O RIO FRACO E O MAR QUE AVANÇA

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Publicada em 14/02/2016 às 00:01:00

A Chesf reduziu a vazão do São Francisco para oitocentos metros cúbicos por segundo. O mar avança e as águas do rio já ficam salgadas nas grandes marés até vinte quilômetros além da corda da barra, onde, antes, a força da corrente doce vencia o mar, e navegadores que por lá velejaram disseram ter recolhido água para beber em pleno oceano.   O Velho Chico despejava então mais de dois mil metros cúbicos por segundo, e até o dobro disso nas grandes enchentes.
Hoje, o São Francisco está minguando, e as suas águas também retidas nos reservatórios artificialmente criados para que funcionassem as hidrelétricas. Sobradinho, no meio da Bahia, o maior deles, é um lago imenso com mais de 200 quilômetros de extensão. Alimenta apenas uma pequena hidrelétrica, mas serve para garantir o funcionamento do complexo gerador entre Itaparica e Xingó.  
As usinas hidrelétricas eram evidentemente necessárias, todavia poderiam ter sido construídas, especialmente a ultima delas, Xingó, obedecendo a normas ambientais que teriam compatibilizado a produção de energia com a preservação do rio. A Chesf, empresa desastrosa do ponto de vista ambiental, informa agora que a redução no fluxo das águas foi feita para garantir o abastecimento da população, o que é contraditório e inverídico. O que se quer, na verdade, é segurar água para, se ainda este ano estiver pronta uma parte do sistema da transposição, haver um volume disponível para correr pelos extensos canais, outro erro enorme de avaliação que foi cometido.  O baixo São Francisco diante da omissão absoluta da Chesf empobreceu, e desembarcou do trem da história, na mesma proporção em que o rio encolhia e as suas águas perdiam a condição de alimentar a vida.