CTB/SE faz ato e cobra investigação sobre morte de trabalhadora da Almaviva

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Sindicalistas comandam protesto em frente a empresa de call center
Sindicalistas comandam protesto em frente a empresa de call center

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Publicada em 25/07/2015 às 09:40:00

O primeiro mês da morte da trabalhadora Bárbara Monique Soares de Sousa, que passou mal e faleceu quando desempenhava suas funções na empresa AlmavivA, não foi esquecido. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB/SE) e sindicatos filiados fizeram uma manifestação nesta sexta-feira (24), em Aracaju, cobrando tratamento digno para os empregados da empresa de call center. Nem mesmo a forte chuva que caiu sobre a capital sergipana durante toda a manhã impediu o protesto dos trabalhadores.

Discursos e orações marcaram o ato que contou com o apoio de diversas categorias, entre elas, bancários, radialistas, trabalhadores da construção civil, servidores públicos das três esferas, marítimos, gráficos, funcionários dos Correios, guardas municipais, UJS, MLT e da vereadora Lucimara Passos (PC do B). A parlamentar assumiu o compromisso de colocar a exploração dos trabalhadores da AlmavivA na pauta da Câmara de Vereadores. "Os empregados da empresa trabalham em situação muitas vezes degradantes e desumanas", disse.

Para Edival Góes, presidente da CTB/SE, a forma como a empresa trata os seus empregados beira à escravidão. "Nós não podemos compactuar com isso. Temos legitimidade para estar aqui fazendo a defesa desses trabalhadores que não podem se manifestar porque são ameaçados de demissão", enfatizou. Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional e presidente do Sindicato dos Bancários, também se solidarizou com os trabalhadores da empresa de call center.

"A maioria dos empregados da Almaviva são jovens e mulheres que estão começando a ingressar no mercado de trabalho. Estão no primeiro emprego, mas já são humilhados, assediados. Eles vão ficar marcados pelo resto de suas vidas", salientou Ivânia. O advogado Radamés Mendes lembrou que a AlmavivA se instalou em Sergipe com incentivos fiscais. "A empresa não paga impostos, mas explora de forma exacerbada os jovens trabalhadores que contrata", enfatizou.
 
Humilhação - Durante a manifestação, a trabalhadora Aline de Araújo denunciou as mazelas que sofre na empresa e contou como os empregados da Almaviva são tratados. "Eles controlam o tempo quando vamos ao banheiro. Se passar um minuto, a gente recebe uma advertência. Mandam a gente calar a boca. Uma coordenadora já tomou meu celular da minha mão de forma grosseira. Quando uma pessoa desmaia e volta a si tem que voltar ao trabalho para cumprir as metas. É humilhante", relatou.
A jovem trabalhadora chegou a ficar afastada por seis meses das atividades laborativas após um diagnóstico de depressão e, há dois meses, retornou ao trabalho. "Percebi que a empresa continua tratando os trabalhadores da mesma forma. Nada mudou", afirmou. Waldir Rodrigues, vice-presidente da CTB/SE, deu um recado. "A AlmavivA não vai ganhar dinheiros estropiando os trabalhadores. Nós não vamos desistir", disse. Segundo ele, a direção da entidade continuará na luta em defesa dos empregados da empresa de call center. Uma prova disso é que na quinta-feira (23), os diretores da CTB/SE foram recebidos em audiência pela superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego em Sergipe (SRTE), Celuta Krauss, que confirmou que a AlmavivA infringiu a legislação e recebeu 136 autos de infração por irregularidades trabalhistas, a exemplo de abuso de poder hierárquico, não pagamento de horas extras, desvios de função, descontos indevidos na remuneração, jornada de trabalho, depósito de FGTS, atividades insalubres, entre outras.
Foram quatro meses de investigação entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015. Celuta Krauss garantiu aos dirigentes da CTB/SE que o relatório com a investigação na empresa já foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho da 20ª Região. A CTB/SE já protocolou dois documentos no MPT esta semana. A direção da entidade solicitou uma audiência e uma investigação minuciosa da morte de Bárbara Monique e das condições de trabalho dos trabalhadores da AlmavivA.