A MONTANHA PARIU UM RATO

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Publicada em 14/06/2015 às 14:44:00

Sobre a ¨reforma¨ política que os deputados agora apresentam, diz o ex-deputado e agora prefeito de Canindé Heleno Silva: ¨A montanha pariu um rato¨.
Heleno é jovem, no seu tempo de estudante nem se sabia que existia, como disciplina obrigatória, a língua latina, no ginásio. Hoje, quase ninguém sabe o que era o curso ginasial. Mas quem lidou com o latim, sem saber ao certo para que se fazia aquela incursão arqueológica - gramatical sobre uma língua morta, ou seja, que ninguém mais falava, são inesquecíveis as lições de mestres eméritos, como os professores monsenhor Bragança, e Jugurta, este, um respeitabilíssimo cidadão, que fora padre e deixara a batina. Ambos, fascinados pelos clássicos latinos se esmeravam em torná-los atraentes para os alunos. Entre os trechos escolhidos para leitura em aula, havia exatamente aquele a que se refere o prefeito Heleno Silva, ao caracterizar uma expectativa que se frustrou: a montanha enorme dando à luz um minúsculo e desprezível rato. Heleno poderia completar a frase: ¨A montanha pariu um rato entre gemidos imensos¨.
A ¨montanha parindo um rato¨ seria a metáfora perfeita do volume de expectativas que existiam, e do decepcionante resultado que se configura em mudanças de datas, de prazos e de limites de idades, o que, em suma, não significa absolutamente nada. Já os ¨gemidos Imensos¨ seriam a decepção, a revolta, o descrédito da sociedade em face da flagrante omissão dos seus representantes eleitos.
As reformas, se fossem feitas, iriam afetar exatamente, aqueles que se beneficiam dos vícios históricos que contaminam a política brasileira.
Reformas efetivas, reais, somente poderiam ser alcançadas através de uma Assembleia Nacional Constituinte. Mas disso os senhores senadores e deputados nem querem ouvir falar.