O CORONEL IUNES E O ENXUGAR DE GÊLO

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Publicada em 31/08/2015 às 13:51:00

Enxugar gelo é uma expressão muito comum no vocabulário dos policiais. Não só os de Sergipe, mas, recorrente no linguajar corriqueiro de policiais de todo o país, decepcionados com o prende, solta, prende solta de bandidos, muito deles de altíssima periculosidade. No Rio, o secretário da Segurança Mariano Beltrame externou a indignação por ter de novamente sair em busca de chefes do tráfico que a Justiça autorizara a irem de volta para as ruas. Alegam os juízes que seguem estritamente as normas legais, e na grande maioria dos casos isso é absoluta verdade. Mas há casos de facilidades concedidas que parecem absurdas, e geram na sociedade um clima de decepção.
O coronel Iunes, comandante da PM, vai à linha de frente no combate aos bandidos, e sabe, como poucos, dos perigos em que se envolvem tanto PMs como agentes civis, no enfrentamento com pistoleiros, e as cautelas que devem ter para que depois não sejam acusados de violação dos direitos humanos. Iunes fez, numa entrevista ao Jornal da Cidade, o desabafo público das suas decepções, e do desalento que vai abatendo o ânimo da tropa. Suas palavras merecem uma cuidadosa análise. O presidente do Judiciário, desembargador Luiz Mendonça, foi um inflexível promotor. Agiu contra poderosas gangs, inclusive formadas por bandidos que se intitulavam políticos ou empresários. Isso quase lhe valeu a vida. Entre os fugitivos da Penitenciária de Glória estão dois que dispararam dezenas de tiros contra o desembargador. Um deles, nessa última fuga, matou, covarde e estupidamente o guarda penitenciário Antônio Nascimento Nogueira, honrado cidadão, pertencente a uma família de gente decente e pacífica. Era irmão do prefeito de Glória, Chico do Correio.  
Tanto Luiz Mendonça como os demais desembargadores não podem interferir nas decisões de primeira instância, principalmente liminares, que, quando cassadas, já teriam gerado consequências danosas para a sociedade.
O secretário da Segurança Mendonça Prado manifestou-se várias vezes sobre o assunto agora abordado pelo comandante da PM.
Ninguém irá imaginar que os juízes agem de má fé. Apenas, imagina-se que os magistrados poderiam interpretar as leis sendo rigorosamente obedientes aos ditames da hermenêutica, mas, sem tirarem os pés do chão da realidade.