AS SINGULARIDADES DA TERRA BRASILEIRA

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Publicada em 26/07/2015 às 00:16:00

Viajantes aventureiros, desbravadores, religiosos ou cientistas curiosos, que desde a descoberta da Terra Brasilis, começaram a nos visitar, percorrendo nossas costas, adentrando pelos rios, varejando nossas montanhas e selvas, escreveram, alguns deles, relatos que se tornaram famosos e circularam pelo Velho Mundo. Eram descrições fabulosas. Hans Staden, aventureiro e arguto observador, no seu livro Duas Viagens ao Brasil, revelou ao mundo uma das singularidades brasileiras que assombrou a Europa: o festim de um banquete canibal, ¨onde a comida chega pulando¨, o prisioneiro levado aos saltos, para ser abatido e devorado Um outro, André Thevet deu ao seu livro o título de Singularidades da França Antártica, descrevendo a ocupação francesa em pequena área do Brasil. Em todos esses escritores o que avultava nas suas obras eram, exatamente, as singularidades daquela exótica terra, dos gentios nus, as índias com ¨suas vergonhas raspadinhas¨ na expressão do olhudo padre Caminha.
Essas ¨ singularidades¨ se fazem presentes ao longo da nossa História.
Difícil enumerá-las todas. Desde a descoberta por erro de navegação, à independência feita no grito por um príncipe português erguendo, quase ao mesmo tempo a espada e as calças, depois de mais um episódio culminante da diarreia que o subjugava.

A República nasceu, da mesma forma singular proclamada por um marechal monarquista, que tiraram da cama para colocá-lo na sela de um cavalo republicano.
Um jovem que se transformou em presidente dizendo-se ¨caçador de marajás¨, agora senador grisalho passeava nas ruas de Brasília alternando-se ao volante de uma Ferrari vermelha, uma Lamborghini, prateada e um esportivo Porche branco. Esse jovem que dizia ter ¨aquilo roxo¨ fez, numa democracia, o que a revolução comunista não conseguiu na Rússia: igualou ricos a pobres da noite para o dia, deles sequestrando todo o dinheiro que possuíam. Façanha quase igual foi a do maranhense que saltou da ditadura para ser presidente (rimou) com seus igualmente amalucados planos, botando nas ruas ¨os fiscais do Sarney¨ que, tal como comissários soviéticos, se investiam no poder de fechar as portas de supermercados, açougues, farmácias, e caçarem bois nos pastos.

A mais recente e dessa vez benfazeja singularidade nossa é que o país da impunidade guarda agora na cadeia executivos de empresas que, somadas, podem ultrapassar os dez por cento do PIB brasileiro, se, entre eles, forem incluídos os diretores e gerentes da saqueada PETROBRAS.
Ex-deputados e senadores também estão na cadeia, junto com ex-ministros. Os dois presidentes do Senado e da Câmara, debaixo de investigação e com seus pertences levados pela Policia Federal. Sobre o sinistro Eduardo Cunha já se diz que ele traçou duas alternativas : ser candidato à Presidência da República ou ir parar na cadeia.
Como se vê, singularidades não nos faltam, desde as ¨vergonhas raspadinhas¨ das jovens índias nuas, no passado, às desvergonhas expostas e punidas no presente de tantos que vestem Prada.