EDUCAÇÃO, AINDA QUE TARDIA (1)

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Publicada em 17/10/2015 às 14:39:00

¨Liberdade, ainda que tardia¨ foi o lema da Inconfidência Mineira, todavia em latim, no século 18, quando a parcela ínfima da população que tinha o privilégio de frequentar  escolas dali saia com um bom conhecimento da língua portuguesa, do latim, de aritmética, álgebra e geometria.
Dois séculos depois, agora, todos têm acesso à escola pública, mas, dos que concluem o curso fundamental, 30% não fazem a passagem para o segundo grau, e dos que prosseguem ou ficam pelo caminho, quase 30% mal sabem ler e não conseguem elaborar as 4 operações.
Em Sergipe esse verdadeiro descalabro é bem pior.
A revelação dos números desenxabidos da nossa educação pública, e também o projeto para fazê-los menos decepcionantes, foi feita quarta-feira, dia 16, pelo professor doutor em Educação, o secretário Jorge Carvalho, em almoço com jornalistas, professores e pedagogos.
Sem ter coragem moral, competência técnica, responsabilidade social e política, ninguém se atreveria como o fez Jorge Carvalho, a desenhar, publicamente, o perfil realista da nossa educação pública. Em nenhum momento o secretário deixou que o pessimismo contagiasse o seu discurso realisticamente elaborado.
Sergipe, na avaliação nacional da eficiência da escola, ocupa um dos últimos lugares. A evasão e a repetência correm paralelas, numa estatística frustrante, enquanto o orçamento da educação é consumido quase inteiramente pelo pagamento de salários, e só restam 2 % para investimentos, mas, nas escolas estaduais funciona um gigantesco ¨restaurante¨ que serve cerca de 150 mil refeições por dia. Entre a escola e a cozinha houve a opção pela licitação para escolha da empresa que se encarregará de encher o prato.
O número de analfabetos em Sergipe é superior à média brasileira. Sem uma mudança nos cursos de alfabetização, os números tendem a piorar, e dentro de uns 5 anos, a continuar no mesmo ritmo, Sergipe será campeão brasileiro de analfabetismo. Título mais deprimente não poderia existir.
O projeto quadrienal para reformar e dar eficácia à rede escolar, já aprovado pela Assembleia, começa a ser posto em prática.
Diante do diagnóstico apavorante, o plano Sergipe Educa Mais é uma espécie de dístico que poderia parodiar o lema da inconfidência, tornando-se: Educação Ainda Que Tardia. O plano é a prioridade absoluta do governador Jackson Barreto, que o acompanhou passo a passo. Seguramente, é o melhor conjunto de ideias já apresentado em Sergipe para reverter as expectativas e energizar a batalha coletiva pela educação eficiente.
O Sergipe Educa Mais, pela sua abrangência e importância estratégica para o nosso futuro, não pode ser assunto exclusivo do Governo do Estado. Ele terá de ser, principalmente, um objetivo da sociedade sergipana.