Rasteira perigosa

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Arthur Bispo do Rosário, xilogravura de Elias
Arthur Bispo do Rosário, xilogravura de Elias

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Publicada em 21/02/2016 às 00:50:00

A princípio, a rasteira que o prefeito João Alves Filho, o vice-prefeito José Carlos Machado e o ex-governador Albano Franco aplicaram no senador Eduardo Amorim parece um golpe perfeito: tomaram o controle do diretório municipal do PSDB para que João possa disputar a reeleição mantendo Machado como vice e os 4 minutos de tempo do partido na TV. A operação foi fechada em Brasília na última quarta-feira, com direito a foto com o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB.
Na segunda-feira, 15, o senador Eduardo comandou uma reunião em hotel da orla para preparar o lançamento de sua candidatura a prefeito de Aracaju. Ao final do longo encontro ficou definido que o bloco teria candidato próprio, que sairia entre o senador e o deputado federal Adelson Barreto. Noi dia seguinte, Adelson negou que tivesse colocado seu nome à disposição até porque encontra-se numa situação delicada desde que o TRE cassou o seu mandato, por envolvimento no escândalo das subvenções da Assembleia Legislativa.

Tanto o senador quanto o presidente estadual do PSC deputado André Moura saíram da reunião anunciando que se Eduardo fosse mesmo candidato seria pelo PSDB, partido que passou para o seu comando no ano passado, mas que ele relutava em se filiar. Informado da decisão, João Alves deu risadas e seguiu para Brasília com Albano e Machado. Tinha mesmo motivos para o bom humor.
Hoje o senador Amorim pode usar o PSDB para apresentar candidatos no interior de Sergipe, menos na capital, onde João é quem manda.
André Moura disse à jornalista Rita Oliveira que a decisão de Aécio irritou Amorim e praticamente assegurou a sua candidatura a prefeito. Não é bem assim.
Eduardo Amorim sabe que uma candidatura à PMA é muito temerária. Uma nova derrota implodiria de vez a sua carreira política.

Hoje, André e o grupo Amorim trabalham nos bastidores para indicar o candidato a vice-prefeito na chapa do deputado federal Valadares Filho (PSB). Eles mostram que o deputado dificilmente será o candidato preferido do governador Jackson Barreto, que também analisa as candidaturas do ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) e do secretário José Sobral (PMDB).
A rasteira de João nos Amorim poderá ter reflexos diretos na sua campanha. O grupo já decidiu que não apoia, sob qualquer hipótese, a sua candidatura. Se não têm voto para ganhar a eleição municipal, Eduardo Amorim e André Moura podem ter força suficiente para retirar o prefeito do segundo turno.

Escolha de candidatos

O ministro Henrique Neves comunicou, na abertura dos trabalhos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a Corte jamais proibiu ou restringiu que as convenções partidárias sejam feitas por comissões provisórias das legendas, ou pelo próprio diretório ou pela maneira como for estabelecida pelo estatuto do partido.
 "Nos últimos dias, não sei por qual razão, surgiu um entendimento, noticiado por diversos artigos doutrinários bem escritos, dizendo que este Tribunal teria proibido que as convenções partidárias fossem realizadas por comissões provisórias. Esta informação é absolutamente errônea", disse o ministro.
Henrique Neves informou que a resolução sobre o tema jamais tratou desse assunto. "A forma de escolha de candidatos é algo que está previsto na lei e na resolução específica de registro de candidatura", disse o ministro, que é o sub-relator para essa questão no TSE.
Ele informou que advogados que estiveram presentes em uma reunião recente na Presidência do TSE trataram, na verdade, da resolução sobre criação de partidos políticos, "que não cuida do processo eleitoral em si, mas da vida dos partidos". O ministro participou do encontro.
O que os advogados estão impugnando na resolução de criação de partidos, dizendo que haveria uma suposta ofensa à autonomia das legendas para se organizar, "não é a forma como se faz a convenção partidária - que sempre foi reconhecida que pode ser feita tanto por diretório como por comissão provisória", mas uma regra do artigo 39 da Resolução nº 23.465/2015.
Esse artigo diz que a comissão provisória não pode se tornar permanente, devendo ter prazo máximo de validade, "porque os partidos políticos têm, por definição constitucional, que seguir o regime democrático", afirmou o ministro Henrique Neves.
"Ou seja, seus filiados têm que votar, não sendo possível que os partidos sejam mantidos apenas por força das suas lideranças, nomeando quem são as pessoas que, no futuro, são as que escolherão a própria direção", disse o ministro.

Saúde terceirizada
Na semana passada a Secretaria Municipal de Saúde oficializou o fechamento do Caps David Capistrano Filho, da Atalaia. Os pacientes com transtornos mentais passarão a ser atendidos pela Ong Luz do Sol, contratada sem licitação.
É uma temeridade. A Prefeitura de Aracaju não cumpre os compromissos financeiros obrigatórios com o Hospital de Cirurgia, a Maternidade Santa Isabel e laboratórios conveniados. Há poucos dias, médicos e enfermeiros entraram em greve porque seus salários estavam sendo pagos após o dia 10 do mês seguinte.
Ainda hoje os médicos que prestam serviços a PMA e recebem por RPA estão em greve porque estão com os pagamentos em atraso. Os atendimentos nas UPAs Nestor Piva e Fernando Franco não estão sendo feitos, sobrecarregando o Huse. No final de semana de 12 a 14 de fevereiro, por exemplo, o Huse recebeu 477 pacientes que deveriam ter sido atendimentos nas UPAs da capital, com 44 internações a mais. Foram 52 pacientes com dor abdominal, 37 com dor cabeça, 11 com inflamação na garganta, 20 com dores nas articulações e 30 com febre.
A terceirização da saúde mental é mais uma do prefeito João Alves Filho.

De rejeitada a queridinha

Em 2014 Eliane Aquino, a viúva do ex-governador Marcelo Déda, foi hostilizada pelo PT de Rogério Carvalho, acusada de não ser sequer filiada ao partido. Eliane deu o troco e ajudou a derrotar a candidatura de Rogério ao Senado, por uma pequena margem de votos.
Desde o ano passado o quadro mudou. Com a interferência do governador Jackson Barreto, Eliane normalizou a sua filiação ao PT sergipano e Rogério Carvalho agiu como um trator para romper as barreiras que impediam a sua indicação como nome do partido para a eleição municipal de 2016.
Os obstáculos não foram poucos, a começar pela deputada Ana Lúcia, que havia colocado seu nome à disposição do PT para disputar a prefeitura. Na segunda-feira passada, por unanimidade, o partido aprovou a indicação de Eliane, que já avisou: não será candidata a prefeita, mas topa ser candidata a vice na chapa apoiada pelo governador.
A decisão do PT fortaleceu a pretensão de JB em indicar José Sobral como candidato a prefeito. Isso não impede também as candidaturas de outros membros do grupo, como Edvaldo Nogueira e Valadares Filho.
Jackson avisou que começa a conversar com aliados sobre a PMA no final de março e até maio anuncia o seu candidato.

O calote no Confiança
Pressões políticas levaram o Confiança a aceitar realizar o jogo com o Flamengo pela Copa do Brasil, em 16 de março, no Batistão. O governo do Estado liberou as taxas de arena e permitiu ao clube a exploração dos bares no dia do jogo. A Prefeitura de Aracaju prometeu um ajuda em dinheiro, mas a diretoria não tem muito o que comemorar.
No ano passado, o Confiança firmou um contrato com a PMA no valor de R$ 120 mil pela participação na série C no Campeonato Brasileiro. Só começou a receber este mês e a promessa é de que até o final de abril a dívida seja paga. A ajuda para o jogo do dia 16 e o novo contrato para 2016 ainda estão em discussão.
O clube proletário, como os demais prestadores de serviços da PMA, são vítimas da má vontade e desorganização do prefeito João Alves Filho e seus asseclas.

Nova estratégia

O novo secretário da Segurança, delegado João Batista, aproveitou a autonomia que recebeu do governador Jackson Barreto para inovar na formação da sua equipe. Dividiu bem os cargos da cúpula da SSP, que sempre foram ocupados por um militar e três civis. Além do comandante da Polícia Militar ser um militar, como de praxe, ele designou um coronel reformado para a Secretaria Executiva, possibilitando dois civis e dois militares na cúpula da segurança pública e, consequentemente, o equilíbrio no comando da polícia.
A liberdade na formação da equipe foi tanta que o governador só conheceu o novo comandante da PM, coronel Marcony Cabral, na terça-feira à tarde, quando João Batista o apresentou no Palácio.
Pela autonomia dada ao novo secretário da SSP para formar a equipe visando ter o controle nas mãos, Jackson já avisou que vai cobrar diretamente a João Batista sobre qualquer problema ou desentendimento.
Segundo um membro da equipe de governo, o sentimento é que as coisas possam andar bem na Segurança Pública pela harmonia que haverá entre os membros da cúpula, uma vez que as indicações foram feitas pelo novo secretário, quando antes eram feitas por vários segmentos políticos.