Escola municipal é fechada por causa dos constantes roubos

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Publicada em 02/09/2015 às 00:32:00

Milton Alves
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por falta de segurança ostensiva e visível fra-gilidade estrutural, diretores da Escola Municipal Letícia Soares, bairro Santos Dumont, em Aracaju, decidiram suspender as aulas na instituição que tem mais de 450 alunos. A medida acontece após a escola ter sido alvo de bandidos pela décima segunda vez em menos de três anos. Assustados, os alunos e pais apoiaram a ação na manhã de ontem e cobram da Prefeitura de Aracaju mais respeito e segurança. Conforme perspectiva dos docentes e coordenadores, caso não haja melhorias urgentes, as aulas devem permanecer suspensas por tempo indeterminado.

Os estudantes  garantem que desde o início de 2013 vêm apresentando junto à Secretaria Municipal de Educação (Semed), sucessivos boletins de ocorrência declarando as invasões que ocorreram na maioria das vezes durante os finais de semana. Paralelo à ousadia dos invasores, meliantes já perceberam a fragilidade da segurança local diante da falta de vigilantes e porteiros, e começaram a abordar trabalhadores, pais e alunos ainda na entrada principal da escola. Na tentativa de evitar novos ataques os professores decidiram, mesmo sem o aval da Semed, cancelar as aulas até que a segurança seja aplicada, inclusive, com o apoio da Guarda Municipal.

Segundo esclarecimentos da professora Edileide Barroso, ministrar aulas para as crianças e adolescentes da Escola Letícia Soares transformou-se em uma árdua missão para a categoria que sofre, principalmente, com a falta de materiais didáticos. Estes foram subtraídos justamente pelos bandidos. "Não temos mais nada aqui. Quando eu digo nada é nada mesmo. Quase todos os finais de semana tem invasão aqui e eles levaram tudo, menos as cadeiras e quadros, mas o resto não sobrou nada. O pior é saber que a prefeitura tem conhecimento desse caos e pouco faz pela manutenção da escola, e principalmente do futuro destes alunos", lamentou. Na madrugada do último domingo, 29, foram levados produtos de limpeza, e mantimentos que garantiriam a merenda escolar desta semana.

Outro fato lamentável que configura no cenário de precariedade refere-se ao repasse financeiro da própria Semed. Conforme contabilidade da instituição, no mês passado a gestão repassou para a escola uma quantia de R$ 8 mil para que fosse utilizado na manutenção do prédio, mas devido aos danos causados pelos invasores, esta verba só consegue quitar reformas dos danos causados pelos marginais invasores. A senhora Vilma Dolores, avó de dois estudantes, usa um ditado popular para definir a situação de calamidade vivenciada por parte da comunidade do Santos Dumont. Para ela, o prefeito estaria 'tapando o sol com uma peneira', a fim de minimizar os danos gerados ao patrimônio público.

Como se não bastasse os produtos furtados e baixa aplicação financeira para reparo dos problemas, medidas paliativas criadas pela direção da escola põem em risco a integridade física dos estudantes. Relatos feitos pela diretora escolar apontam erros operacionais adotados em caráter emergencial, mas que mesmo depois de dois meses a prefeitura mostra-se incapaz de promover uma solução definitiva. "Recentemente invadiram a escola pelo portão da frente e como não temos dinheiro para comprar outro, ou reformar, tivemos que amarrar ele com cordões. Nosso medo é que o cordão acabe rompendo e caia sobre alguma criança. Infelizmente nossa situação é essa, e como não queremos nos responsabilizar por acidentes, decidimos cancelar as aulas", afirmou a diretora Maria Vilma Leite.

Ainda conforme lamentações da gestora, até pequenas plantações feitas pelos alunos estão sendo destruídas, ou mesmo roubadas. Caso as melhorias pleiteadas não sejam promovidas em curto prazo, a diretora acredita na possibilidade de futuras ações criminosas na área interna da Escola Municipal Letícia Soares. "Nossa situação é muito difícil e se continuar assim quem garante que quando voltar no outro dia ainda teremos as carteiras e os quadros? Adotamos essa medida de parar as aulas por achar que assim os problemas já registrados em delegacias podem ser resolvidos pela prefeitura. Assim esperamos porque desejamos o melhor para estas crianças", pontuou Vilma Leite. A Prefeitura de Aracaju ainda não se pronunciou oficialmente quanto ao assunto.