O PAPEL BRASILEIRO E O... DOS CHINESES

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Publicada em 19/07/2015 às 01:55:00

Charles De Gaulle, o imperial presidente, que sempre quis ser o mais francês entre os franceses, acabara de criar a sua force de frappe, ou seja, a capacidade militar da França para realizar ataques nucleares e intervir com rapidez em qualquer ponto do planeta. Consolidara a grandeza da França, com a qual não deixara de pensar, enquanto assistia a capitulação do seu país diante dos alemães, uma vergonha comandada pelo herói que se transformou em canalha: o marechal Pétain.
Paralela à sua visão orgulhosa de uma geopolítica onde a França não se subordinaria aos Estados Unidos no enfrentamento com o bloco soviético, de Gaulle traçara as diretrizes de uma política externa voltada prioritariamente aos interesses específicos da França. Isso acontecia nos anos sessenta. Para por em prática essa política, de Gaulle estendeu suas ações pelo chamado Terceiro Mundo, e veio visitar o Brasil onde acabara de consumar-se um golpe de estado. Ficou célebre, e correu mundo, a fotografia do general, do alto da imponente postura militar dos seus dois metros de altura, ao lado do atarracado marechal Castelo Branco, que enfiava o pescoço entre os ombros, tornando ainda menor a sua figura de um metro e sessenta.
Por aqui, de Gaulle foi recebido com muitas honras, mas saiu de mãos abanando. O marechal Castelo Branco batia continência ao coronel americano Vernon Walters, o escolhido pelo Pentágono para supervisionar os rumos do novo regime militar implantado no Brasil. De resto, a nossa ¨independência¨ tinha a dimensão exata e burra da frase dita pelo embaixador brasileiro em Washington, o general Juracy Magalhães: ¨O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil¨.
Washington a todo custo tentava isolar a China Popular, dando apoio ao que era chamado China Nacionalista, a ilha fortificada onde se refugiaram os seguidores do general Xiang Kai Chek, derrotados pelas tropas comunistas de Mao Tse Tung.
Quando de Gaulle esteve no Brasil, ele já ensaiava a aproximação com a China, o que ocorreria algum tempo depois. Para vencer a resistência interna da direita francesa que os americanos estimulavam, de Gaulle usou um simples e pragmático argumento. Ele lembrou que a China tinha mais de seiscentos milhões de habitantes, e disse que se cada chinês tomasse uma colher de vinho por dia, toda a produção vinícola da França seria insuficiente para atender a demanda. Com isso, ele demonstrava o potencial do mercado da China. Anos depois, os americanos descobriam que ignorar a China era uma monumental burrice, e então, Richard Nixon reatou relações diplomáticas e comerciais com o gigante asiático.  Os americanos reconheciam apenas Taiwan, a ilha.
Quando o general-presidente Geisel resolveu reconhecer a China, seria logo depois acusado de permitir a infiltração comunista no Brasil, acusação feita pelo ministro do Exército Sílvio Frota, depois de exonerado, e tramar, sem sucesso, um golpe militar.
Hoje, a China mais do que dobrou a população que tinha no final da década de sessenta, quando de Gaulle fez a França reconhecer o colosso, sendo o primeiro grande país do bloco capitalista a tomar essa iniciativa.  
Agora, por aqui estão intensificando a plantação de florestas destinadas à produção de madeira, visando atender a crescente demanda chinesa por celulose.
É que os chineses, milhões deles, estão melhorando de vida, e assim, adotando o hábito civilizado de usar o papel higiênico.
Quem sabe, do anus agora higienizado dos chineses, poderá vir a nossa salvação econômica! ! !