MPB, para estar no mundo

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Uma manifestação sensível do aparente
Uma manifestação sensível do aparente

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Publicada em 15/07/2015 às 00:52:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Os livros antes das aca-demias de letras. Deve-ria ser o curso natural das coisas. Em terra de cacique, no entanto, os títulos muitas vezes antecedem os feitos. Por isso a multiplicação dos imortais endinheirados, feitos de carne e osso. Os livros, no entanto, continuam sendo escritos. E alguns até merecem ser lidos. É justamente o caso da reunião de artigos acadêmicos organizados pela professora Christina Ramalho, da Universidade Federal de Sergipe (UFS). 'A poesia da canção: estudos de letras da MPB' (ArtNer; 2015) argumenta que a música não paira acima da realidade, em forma de abstração. É, ao contrário, uma manifestação sensível do aparente.
Uma maneira do "estar" no mundo. Nas palavras da professora Sylvia Cintrão, da Universidade de Brasília (UnB), que assina o prefácio do volume. "O teórico Roland Barthes nos alertava há quase meio século que história e literatura são manifestações que, somadas, totalizam a própria humanização do ser, e que toda escritura é um ato de solidariedade histórica. Não é diferente se pensarmos no papel da canção popular brasileira".

Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil na maioria das 150 páginas. Perfeitamente previsível. Nesse miolo, contudo, ainda há espaço para a defesa da militância étnica e cultural do Olodum, em artigo assinado pela mestranda Ellen dos Santos Oliveira, e as asperezas do ordinário cotidiano numa canção da banda Eddie, em leitura do mestrando Gilvan José da Silva Filho. E la nave va...
Um apanhado oportuno, que utiliza as armas próprias da inteligência para justificar e, em certa medida, ultrapassar o pedantismo corrente em certos âmbitos intelectuais. Poderia servir de exemplo às academias de letras que pipocam a torto e direito para satisfazer a vaidade de uns e outros em todas as esquinas.

'A poesia da canção' ganha lançamento com show de Deilson Pessoa:
15 de julho, a partir das 17 horas, Biblioteca Epifâneo Dória.