DOS VELHOS JORNAIS

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Publicada em 05/08/2012 às 13:25:00

 Nota sob o título Respeite a Memória do Morto Dr.  Heribaldo,   publicada na primeira página de uma edição do mês de junho de 1956 do jornal Diário de Sergipe. O periódico era ligado ao PSD  ( Partido Social Democrático) e  tinha como diretores o   sempre intelectual,  jurista e professor, e então deputado estadual  Cabral Machado,  que, depois,  seria Vice Governador e Conselheiro do Tribunal de Contas; e o advogado  e deputado estadual Pedro Barreto, que    viria a ser desembargador e Secretário da Segurança:

¨Vítima de traumatismo moral, tendo como  algoz o Secretário da Justiça Dr. Heribaldo  Vieira, segundo declarações de pessoa da família do morto, rendeu alta ao Criador, há um mês e pouco, o saudoso Dr. Álvaro Silva, íntegro Juiz  aposentado, presidente da Ordem dos Advogados, membro do Conselho Penitenciário do Estado e professor dos mais ilustres da nossa  Faculdade de Direito, em cujas atividades deu sempre um vivo exemplo de saber, caráter e dignidade, tendo falecido sem deixar fortuna, mas muitos filhos, um dos quais  formado,  e os demais cursando  Engenharia, Medicina, Odontologia, e o mais jovem, o  Científico, sendo esta a mais e louvável preocupação do extinto. Pleiteando um direito que lhe assiste com  assento  no artigo 18 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição do Estado, requerera o saudoso mestre contagem do tempo de serviço para melhoria da sua minguada aposentadoria. Seu processo, a despeito da  promessa do Sr. Governador, de atendê-lo,  logo chegasse  às suas abençoadas mãos, andou de Herodes para Pilatos, e quando se ofereceu o momento de subir a despacho, dado o parecer favorável do jovem e culto Consultor Jurídico, bem como do Sr. Diretor do Tesouro, que fez o Dr. Heribaldo ? Perversamente, de segundas intenções, mandou que o Procurador Fiscal Dr. Antônio  Machado, surdo ,como inculto, oferecesse um outro parecer contrariando o do  Consultor Jurídico, obrigando assim , ao carro puxar os bois.
Levado o fato ao conhecimento do interessado, foi esse acometido de mal súbito, vindo após 8 dias de fortes padecimentos, deixar a querida esposa  e adorados filhos chorando a sua falta irreparável. Despachando o  requerimento do morto em seu expediente de  3 do corrente, alega o ilustrado Secretário Dr. Heribaldo, que improcede o que diz o Sr. Diretor do Tesouro, e o que diz o Consultor Jurídico, por julgar que só deve tomar  em consideração o parecer do procurador, feito inteiro sob medida.
Perguntamos nós:  Por que não publicou o parecer do Sr. Consultor e do Sr. Diretor do Tesouro?
Simplesmente, pelo propósito firme e manifesto de prejudicar ao tempo a parte, ou, em outras palavras, matá-lo, como o matou de contrariedade. Para selar o epitáfio moral, seu autor, conseguiu fosse nomeado o filho Geraldo Vieira, para a vaga deixada pelo Dr.  Álvaro Silva no Conselho Penitenciário.
Chega Dr. Heribaldo,  chega!"