Acabou o glamour

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Publicada em 19/01/2016 às 22:20:00

Até a derrota para Jackson Barreto, em 2014, a classe política de Sergipe só falava sobre a liderança exercida pelos irmãos Amorim - o senador Eduardo (PSC) e o empresário Edivan, que controla uma rede de emissoras de rádio. Passadas as eleições, o grupo praticamente se restringe ao mandato do deputado federal André Moura (PSC), que pela sua ligação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acabou sendo indicado para dirigir comissões importantes.
O mandato do senador Amorim é opaco e suas ações não repercutem. O deputado federal Laércio Oliveira (SDD) faz mandato independente, voltado para a defesa das classes empresariais, da qual é um dos seus representantes. Tanto que Laércio já avisou que, independente da posição do grupo, apoia a candidatura à reeleição do prefeito João Alves Filho (DEM).

Eduardo Amorim tomou o controle do diretório estadual do PSDB do vice-prefeito José Carlos Machado, mas ainda não optou nem mesmo pela sua filiação. Montou uma comissão provisória com pessoas que já trabalhavam com ele, transferiu seu domicílio eleitoral de Itabaiana para Aracaju, mas ninguém acredita que ele tenha a coragem de se lançar candidato a prefeito, sem a garantia nem mesmo de uma coligação forte.
Depois da eleição, Edivan Amorim passou a cuidar de seus negócios privados, principalmente um financiamento junto ao BNB de milhões de reais que é contestado judicialmente. Ele não mantém os encontros políticos e até a emissora de rádio parou de fazer política 24 horas por dia como ocorria até recentemente. Mantém aliados no comando de diversas legendas, mas parece não ter maiores interesses nessas eleições. André Moura é quem circula e prepara candidaturas no interior.

O deputado federal Adelson Barreto (PTB), que pensava em disputar as eleições municipais em Aracaju ou Nossa Senhora do Socorro, foi abatido com a cassação do seu mandato pelo TRE, em virtude de irregularidades no uso das verbas de subvenção. Vai concentrar a sua atenção em 2016 na defesa do mandato, com recursos juntos aos tribunais superiores.

O prefeito João Alves Filho (DEM), que em 2012 recebeu o apoio de última hora dos irmãos Amorim e, em 2014, indicou a senadora Maria do Carmo na chapa do PSC, vai trabalhar até a última hora para ser candidato à reeleição, mas passou a analisar a possibilidade de a candidata ser a própria Maria. Para isso, teria que renunciar seis meses antes da eleição. Essa opção passou a ser defendida explicitamente pelo ex-governador Albano Franco e teria a simpatia de outros setores, já que abria espaço para um novo candidato a vice-prefeito, o que poderia garantir o apoio do próprio André Moura e dos Amorim.
Se pelo lado do governador Jackson Barreto, a situação é complicada porque quase todos os partidos possuem pré-candidatos a prefeito, o bloco de oposição não tem maiores opções, a não ser o próprio João ou Maria.

Aliada a essa falta de nomes, João Alves enfrenta problemas sérios de caixa e nem mesmo o aporte dos R$ 120 milhões previstos para a arrecadação do IPTU serão suficientes para colocar a casa em ordem até o início do processo eleitoral. Evidente que há também desgastes dos governos nos níveis estadual e federal, mas a eleição de prefeito é resolvida dentro da própria cidade.
Esta eleição também será diferenciada porque o Brasil chegou ao modelo de financiamento público das campanhas eleitorais. Há lideranças políticas que entendem que sem dinheiro privado as eleições de 2016 estarão inviabilizadas, mas não há alternativas. Primeiro, porque o financiamento privado foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo, porque nenhum dos tradicionais doadores, em sã consciência, irá se aventurar no pântano do caixa dois, depois que praticamente todos os grandes empreiteiros do País foram presos.
Partidos e candidatos terão que se virar com doações de pessoas físicas e recursos do fundo partidário.

Convocação
O governador Jackson Barreto deverá convocar extraordinariamente a Assembleia Legislativa, ainda neste mês de janeiro, para votar projeto que a renegociação das dívidas do Estado com a União. Será mudado o indexador provocando a redução nos juros que são pagos todos os meses. O presidente da Alese, deputado Luciano Bispo (PMDB), já avisou aos deputados sobre a convocação, que não será remunerada.

Previdência
Por conta da notícia de convocação extra da Assembleia, começou a circular a informação de que o governo também estuda projeto sobre aumento da contribuição de servidores ao Sergipe Previdência. O governo nega. "O déficit da Previdência é uma realidade e o Estado vem buscando maneiras de diminuí-lo, no entanto, aumento de contribuição não se encontra em análise. A Secretaria da Fazenda e o Sergipe Previdência reafirmam que não estão realizando nenhum estudo sobre o tema. O Governo tranquiliza os servidores estaduais e informa que o Sergipe Previdência se coloca à disposição para prestar esclarecimentos sobe o regime previdenciário", diz nota distribuída pela Secom.

Equívoco
O ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), que trabalha para ser o candidato do bloco governista a prefeito de Aracaju, considerou um erro estratégico do senador Valadares antecipar o apoio do grupo do PSD ligado ao deputado federal Fábio Mitidieri, à candidatura do seu filho, Valadares Filho (PSB). "Foi um desrespeito aos demais partidos do bloco que, inclusive, pensam também em apresentar candidatos a prefeito", entende o ex-prefeito.

Escolhido
Edvaldo está convencido de que acabará sendo o escolhido pelo governador Jackson Barreto, porque realizou muitas obras em Aracaju e seria um referencial contra a candidatura do prefeito João Alves Filho. "Além disso minha candidatura retoma o projeto popular iniciado por Jackson quando foi eleito prefeito em 1985, passando por João Gama, Marcelo Déda e a minha gestão", acredita Nogueira.

Qualidade de vida
"Sou pré-candidato a prefeito porque tenho como missão fazer com que Aracaju volte a ser a capital da qualidade de vida", disse ele. Para Edvaldo, "Aracaju vive uma situação muito complicada e difícil". E completa: "Tenho como missão fazer com que a cidade volte a crescer. Temos presenciado a situação caótica e uma gestão catastrófica. O atual prefeito João Alves Filho, do DEM, culpa a todos pelos problemas e não os assume. Responsabiliza a crise, a falta de repasse de recursos dos governos Federal e Estadual e até o próprio cidadão. Então, não posso ficar parado e vê-lo destruir o trabalho que eu e Déda realizamos".

Foco é a PMA
Ontem, o senador Valadares considerou como 'boatos' notícias que circulam nos bastidores, de que o acordo com o PSD já estaria visando a sua candidatura a governador em 2018. Para o senador Valadares, o foco agora são as eleições de 2016: "É um desserviço ao povo de Aracaju antecipar um debate sobre governo e senado que só deverá ocorrer em 2018". Valadares acredita que a aliança PSB/PSD representa a renovação política e a apresentação, durante o período eleitoral, de uma proposta viável para a cidade de Aracaju.

Bom desempenho
O senador acha que a pré-candidatura de Valadares Filho, com o bom desempenho que teve em 2012, "deve ser encarada como uma alternativa legítima, de fortalecimento do objetivo comum dos que querem mudar Aracaju, entre tantos nomes que possam surgir no decorrer do debate em torno de sucessão municipal, os quais serão recebidos por todos nós dentro do respeito que deve nortear uma saudável convivência democrática entre aliados ou adversários".

Dificuldades
O deputado federal André Moura prevê um ano difícil. Acha que a crise política vai continuar afetando a economia. Ele estima que todo o primeiro semestre será tomado pelas discussões sobre o impeachment da presidente Dilma e o processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, impedindo votações dos projetos econômicos de interesse do governo.

Impostos
O Conselho Federal da OAB lançou nesta terça-feira (19), em parceria com importantes confederações nacionais, um manifesto contra a criação e aumento de tributos pelo governo federal. No texto, as entidades também cobram o cumprimento dos compromissos assumidos pela presidente da República, Dilma Rousseff, na campanha eleitoral de 2014.

Carga tributária
"A carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo. O brasileiro não aguenta mais pagar tantos impostos sem ter o retorno que deveria ter. Está na hora de o Estado usar com eficiência os recursos que arrecada e não criar ou aumentar tributos. A OAB se coloca contra esse tipo de ação por parte do governo da presidente Dilma", afirma o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho.

Quem assina
Também assinam o manifesto a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional de Saúde (CNS), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). "Estamos todos juntos contra o aumento da carga tributária no Brasil. É chegada a hora de cortar despesas e não de sufocar o crescimento econômico da nação", afirma o presidente da OAB.