Cheiro de sêmen e mel

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
BEIJEI-A NA BOCA APAIXONADAMENTE. DEPOIS ABRI A PORTA DO SEU QUARTO... (ILUSTRAÇÃO: CARLOS ZÉFIRO)
BEIJEI-A NA BOCA APAIXONADAMENTE. DEPOIS ABRI A PORTA DO SEU QUARTO... (ILUSTRAÇÃO: CARLOS ZÉFIRO)

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 07/08/2012 às 03:47:00

Estou perdido nos meus próprios pensamentos. Será que algum dia irei acordar para a verdade? Mas o que é a verdade? Minha compulsão para o sexo no verdor da adolescência / juventude tresloucada, seria uma inverdade. Como poderia a fusão da pele de uma com a de outra adorável pessoa, ser má? Era o apertar das mãos uma coisa má? Era o beijo algo ruim? Não. O que era ruim (e sempre será) é a traição da segurança e o reforço que tem sido dado previamente a outra pessoa. Poderiam as relações humanas serem planejadas, que dariam àqueles que tivessem a oportunidade viver múltiplos compromissos? A despeito da predominante filosofia, eu tenho de ser eu, não poderia haver uma nova espécie de pessoas na estrutura vivida agora, a qual estivesse crente da verdade maior. Que cada um de nós fosse realmente não mais do que a soma daqueles que nos amassem; que eu tenho do ser eu, é você! Decifre-me se for capaz.
Ainda dentro de Djanira, pensei em Eutímia. Fazer sexo com Djanira fez-me cientificar-me de uma coisa que instintivamente conhecia há tempos. O conhecer um outro ser humano requer um tempo de compromisso que é limitado à promiscuidade. Eu nunca seria completamente comum a dois corpos. E era na superfície que eu e Djanira estávamos conseguindo o que eu não conseguiria com Eutímia.

Os meus lábios noutros lábios de mulher pensando em Djanira, ou vice-versa. Com o meu sexo se confundindo com o dela. A única diferença é que um é côncavo e o outro é convexo. Era isso obsceno? Ou irreal? Ou vil? Meu Deus, aqueles pensamentos tolos! Remanescentes de um mundo cheio de pecados segundo os dogmas da fé cristã. Eu não acreditava realmente naquilo. Livre de muitas restrições passadas, do meu tempo de coroinha na igreja matriz de Estância, era óbvio que seres humanos não funcionariam sem alguns marcos nas sombrias florestas das relações humanas. Pecaminoso é o preconceito. E ponto.

O meu amor pelas raparigas da Zona era esquizofrênico, uma autoflagelação, talvez, que algumas vezes me angustiava. A repentina tensão de um desafiador orgasmo deixava-me saciado mas por pouco tempo. Logo eu queria mais, muito mais, fosse com quem fosse. Num momento havia a minha lamentosa necessidade de possuir o corpo de alguém, seguido rapidamente pelo que parecia ser apenas uma inditosa percepção de que era sempre a mesma pessoa que permanecia ao meu lado.

Absolutamente certa estava a cafetina Filó quando dizia não compreender os homens. Pessoas pulando para dentro e fora da cama, uma com as outras, indiscriminadamente. "É desgostoso", ela dizia e completava: "Muito me admira que todos não estejam doentes!"
Saí fora do assunto, quando Djanira olhou para mim e disse:
- Oh, benzinho... depois da praia estou me sentindo muito efervescente.
À medida que ela falava, era como se estivesse percebendo uma nova e interessante relação entre os seus pensamentos e estivesse desfrutando da contemplação deles.

Filó tentou esconder sua perplexidade. Teria Djanira estado bebendo? Não, ela não bebia, eu também não. Ao invés de estar contente, Djanira virtualmente parecia estar muito bem efervescente e hilariante, a ponto de confessar candidamente:
- Fazer sexo com você, benzinho, me põe em maior sintonia com a vida ou com o mundo, sei lá...
Estranhei ela ter dito aquilo e não deixei de sorrir internamente. Djanira suspirou fundo e sorriu para mim com uma expressão óbvia de amor no rosto. Beijei-a na boca apaixonadamente. Depois abri a porta do seu quarto com cheiro permanente de sêmen e mel. Uma mistura embriagadora. (Extraído do meu livro de memórias inédito, "Raparigas e Cafetinas da Minha Adolescência em Aracaju")

Instinto
"Eu sigo meu
instinto, porque tentar controlar sua carreira ou a opinião pública é uma utopia absoluta. Você não controla". - Rodrigo Santoro, ator, na revista Seleções, edição de julho/2012.

Geleia Geral
... A notável atriz Eloísa Mafalda, que personificou brilhantemente a Maria Machadão, na primeira e antológica versão da novela "Gabriela", com a sinceridade que é uma das suas principais características, ao ser indagada sobre a atual intérprete da personagem exibida na Globo, em nova e lamentável versão, foi taxativa: "A Ivete não é Maria Machadão, assim como ali não é o Cabaré Bataclã".

... Como eu já disse aqui, Ivete Sangalo como atriz é uma mentira deslavada e jamais poderia encarar um papel de tamanha responsabilidade. Aliás, tudo na atual "Gabriela" é uma verdadeira torre de babel onde a Juliana Paes poderá ser soterrada, após o desabamento inevitável. E a Ivetona também, claro, junto com quase todo o elenco.

... A estréia de "Aos Ventos Que Virão", longa dirigido por Hermano Penna e com muitas cenas rodadas em Poço Redondo (SE) deverá acontecer provavelmente no final de agosto ou início de setembro deste ano. No filme, a participação de muitos atores sergipanos, entre os quais, Antônio Leite, João Jatobá, Stephane Paula e Orlando Vieira.