O BRASIL PEDE E PRECISA DE POLITICOS ESTADISTAS

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Publicada em 14/06/2015 às 14:45:00

O canal de televisão Curta! Está exibindo um documentário intitulado Tancredo, a Travessia. Deveria ser visto e meditado por todos os brasileiros. É a síntese do que foi a luta pelas diretas, a eleição indireta, e o dia em que aconteceria a posse, que não ocorreu. O Brasil vivia os momentos decisivos da transição do regime autoritário para a democracia. Qualquer erro, qualquer precipitação, até uma palavra inconveniente, poderiam açular o radicalismo de um setor que se dedicara inteiramente à repressão.  Havia expressivos setores civis, empresários e políticos, que entendiam não ser possível afrouxar o ritmo da ordem unida comandada pelos militares.  
Dois generais presidentes, Castelo e Geisel, foram encurralados pela linha dura. Castelo capitulou, Geisel reagiu, demitiu o ministro do exército que estimulava a sublevação.      Com a ¨linha dura¨ enquadrada, ¨continuou a distensão definida como lenta, gradual e segura. O general-presidente Figueiredo, com todos os ímpetos de um gênio irascível, continuou a marcha da abertura.
Uma coisa era a abertura conduzida e controlada pelo poder resultante de um pacto conservador entre militares e civis, outra, seria admitir a democracia plena, com todos os seus indispensáveis ritos, e comandada pelo poder civil, ao qual chegariam os cassados, presos, e até torturados, como é o caso da presidente Dilma.
Fazer a transição sem causar traumas, ou até provocar um golpe da extrema direita, era tarefa para estadistas. E naquele ano crucial de 1985, surgiu um que tinha vocação para ser providencial nas horas difíceis. Tancredo pensava no Brasil, tinha uma folha impecável de serviços prestados ao país. Não se deixava levar pelas emoções, muito menos pelos ressentimentos e ódios. Usava a palavra com sabedoria e moderação, não era rancoroso, e lidava com extremo cuidado com os recursos públicos. Levava vida simples, era de fato um exemplo. Pena que por hereditariedade esses exemplos não possam ser transmitidos.
Não haveria a transição sem os políticos que souberam exercitar a verdadeira arte da política. Políticos como Ulisses Guimarães, Aureliano Chaves, Leonel Brizola, Miguel Arrais, Almino Afonso, Fernando Lira, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney, Franco Montoro, e tantos outros. E generais como Leônidas Pires Gonçalves. Após a morte de Tancredo, ele segurou o exército, esfriou a caldeira do radicalismo, e garantiu a posse de Sarney.
Se a democracia que há 30 anos vivemos, vez por outra nos causa decepções, o melhor remédio é exercitá-la plenamente. Seria providencial se nos surgissem estadistas. Como se constata, eles não estão entre essas personalidades menores que ganham notoriedade num cenário dominado pela mesquinhez, ou pelo estilo ¨carcará¨.