A música é maior do que o rock

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Depoimento multimídia
Depoimento multimídia

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Publicada em 08/01/2016 às 09:01:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Um cara cheio de predicados. Para os interessados na música independente produzida em Terra Brasilis, meados dos anos 90, a assinatura de Leonardo Panço dispensa qualquer apresentação. Guitarrista da extinta Jason, responsável pelo selo Tamborete, o músico ainda colocou a manha com as palavras a serviço do subterrâneo carioca. Sempre bancado pelo próprio bolso.
Em sua investida editorial mais recente, contudo, prevalece um tom confessional até agora inédito. Diferente do clássico inaudito 'Esporro' (2011), cujo caráter objetivo colabora para a natureza documental do relato, em 'Superfícies' (2015), Panço, o autor, é o único sujeito do enunciado. Um depoimento em formato multimídia. Fotos, ilustrações e até as composições no disco que acompanha o volume, refletem o seu humor, a sua condição e o seu estado.

Pouco importa especular a respeito da qualidade biográfica destes contos breves, introspectivos como um poema constrangido, disfarçado em formato de prosa. Trata-se de uma incursão em terreno essencialmente sensorial. A diversidade de linguagens amalgamadas em 'Superfícies' (arte visual, literatura e música) propõem uma espécie de cumplicidade emotiva. Proposta potencializada pelos diferentes estímulos subordinados à intenção adivinhada na mensagem.

Em relação aos aspectos musicais, 'Superfícies', o CD, surpreende pelas texturas e timbres "ambientais". A distorção é ocasional. Nem sinal de hardcore. 15 músicos colaboraram, incluindo os serigys Babalu (bateria) e Rafael Findans (contrabaixo acústico). Se 'Tempos' (2014), a sua estréia solo, antecipava a oportuna ampliação do horizonte sonoro compreendido nas composições de Panço, este lançamento é categórico: a música é maior do que o rock.