E ser artista no nosso convívio...

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O bem de quem?
O bem de quem?

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Publicada em 14/01/2016 às 00:47:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

A boca fala aquilo do que o coração está cheio. Artistas sergipanos e personalidades diversas foram induzidos a testemunhar contra qualquer espécie de crítica ao governo de plantão. E vão ter de responder perante o próprio público, ou coisa que o valha, por tão evidente mancada.
A campanha publicitária 'Eu Sergipe - Gente que faz a diferença' não assume o propósito político de maneira explícita. Investe no subliminar, travestida de esforço colaborativo. Sem querer, no entanto, acabou levantando questões urgentes a respeito da linguagem audiovisual enquanto estratégia de afirmação de um discurso e, ainda mais delicado, o papel de figuras públicas na legitimação de verdades fabricadas.
A campanha faz bonito com o chapéu dos outros. Tratamos de uma série de vídeos inspirados em experiências locais bem sucedidas de militância, ativismo, exercício artístico e empreendedorismo, difundida via redes sociais. Pegou mal para quem botou a cara no sol. Ficou mais feio ainda para os responsáveis pela campanha, ainda no escuro, que não informaram os personagens convidados para fazer papel de besta sobre as fontes de financiamento da empreitada.
"Jamais haverá crise para quem acredita que dá para fazer algo". Eis a síntese da matéria. Isenta o poder público de construir alternativas para o arrocho econômico que nega direitos líquidos e certos aos trabalhadores, ao passo em que transfere a responsabilidade para as costas dos outros. Como nossos artistas se prestaram a discurso tão infeliz? Ingenuidade ou casuísmo? Cada um responda por si mesmo.