Um prefeito perdido

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Trabalho do artista plástico Silveira
Trabalho do artista plástico Silveira

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Publicada em 26/07/2015 às 00:13:00

Em seus dois anos e meio como prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM) tem se revelado um administrador muito limitado para tempos de crise. Nem mesmo os serviços essenciais ele consegue garantir na cidade.
Na última quinta-feira, a coleta de lixo voltou a ser suspensa porque o prefeito não cumpriu compromisso assumido há um mês, para iniciar o pagamento de uma dívida de R$ 20 milhões com a empresa responsável pelo serviço. E olha que o pagamento não seria feito na bucha. Segundo explicou o próprio secretário de Comunicação, Carlos Batalha, em entrevista ao vivo na Tv Atalaia, a prefeitura faria apenas a confissão oficial da dívida para que a empresa tivesse garantias para levantar esses recursos junto ao sistema bancária. A conta seria diluída mensalmente ao longo dos meses finais da atual gestão.

A empresa Torre faz o trabalho de limpeza pública em Aracaju há vários anos e é um serviço muito bem avaliado pela população. João Alves está realizando uma nova licitação para a contratação de novas empresas para o setor e quer concluir tudo até o final do próximo ano, quando termina seu mandato. O secretário do Meio Ambiente, Eduardo Marques, disse que a licitação deverá ser dividida em quatro lotes, para evitar que a mesma empresa venha a ser a vencedora de todos os serviços, como ocorre hoje.
Nos bastidores da PMA circula a informação de que João Alves também já estaria atrasando o pagamento da

empresa Estre Ambiental, dona da estação de transbordo implantada em Nossa Senhora do Socorro, para onde o lixo coletado pela Torre é levado. Sempre que o prefeito não honra o pagamento, a Estre faz uma espécie de 'operação padrão', comum entre sindicatos de trabalhadores, retardando a descarga do lixo recolhido pela Torre. Cada minuto perdido pelos caminhões da Torre nas filas de entrada da Estre, significa mais lixo acumulado nas ruas de Aracaju.

Como prefeito, João Alves Filho também é negligente em outras áreas essenciais, a exemplo da Saúde. Depois que viu fracassar na Justiça a decisão em privatizar os antigos hospitais regionais, hoje UPAs da Zona Norte e da Zona Sul, os recursos para o setor começaram a escassear, apesar dos repasses feitos pelo governo federal. No ano passado, em pleno carnaval, as duas UPAs foram fechadas por falta de medicamentos. Só funcionaram porque a Secretaria de Estado da Saúde fez um acordo com o Ministério Público e cedeu os remédios necessários, temendo uma sobrecarga ainda maior no Hospital de Urgência, Huse.

Na semana passada, o secretário municipal da Saúde, Luciano Paz, que também é secretário da Fazenda e não garante o pagamento das contas da PMA, foi ao Ministério Público informar que a prefeitura não dispõe mais de recursos para a realização de cirurgias eletivas nesse ano - estamos ainda em julho. Prefeitos e governadores reclamam por mais financiamento para o setor de Saúde, mas parece falta de planejamento uma administração dizer que não tem mais dinheiro para tocar um setor fundamental em pleno meio do ano.

A área de transportes é caótica, a SMTT está sendo transformada numa indústria de multas, ruas e avenidas estão mais esburacadas do que nunca, apesar da enganosa propaganda do "Rodando no Macio"; o procurador do MP do TCE, Sérgio Monte Alegre, já denunciou o superfaturamento nos preços da merenda escolar praticada pela Secretaria da Educação, as obras são lentas e sem objetividade, as áreas mais pobres são castigadas por inundações e lama, o Centro foi transformado numa grande favela e os mercados históricos estão abandonados.

O mais grave é que João Alves não demonstra preocupação com os problemas enfrentados pela cidade. Neste momento trabalha apenas para garantir espaço para seus preferidos em partidos que possam vir a compor com a sua candidatura à reeleição no ano que vem. Nos últimos dias, João Alves e o vice-prefeito José Carlos Machado, que perdeu o controle do PSDB para os irmãos Amorim, perambulam no eixo São Paulo/Brasília, tentando a transferência do vice para uma legenda que possa garantir maior tempo de TV.
Aos poucos, o apreço que o prefeito dizia ter com os aracajuanos, está se revelando numa falta de compromissos sem precedentes em quem comanda a PMA.

Processos em Sergipe

Com a publicação da aposentadoria do conselheiro Flávio Conceição de Oliveira Neto, do Tribunal de Contas do Estado, todos os processos do chamado 'Evento Sergipe', como foi denominado no STJ o desvio de recursos no terceiro governo João Alves Filho (2003-2006) descoberto durante a Operação Navalha, passam a tramitar na Justiça Federal da Seção Judiciária de Sergipe. A aposentadoria extingue o foro privilegiado que mantinha a ação no STJ.
Além de Flávio, também são réus no processo João Alves Filho, o seu filho João Alves Neto, Zuleido Soares Veras, Ricardo Magalhães da Silva, Max José Vasconcelos de Andrade, Gilmar de Melo Mendes, Victor Fonseca Mandarino, Kleber Curvelo Fontes, Sérgio Duarte, Renato Conde Garcia e o ex-deputado Ivan Paixão.
As citações dos réus devem começar nos próximos dias.

Eleição na OAB
A disputa pelo comando da OAB Sergipe, em dezembro, será uma das mais concorridas dos últimos anos. O grupo do atual presidente Carlos Augusto, eleito pela força de César Britto, se dividiu e, por enquanto, tem três nomes já lançados, Roseline Morais, Inácio Krauss e Henry Clay Andrade. A oposição já apresentou o nome de Emanuel Cacho.
Nos bastidores, César Britto trabalha para que a candidatura de Henry Clay, atual diretor-geral da ENA (Escola Nacional de Advocacia), atraia Roseline ou Inácio para a sua chapa na condição de vice-presidente. É que na disputa pela OAB Nacional, existe a possibilidade de César conseguir emplacar o nome de Henri Clay como secretário-geral do Conselho Federal. E em caso de vitória, ele não poderia acumular as duas funções.
É um jogo político que será definido nos bastidores.
A vinculação política de Cacho aos setores mais conservadores da política sergipana limita a sua candidatura.

Onda reacionária

O presidente estadual do PT, Rogério Carvalho, esteve na quinta-feira com o governador Jackson Barreto, mas a conversa foi restrita a assuntos do interesse do Estado de Sergipe junto ao Ministério da Saúde. Rogério é secretário de Gestão Estratégica e Participativa da pasta e vem tentando resolver pendências de Sergipe no Ministério.
Mas nos dias em que permanece no Estado mantém a rotina de visitar as bases no interior visando o fortalecimento do PT. Rogério acha que o quadro político nacional não permite ainda nenhuma definição sobre candidaturas, até porque não se sabe sob quais regras serão disputadas as eleições.
Ele admite que está surpreso com a onda reacionária que tomou conta do País e da volta do fascismo golpista. "É um momento muito perigoso, mas não acredito que o golpe contra a presidente Dilma venha prosperar. Hoje já há vozes importantes contra qualquer iniciativa nesse sentido", prevê.

Campus do Sertão
Dos 200 estudantes aprovados para as primeiras turmas do Campus do Sertão da UFS, 188 são sergipanos e 161 são moradores da própria região. Foram 1.022 inscritos no processo seletivo para os cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e Agroindústria. A UFS utilizou o resultado do Enem de 2014 para fazer a seleção.
As aulas começam em outubro e os cursos oferecidos no Campus de Glória são voltados para a economia da região.

Folha do Estado

O governador Jackson Barreto (PMDB) se reúne nesta segunda-feira com secretários para fazer uma avaliação do Estado em todas as áreas, discutir a realidade financeira e pedir o enquadramento de cada auxiliar diante da crise financeira que atravessa o país e o Estado.
O ponto mais esperado da reunião é o balanço financeiro a ser apresentado pelo secretário da Fazenda, Jeferson Passos. Somente depois da reunião é que o governo vai divulgar o calendário completo de pagamento dos servidores estaduais, que começa no dia 30, com o pessoal da Educação - recursos garantidos do Fundeb.
Nos últimos 12 meses, a receita do Estado cresceu R$ 316 milhões, mas as despesas com pessoal subiram R$ 320 milhões - R$ 200 milhões somente com a folha dos aposentados. Os gastos com custeio - a manutenção da máquina - caiu para valores de 2010 e os cargos comissionados não chegam a 3% da folha.
É uma situação crítica, porque não há mais onde cortar.