No Bugio, dois feridos e escola evacuada

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Publicada em 07/08/2015 às 00:12:00

A primeira rebelião estourou na 10ª DM, por volta das 8h. Três policiais davam plantão na unidade, quando os 57 presos que estavam na carceragem foram avisados sobre a suspensão das visitas. Depois de um tempo, os detentos começaram a forçar as grades de ferro das quatro celas e conseguiram derrubá-las, uma a uma. Segundo o delegado Ronaldo Marinho, responsável pela 10ª DM, elas já estavam em condições ruins de manutenção, o que facilitou a ação dos rebeldes. "Por diversas vezes, estas grades já tinham sido arrancadas aqui e nós as soldamos. Isso acontece com muita frequência. Já aconteceu uma vez de fecharem a grade e ela cair. Isso se deu pela própria estrutura física, que não está em condições de manter um cidadão preso em uma delegacia", admite Marinho.

Depois de saírem das celas, os presos invadiram a área do pátio, usada para o banho-de-sol, e iniciaram o vandalismo. Armados com as barras de ferro das grades, usadas para trancá-las, eles quebraram os vidros da janela do cartório, por onde jogaram um pedaço do cano de esgoto, e uma câmera do circuito interno de TV que vigiava a movimentação da carceragem. Também usando as próprias grades, os presos quebraram dois buracos nas paredes laterais. Dois saíram pela garagem, mas recuaram depois que policiais ligados ao Sinpol chegaram para dar apoio aos colegas que estavam de plantão. Todos os agentes sacaram suas armas, cercaram a delegacia e atiraram para o alto. Em poucos minutos, chegaram também os reforços do Gerb e do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam), da Polícia Militar, os quais usaram balas de borracha para acabar com a revolta dos presos, que se renderam.

Neste ponto, os presos já tinham tomado como reféns os dois colegas de cela que estavam isolados e ameaçados de morte. José Roberto dos Santos, 34 anos, e José Otoniel Amâncio, 35, acusados por um estupro ocorrido há nove anos em Capela (Vale do Cotinguiba), foram prensados contra as grades da entrada da carceragem e violentamente espancados, levando socos, chutes e golpes com as barras de ferro, principalmente na cabeça. Os dois foram resgatados e socorridos por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo em seguida internados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). "Só Jesus e esses polícias que chegaram agora. Se não fosse eles, a gente estava morto. Eu quero ir pro presídio hoje, com a força de Jesus, por que, se eu ficar aqui, vão me matar", apelou Roberto, gaguejando e tremendo muito, algemado ao colega que tremia e sangrava por um profundo corte na cabeça.

A situação foi controlada depois de cerca de uma hora e meia, quando os policiais do Gerb revistaram as celas e fizeram a contagem dos presos, antes de enviá-los para o Cope. Durante a revolta dos presos, foi ordenada a evacuação total do Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa, que fica atrás da 10ª DM e por onde alguns presos poderiam fugir. As aulas acabaram suspensas. "Numa redondeza dessa, que tem 65 mil habitantes, tem condições de tomar conta de preso? O colégio e o posto de saúde fecharam. Se esses caras saem e fazem uma arte com as crianças? O que estão esperando pra tirarem esses presos daqui? Estamos dentro de um vulcão e a culpa é do governo do Estado", critica o líder comunitário José Aragão Barroso.