Cartão postal

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O projeto Caju na Rua deu relevo aos bens simbólicos e artistas visuais de Sergipe
O projeto Caju na Rua deu relevo aos bens simbólicos e artistas visuais de Sergipe

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Publicada em 16/06/2015 às 22:33:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Release enviado pela comunicação da Pre-feitura Municipal de Aracaju presta conta dos R$ 4 milhões empregados no projeto arquitetônico e paisagístico da Praia Formosa. Segundo o informe, a obra corre de vento em popa, dentro dos prazos acordados com a Emurb. Tratamos aqui de 20 mil metros quadrados de aterro avançando sobre o leito do Rio Sergipe sob o pretexto de uma defesa litorânea. As entrelinhas do texto, no entanto, revelam o verdadeiro motivo de tanta ansiedade. Nas palavras do secretário municipal de Infraestrutura, Luiz Durval Tavares, trata-se de mais um legado turístico e cultural com a assinatura do prefeito João Alves Filho.

Muito justo. Mas se o objetivo era investir em turismo e cultura, bens simbólicos que pouco tem a ver com a ambição vulgar dos marcos fixados em concreto, os gestores municipais poderiam gastar as solas dos sapatos na direção da escultura de um caju pintada por Hortência Barreto, na mesma Treze de Julho.
As duas edições do projeto Caju na Rua, idealizado pelo artista visual Fábio Sampaio, não custaram um décimo do valor agora empregado para violentar as curvas da paisagem. Apesar disso, e da demanda por monumentos públicos capazes de reforçar os laços de identidade e pertencimento da população, os Cajus pintados por alguns dos maiores artistas sergipanos estão se apagando ao poucos, amarelados, em praça pública, sem solução de continuidade, nem um pingo de atenção.

Pior é perceber que o prefeito João Alves Filho e o governador Jackson Barreto jogam no mesmo time. Mãe e irmão do governador já ganharam a distinção duvidosa de um busto de bronze. Isso, pra não mencionar os R$ 11 milhões pleiteados junto ao Ministério do Turismo para a criação do Largo das Esculturas, definido pelo próprio JB como "um projeto que vai marcar nossa passagem pelo governo pela grandiosidade".
Não há o que tirar nem por nas palavras do homem. No andor da carruagem, a aldeia vai acabar sufocada atrás de um cartão postal.