Sem tese

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Publicada em 17/06/2015 às 00:41:00

* Lelê Teles
 
O Sintese faz agora o que faz todos os anos: abusa do direito de greve para fazer chantagem política, usa o carro de som como palanque para candidatos e ofende, de forma nada republicana, membros do governo.
Neste momento, o sindicato serve de mastro para a bandeira de Ana Lúcia 2016 e bate o pé numa birra infantil contra o secretário de educação.
Querem a cabeça do homem, é pessoal.
Logo ele que tem se mostrado firme na renovação de todo o sistema educacional sergipano. Logo ele que sabe exatamente o que está fazendo.
Jorge Carvalho é um educador, é Phd em Educação pela Universidade de Frankfurt (Alemanha), não é um aventureiro e nem é um neófito.
Para o sindicato, qualquer argumento serve para mostrar força política e justificar a montanha de grana que recebe.

Lembro-me - como esquecer? - do dia da reinauguração do Parque dos Cajueiros.
 O governador Marcelo Déda e o prefeito de Aracaju,Edvaldo  Nogueira, caminharam da 13 de julho, onde inauguraram a ciclovia e o novo calçamento da avenida, até o Parque dos Cajueiros.
O parque estava lotado, no palco os palhaços Patati e Patatá faziam a alegria da criançada, tudo era festa.
 Eu estava logo atrás do governador e do prefeito durante a caminhada. No parque, ambos foram recebidos com entusiasmo pelo povo...
...e sob vaias pelo Sintese.
No meio das crianças, os sintesianos cercaram o governador e o ofenderam, sangue nos olhos.
 Houve empurra-empurra, xingamentos, gritos e cotoveladas. Alguns professores tentaram acertar o gov. com mastros de bandeiras, se a segurança não tivesse agido rápido, o pior teria acontecido.
Na frente das crianças!
Pouco tempo depois, com o governador já combalido por um câncer iracundo, o Sintese teve o despudor de fabricar um caixão e promover um enterro simbólico do enfermo.
Macabro?
Mês passado, ouvi a manifestação do sindicato em frente ao Palácio dos Despachos, chamaram o governador Jackson Barreto de ditador, logo ele um homemque lutou bravamente contra a ditadura e epa democratização do país!
Em seguida, os sintesianos ocuparam a sede do governo.
 Duas semanas depois, ocuparam a Secretaria de Educação. Havia, bisonhamente, duas professoras algemadas.
É uma sandice atrás da outra.
Dizem que o piso é lei e que a lei tem que ser cumprida, mas nem dão bola para a Lei de Responsabilidade Fiscal que o governo tem que cumprir, e desrespeitam a lei quando seguem com uma greve considerada ilegal pela justiça.
O Governo deveria ter chamado pais e alunos para conversar, desde o início, e explicado a eles exatamente o que estava acontecendo, ao invés de bater boca com o sindicato, isso é fato.
A Seed precisa se aproximar mais de pais e alunos, isso também é fato.

O zap zap e o facebook deveriam estar repletos de informações curtas, objetivas, emocionais e corretas sobre as ações da Seed, explicando a Lei do Piso e a situação do Estado.
 Isso enfraqueceria o discurso dos sintesianos, mas voilá.
Tudo indica que o gov. não cairá na chantagem do sindicato. O Secretário faz o seu trabalho e está focado no IDEB, há de melhorá-lo.
Jorge Carvalho tem também como meta síntese a democratização do sistema, a eleição de diretores, a erradicação do analfabetismo e a reestruturação física das unidades de educação.
As escolas, todos o sabem, estão sendo reformadas, uma grande quantidade de materiais didáticos chega aos alunos, o diálogo melhora a olhos vistos.
Ou seja, o governo, com sérios problemas de caixa, enxuga a máquina, corta na própria carne, e dá exemplo de austeridade em tempos de crise.
Isso sem deixar de cuidar da infraestrutura educacional.
Os servidores, de uma maneira geral, querem e merecem aumento. Transparente, o governo mostra as contas e evidencia a situação de perrengue que vem passando.
Há que se encontrar uma solução para a melhoria dos salários dos professores.  O piso já teve reajuste de 76%, nos últimos quatro anos, mas os recursos oriundos do Fundeb só aumentaram 36% no mesmo período.

Está claro que precisamos de uma nova fonte de financiamento, se o piso cresce acima da inflação e da valorização do salário mínimo, onde encontrar dinheiro?
É bom lembrar que a própria Lei do Piso, no seu artigo 4º, informa que os Estados e Municípios que não conseguirem pagar o piso recebam ajuda da União.
É certo que o que se deseja é justo, um professor ainda ganha 40% menos do que os outros profissionais de igual formação.
Mas isso não pode ser uma desculpa para se tentar desestabilizar um governo, criar prejuízo aos alunos e alavancar lideranças políticas em véspera de eleições.
E há que se deixar claro que muitos professores estão por aí, com seus contracheques gordos, se fingindo de pobres coitados.
E uma dúvida sobre a tese do Sintese: se o sindicato acredita que o Governo está descumprindo uma lei, esse mesmo sindicato deveria procurar a justiça ou ir fazer quizumba na frente do restaurante Cariri?
Tudo pelo espetáculo?
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista e roteirista