Seca no Nordeste prejudica produtores em áreas irrigadas

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Publicada em 29/07/2015 às 22:28:00

Edwirges Nogueira
Agência Brasil/EBC

Com o baixo nível do Açude Pereira de Miranda, os produtores de coco no perímetro irrigado Curu-Paraipaba, na região metropolitana de Fortaleza, estão mantendo 40% da atividade, registrando queda de 60%. O açude era a principal fonte de água para irrigação. Agora, a atividade depende dos poços que alguns produtores conseguiram cavar para manter os coqueiros.
Dos 815 produtores que desenvolvem projetos na região, apenas 300 conseguem se manter com os poços. "O produtor está muito desanimado. Não há produção. O perímetro está em decadência por falta de água", diz a presidenta da Associação do Distrito de Irrigação Curu-Paraipaba, Socorro Barbosa.

O Curu-Paraipaba é um dos quase 30 projetos irrigados, sob a supervisão do Departamento de Obras Contra as Secas (Dnocs), que sofrem as consequências da seca no Nordeste. De um total de 37 áreas produtivas distribuídas em seis estados, o órgão estima que 80% estão prejudicados pela falta de água para irrigação.
Os prejuízos nos perímetros este ano ainda não foram contabilizados pelo Dnocs. No entanto, o diretor de Produção do Dnocs, Laucimar Loiola, cita o desemprego como uma das consequências mais marcantes. "No Baixo-Acaraú [Ceará], uma empresa que atua no perímetro irrigado anunciou a demissão de cerca de 2 mil funcionários. Como não há produção, não há como mantê-los", disse. Segundo Socorro Barbosa, os produtores passam por um problema adicional: a perda de mercado em estados onde vendiam a produção, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

O diretor afirma que, no momento, não há muito a ser feito para minimizar os prejuízos decorrentes da falta de água. Solução adotada no perímetro irrigado Curu-Paraipaba foi a perfuração de poços. No entanto, ele explica que a vazão é baixa e a água tem pouca qualidade para a irrigação. "O Dnocs tem procurado perfurar poços, mas nosso potencial não consegue atender a todos os que precisam e o volume de recursos financeiros, diante da situação econômica do País, não é grande", acrescentou.
Uma solução que vem sendo estimulada pelo Ministério da Integração e estudada pelo Dnocs é a conversão dos sistemas de irrigação antigos em sistemas mais modernos, sustentáveis e eficientes, com menor consumo de água. "O sistema usado no Curu-Paraipaba, por exemplo, já tem 40 anos. Gasta muita água. Estamos buscando modernizar esses sistemas para que, quando os reservatórios tiverem recarga, possamos usar a água de forma racional", afirmou.