Forró não veste calça justa

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Publicada em 26/06/2015 às 00:03:00

Quando você vê um cantor ser-tanejo, desses que andam com a roupa coladinha no corpo, ser a grande atração de uma festa típica nordestina como é - ou deveria ser - o Forró Caju, é porque algo está muito torto na música brasileira e na cabeça de grande parte das pessoas. Trata-se de um desserviço à cultura popular, imposto por autoridades político-administrativas que não enxergam, mas aplaudem o estrago que causam na formação cultural de um povo.

Ter que aturar o cantor Luan Santana, um autêntico calça justa, posar de 'principal atração' da noite de São João em Aracaju é pesado. É dinheiro do povo jogado no lixo. E não adianta argumentar que algumas fãs adolescentes, desconstruídas culturalmente, adoraram a apresentação no palco Luiz Gonzaga - vejam só que ironia. Sem dúvidas, a Prefeitura de Aracaju peca ao promover tal incitação ao consumismo midiático que valoriza apenas o que não importa à boa formação do povo nordestino.

Importante ressaltar que a oferta do que realmente representa o forró não falta. Na programação do Forró Caju, por exemplo, são mais de 100 atrações autênticas. Mas de pouco peso, perto do apelo midiático de um Luan Santana. Sendo assim, emburrecer um povo já tão carente de alimento cultural deveria ser crime previsto em lei. Abrir os cofres públicos para destinar gordos cachês a artistas que não falam a língua exigida pela tradição de uma festa deveria merecer punição. É quase a mesma coisa que desviar merenda escolar de boa qualidade da boca de crianças carentes do sistema público de ensino.

Na época em que Marcelo Déda administrava a Prefeitura de Aracaju, no início dos anos 2000, quando o Forró Caju ganhou notoriedade e se tornou gigante, também se ouvia criticas ferrenhas por conta de músicos supostamente alheios ao gênero forró. Nomes como Raimundo Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e alguns outros eram duramente criticados pelos ditos 'forrozeiros natos'. Mas muita gente se esquece que esses artistas citados são nordestinos, fazem música de apelo regional e são todos seguidores do que pregou Luiz Gonzaga e outros mestres antepassados. Bem diferente dos 'calças justas' de hoje.

Portanto, há que se respeitar a tradição do forró. O homem público, com o poder de decisão, precisa ficar mais atento ao que de fato interessa. Mas há, sim, grandes méritos para a Prefeitura de Aracaju e também para o Governo do Estado neste ano. Mesmo às pressas e reclamando da falta de recursos financeiros, os dois conseguiram colocar a festa na ordem do dia. Tanto o Forró Caju quanto o Arraiá do Povo vem sendo muito prestigiados pelo público e elogiados por sergipanos e turistas. Só não precisava levar tão a sério o arrocho e transformar a calça justa no principal símbolo de uma festa que sempre foi e sempre será a cara do Nordeste.

Eu não gosto de políticos, minhas músicas têm tudo a ver com o bem e a verdade
Bob Marley

Ironias
Bem que o governador Jackson Barreto poderia colocar o pé no freio das ironias e encarar com mais seriedade a queda de braço com os professores da rede estadual. Pela segunda vez, ao ser questionado por jornalistas sobre o assunto, ele respondeu que acompanhava tudo através dos seus óculos. Isso não ajuda.
 
Salários
Provavelmente ainda nesta sexta-feira a Secretaria de Estado da Fazenda divulgará informações sobre o pagamento dos salários dos servidores referente a junho. É que o secretário Jeferson Passos ainda não concluiu os estudos relativos às finanças do Estado e por isso fica impedido de confirmar qualquer notícia. A expectativa é quanto ao corte nos salários dos professores que passaram 30 dias em greve, sendo metade dos dias no mês passado.  
 
Socorro
Deu o que falar a presença do deputado estadual Padre Inaldo (PCdoB) e do ex-deputado Zé Franco no palanque oficial dos festejos juninos em Nossa Senhora do Socorro, especificamente no Conjunto Jardim e no Parque dos Faróis. Teoricamente, tanto o padre quanto Zé são adversários políticos do prefeito Fábio Henrique, anfitrião da festa. Muitos assessores da prefeitura ficaram sem entender muita coisa.
 
Socorro I
Mas a política em Socorro anda mesmo embolada, principalmente quando se trata de sucessão em 2016. Fábio Henrique, muito provavelmente, trabalhará o nome do seu secretário de transportes, Cleverton Siqueira (PDT), para concorrer à eleição de prefeito. Enquanto isso, a aliada Maria da Taiçoca, que preside a Câmara de Vereadores e tem pretensões de ser prefeita, é vista sempre em conversas com o deputado federal Laércio Oliveira, hoje desafeto de Fábio. Na raia de fora, o Pastor Jony, também deputado federal, costura uma possível candidatura à Prefeitura de Socorro com o apoio de fortes lideranças de dentro e fora do município.   
 
Último sabatinado
O engenheiro Joelson Hora foi o último sabatinado pelos membros da Comissão Especial, presidida pelo deputado estadual Zezinho Guimarães (PMDB), para compor o Conselho Superior da Agência Reguladora de Serviços de Sergipe (Agrese). Zezinho enalteceu o passado profissional e pessoal de Joelson, bem como o seu currículo e disse não ter dúvida de que ele fará um excelente trabalho na Agrese. Joelson, assim como o ex-deputado estadual Arnaldo Bispo, é indicação da Assembleia Legislativa.
 
Botão do pânico
Projeto de Lei da senadora Maria do Carmo Alves (DEM) sugere a implantação do mecanismo do botão do pânico, em todo o Brasil, visando coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. A medida protetiva só existe hoje em algumas cidades do país. "O nosso projeto visa garantir esse mecanismo a todos os Estados do Brasil, uma vez que há registros de caso de violência contra a mulher em todos os lugares", justificou a senadora, lembrando que o equipamento é simples, barato e funciona como um alarme com GPS que aciona a polícia caso o agressor se aproxime da vítima, além de gravar todo o som ambiente que pode servir de prova criminal.
 
Piso nacional
O deputado estadual Capitão Samuel (PSL) comandou a audiência pública que discutiu o Projeto de Lei nº 4.238/2012 que versa sobre a criação de um piso nacional para os vigilantes e profissionais de empresas de transporte de valores, além da criação de um estatuto da vigilância privada. A audiência aconteceu na sala das comissões da Assembleia Legislativa e contou com a participação do deputado federal André Moura (PSC).
 
Emendas impositivas
O deputado estadual Luciano Pimentel (PSB) continua apostando que o seu projeto de lei que cria as emendas impositivas ao Orçamento do Estado deve ir a votação ainda este ano e que, se for aprovado, pode ser aplicado no ano que vem. Com o fim da aplicação das polêmicas verbas de subvenção, a Assembleia Legislativa mantém cerca de R$ 36 milhões em caixa para serem aplicados em projetos sociais e outras destinações que não sejam em benefício dos próprios deputados.
 
Desordem
Em tempos de eleição, a ética costuma ir para o brejo e isso atinge até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil, que deveria dar o exemplo. Não é que agora, no último ano da sua segunda gestão de seis, e às vésperas da eleição da Ordem, o presidente Carlos Augusto Monteiro Nascimento está a criar uma série de comissões temáticas de anatomias casuísticas?
 
Desordem I
Na tora, segundo os opositores, Carlos Augusto criou meia dúzia dessas comissões e as inchou com nomeações - numa das tais tem 26 nomes -, assim como inflou de advogados as já existentes. Nos bastidores da OAB, elas são tratadas como "Bolsa Prestígio", num paralelo ao Bolsa Família do Governo Federal. Como essas comissões não têm a mínima infraestrutura funcional, os indicados fatalmente serão brindados com frustrações num futuro imediato.
 Convite
O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) pretende convidar o vereador de Aracaju, Bertulino Menezes (PSB) para uma futura filiação no PL, Partido Liberal, que está sendo recriado no País. "Fui colega de Bertulino na Câmara Municipal de Aracaju e ele é um grande quadro daquela Casa, além de um grande companheiro. Quero reeditar esta parceria com ele", explicou Fábio. Em Sergipe, o partido ficará sob o comando político do deputado estadual Luiz Mitidieri (PSD).
 
Chico de Miguel
Foi lido ontem na Assembleia Legislativa o Projeto de Resolução, de autoria da deputada Maria Mendonça, que declara nulo o ato realizado pelo parlamento estadual em 1968 extinguindo o mandato do então deputado Francisco Teles de Mendonça, o Chico de Miguel. A história registra que o deputado perdeu o mandato por se envolver diretamente num crime de morte em Itabaiana, à época, chegando a ser preso. Já a filha Maria fala em perseguição política. Agora cabe aos deputados a análise do projeto e a sua aprovação, ou não.
 
Decepção
e frustração
A autocrítica feita pelo deputado estadual Georgeo Passos (PSL) no seu discurso de avaliação do trabalho legislativo chamou a atenção de todos ontem na Assembleia Legislativa. Para ele, muita coisa precisa mudar no parlamento estadual. "O Poder Legislativo está de joelhos perante os outros poderes. Precisa se reerguer", disse ele, falando em decepção e frustração com o andamento dos trabalhos nesse primeiro semestre do ano. Georgeo, que é deputado de oposição ao governo, prometeu estudar muito mais as questões legislativas para voltar no segundo semestre com proposituras mais viáveis e mais eficazes em benefício da população.