DA LAMA DA VALE SE SALVAM OS ABROLHOS

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Publicada em 21/11/2015 às 15:48:00

A lama que a Vale espalhou já está no estuário do rio Doce. Ali, está um dos mais importantes santuários da biodiversidade capixaba. Há mangues, que como se sabe são os mananciais que alimentam a vida marinha. Há restingas, há ainda algumas manchas isoladas da Mata Atlântica. Tudo será destruído, tudo vai submergir na lama pestilenta da Vale, essa empresa pestilenta, até agora impune e arrogante.
Morrerão peixes, crustáceos, provavelmente toda a vegetação dos manguezais. A lama da Vale escorrerá por cima de tudo, e ela é altamente letal, carrega, principalmente, o óxido de ferro.
Mas há uma noticia alvissareira: a morte que a Vale espalha não chegará ao arquipélago dos Abrolhos, um dos mais importantes parques de conservação da vida marinha existentes no mundo. Não chegará, porque a chamada Corrente do Brasil, que surge no sul do África e faz um longo arco cruzando o Atlântico, mais ou menos a altura da costa de Sergipe, faz uma inflexão para a direção sul, e acompanha a nossa costa até os mares do Rio de Janeiro. Assim, como Abrolhos fica a nordeste da foz do rio Doce, a lama não o atingirá. Há ainda um outro fator a favorecer a salvação do arquipélago. É uma causa eminentemente derivada da físico-quimica. É que, os materiais pesados, como é o caso do óxido de ferro tendem a se decompor e descer ao fundo das soluções salinas, mais rapidamente do que na água doce. E assim irão se depositando mais rapidamente ao fundo do mar.
Essa constatação aliás, desfez, pelos idos da década de trinta, uma afirmação que se arvorava de científica, segundo a qual a imensidão de terra carregada ao mar pelo rio Amazonas, estaria sendo levada pela Corrente do Golfo e iria acrescentar terras aos países europeus aonde chega aquelas águas mornas que amenizam a friagem de regiões como as ilhas Britânicas e a Escandinávia. Antes de chegarem à Europa os bilhões e bilhões de toneladas de terras sul- americanas carregadas pelo Solimões - Amazonas e seus afluentes, iriam se depositando no fundo do Atlântico.