No aperto

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Publicada em 07/08/2015 às 00:03:00

Está faltando espaço no xilindró. As seiscentas e poucas vagas a serem criadas no sistema prisional sergipano, promessa do governador Jackson Barreto, passam longe da real necessidade observada no estado. De acordo com dados oficiais, o déficit observado nas cadeias locais é de pelo menos 1700 vagas. Significa dizer que não adianta o governador fazer das tripas coração para concluir as reformas em curso nas unidades de Areia Branca, Glória e Estância. A maior parte dos custodiados vai continuar no aperto.
Mais de R$ 15 milhões empenhados para enxugar gelo. As cadeias, delegacias e até o cadeião de Socorro, para onde foi transferida a maior parte dos presos que se rebelaram na manhã de ontem, não suportam o crescimento desenfreado da população carcerária. A rebelião em questão foi motivada pela suspensão de visitas, um dos efeitos perversos da greve promovida pelos policiais civis. As tentativas de fuga, no entanto, dificilmente ameaçariam a segurança pública, como ocorre com relativa frequência, em um ambiente adequado aos rigores da Lei, devidamente controlado por quem de direito.
 É preciso reconhecer que o Governo do Estado vem tentando amenizar o problema, e faz o que pode para levantar paredes e pregar as grades destinadas ao confinamento dos condenados a ver o sol nascer quadrado. Ocorre que os tijolos empilhados até o momento não acompanham o crescimento da população carcerária. A polícia trabalha com afinco, da maneira que a população espera. Nunca se prendeu tanta gente.
Por enquanto, rebeliões tímidas como a de ontem, fabricadas no escuro de celas insalubres, não acabaram ainda em cadáveres decapitados, como ocorreu em episódio chocante, mais ou menos recente, no Maranhão. Pode ser uma questão de tempo. Sem mortos para jogar no colo das autoridades sergipanas, os apenados estão pedindo arrego.