UM PÉ DE MACONHA NO JARDIM (1)

Luiz Eduardo Costa

Um professor, pessoa conceituada, cidadão corretíssimo, era usuário da canabis. Plantou no seu jardim um pé da erva. Dela retirava as folhas que punha a secar e depois usava no seu "baseado". Das sementes, que têm inegáveis propriedades curativas, ele fazia um chá que sua mãe idosa tomava, diariamente, para controlar a pressão arterial elevada.   A policia foi ao jardim do professor, flagrou o delito tipificado no Código Penal, e ele desde então é réu, enquanto agravaram-se os problemas da pressão arterial da sua mãe. O professor continua fumando seus baseados, agora, tendo o constrangimento de ir comprar a maconha nas bocas de fumo dos traficantes.
Se o professor tivesse em sua residência uma bem sortida adega com vários tipos de bebidas alcoólicas, isso até lhe valeria como demonstração de finesse e distinção social.
Garrafinhas miúdas da cachaça Pedra Noventa, que custam apenas um real, uísque, vodka, são vendidos massivamente nas baladas, nas margens das estradas, para consumidores que depois sairão dirigindo carros, motos, matando e morrendo pelos caminhos.
Alcoolizados, matam e morrem aos milhares, ampliando-se, a cada ano, as cifras fatídicas. A mídia, em qualquer horário, livremente, faz apologia ao álcool. Há músicas incentivando as pessoas a beberem até cair. E tudo isso é absolutamente normal, e legal. Já um pé de maconha no jardim é delito grave, e quem o cultiva torna-se traficante.
Para alguns, falar em descriminalizar o uso da maconha soa como se fosse um crime hediondo.


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