Santos Filho, responsável de fato pela associação e pai de Sérgio.
José Marinho Filho é empresário e já foi candidato a prefeito e vice-prefeito de Muribeca. De acordo com seu depoimento, as verbas de subvenção repassadas para a entidade foram aplicadas na construção de uma casa, realização de festas e na distribuição de mil cestas básicas.
A quebra de sigilo bancário da instituição contradiz o depoimento do empresário. Os documentos apontam R$ 376 mil pagos em cheques nominais a Laercio Nunes Rosa, que também será ouvido hoje.
Em depoimento, Laércio afirmou ser pintor de profissão e prestador de serviço a José Marinho Filho, que lhe pediu para sacar os cheques com recursos da Associação. De acordo com o pintor, todos os R$ 376 mil foram entregues a Marinho Filho. Além disso, o próprio Marinho sacou um cheque de R$ 60 mil de recursos da associação, somando R$ 436 mil em verbas de subvenção aos quais teve acesso direto.
Além deles, será ouvido Lenaldo Silva Santos, representante da LM Comercio e Construção, beneficiário de um cheque de R$ 40 mil da instituição.
Com os dados bancários da Associação do Povoado Visgueiro, a PRE conseguiu demonstrar que R$ 476 mil dos R$ 480 mil recebidos pela entidade foram sacados na boca do caixa, sem comprovação da aplicação real desses recursos.

Pacatuba - A Associação Comunitária Nossa Senhora da Conceição no Povoado Cobra D'Água, em Pacatuba, recebeu R$ 450 mil do deputado Jefferson Andrade, apesar de não ter sequer uma sede para funcionar. Está programado o depoimento de Edna dos Santos, presidente da associação, que afirmou que a entidade aplica as verbas em cursos e festas.
Edna dos Santos afirmou também que a responsável de fato pela associação é a chefe de gabinete do prefeito de Pacatuba, Maria Rosana dos Santos Ribeiro, que nega informação e também prestará depoimento à Justiça Eleitoral.
Além delas, prestarão depoimento Carlos Eugênio Leão de Menezes, representante da CM Serviços e Empreendimentos Ltda, que recebeu R$ 176 mil em cheques da instituição, e Maria Izabel Gabriel Feitosa, representante da Iza Ita Produções, beneficiária de R4 171 mil em cheques da associação.

Relembre o caso - Em dezembro de 2014, a Procuradoria Regional Eleitoral em Sergipe (PRE/SE) ajuizou 25 ações contra 23 deputados da legislatura vigente à época na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), por irregularidades no repasse e na aplicação de verbas de subvenção social. Também foi processada a ex-deputada e atual conselheira do Tribunal de Contas do Estado, Suzana Azevedo. Além de os valores terem sido repassados ilegalmente, por conta de proibição na legislação eleitoral, o levantamento inicial identificou pelo menos R$ 12,4 milhões desviados de sua finalidade.