OS TEMPLOS E A HISTÓRIA QUE POR ELES PERPASSA

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Publicada em 18/05/2015 às 00:57:00

Permanecem as agruras financeiras do Arcebispado que tenta conseguir o suficiente para a reforma do nosso principal templo católico, a Catedral de Aracaju, erigido sobre terrenos conquistados aos mangues e areais onde foi surgindo a acanhada capital, nos meados do século dezenove. A Catedral não é uma ruína, mas, se deixarem que o tempo sobre ela continue agindo, sem a ação cosmética na face envelhecida, a pátina da idade destituída de cuidados comprometerá a beleza do nosso templo maior do catolicismo; as torres antes brilhantes, permanecerão num tom escurecido, que parecerá desdém.
Formou-se uma comissão para cuidar da coleta de recursos. O conselheiro Carlos Pinna ficou responsável pela divulgação, o marketing da campanha. E a ela aderimos, principalmente, após o convencimento através dos pertinentes argumentos que o conselheiro alinha. Diz ele: O Estado laico não pode ter preferência por confissões religiosas. Mas o templo é patrimônio nosso, por ele perpassa boa parte da nossa História. Na terra descoberta a historia dos que começaram arranhando o seu litoral é curta, se comparada à historia européia, asiática, onde templos existem desde tempos imemoriais. Mas para a nossa historia curta, um prédio como a catedral se torna referencia necessária.
Carlos Pinna recorre aos conceitos emitidos pelo pastor Gerson Vilas Boas, quando defendeu a recuperação, pelo Estado, da histórica Primeira Igreja Presbiteriana erigida em Laranjeiras. Recorre ainda aos livros publicados pela professora doutora Ester Vilas Boas Carvalho, filha do pastor Gerson, que, acompanhada do marido, o também professor doutor Jorge Carvalho, foi mergulhar durante 15 dias nos arquivos da Universidade de Cambridge, para buscar pistas dos presbiterianos ingleses e americanos que vieram se fixar no Brasil, fundando igrejas.
Acrescenta Carlos Pinna que templos onde se praticam cultos sejam eles de confissões católicas, evangélicas, afro-brasileiras, sejam eles uma Mesquita, uma Sinagoga, desde que tenham por eles o percurso da História, devem, sim, merecer a atenção do Poder Público. E nisso discorda, como jurista, do parecer emitido pela Procuradoria Geral do Estado, que amarrou as iniciativas do governador Jackson Barreto, do prefeito João Alves, sensíveis aos apelos da comunidade católica e dos preocupados com o destino dos nossos monumentos históricos.