PC do B repudia ato de intolerância e desrespeito à democracia contra sede do partidoO Partido Comunista do Brasil (PC do B) repudiou o ato de vandalismo praticado contra a sua sede estadual, em Aracaju, no último final de semana. O muro do prédio, local

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Pichação na sede do PCdoB em Aracaju: vandalismo
Pichação na sede do PCdoB em Aracaju: vandalismo

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Publicada em 01/03/2016 às 00:52:00

O Partido Comunista do Brasil (PC do B) repudiou o ato de vandalismo praticado contra a sua sede estadual, em Aracaju, no último final de semana. O muro do prédio, localizado no Centro da capital, foi pichado com a frase "Volta CCC", numa referência ao grupo paramilitar "Comando de Caça aos Comunistas", que existiu durante o período da ditadura militar, responsável pelo sequestro e assassinato de pessoas contrárias ao regime de exceção no país. A direção do partido prestará queixa à Segurança Pública do Estado e levará o episódio a órgãos de defesa da democracia e dos direitos humanos, como a Ordem dos Advogados do Brasil. O presidente estadual do PC do B, Hallison Souza, e o presidente do Diretório de Aracaju, Antonio Bittencourt, emitiram nota contra o ato.

"O PC do B vê este fato como um ataque não apenas ao partido, mas à democracia brasileira 30 anos depois do início da redemocratização no país. É um retrocesso. O nosso repúdio não é ao ato da pichação, mas ao seu conteúdo, pois faz alusão a um grupo que ficou conhecido por ter auxiliado à ditadura na prisão, sequestro e assassinato de brasileiros", afirmou o presidente do Diretório Estadual, Hallison Souza. Ele esclarece que, diferentemente, do que circulou nas redes sociais, não houve arrombamento do prédio.

O dirigente partidário avalia ainda que a pichação foi uma "tentativa de intimidação". "Não podemos permitir que este tipo de ação aconteça sem que sejam tomadas as providências legais, até para evitar que se repitam contra outras agremiações partidárias. Se há problemas a democracia, é pela democracia que se resolve e não com o retorno de grupos ligados à ditadura", frisou.
O vice-presidente do PC do B no Estado, Bosco Rollemberg, que foi preso e torturado durante a ditadura, repudia o ato contra a sede do seu partido. "A gravidade deste fato se dá em função do momento que o país está vivendo. Não dá para admitir que se peça o retorno do CCC, um grupo de extermínio que foi responsável pela morte de centenas de brasileiros. O Brasil vive, atualmente, o seu mais longo período de avanços democráticos, de modo que a fase da ditadura já foi superada. O melhor mecanismo para lidar com as divergências políticas é a disputa democrática, com respeito às liberdades e os direitos humanos", reforçou.

O presidente do PC do B na capital, Antonio Bittencourt, também lamenta o ocorrido.  Ele pondera que o partido defende todas as formas de manifestação, desde que elas ocorram dentro de um ambiente democrático. "Pedir a volta do CCC não tem relação com qualquer grupo de natureza democrática. É uma ação de violência descabida. O PC do B estimula a diversidade no campo ideológico e democrático", complementou.
O deputado estadual Padre Inaldo (PC do B) também repudiou e condenou o ato. "Não podemos voltar aos tempos de intolerância e ódio à democracia. O partido político é a forma da sociedade de garantir os interesses da população. Política não se resolve com arruaça e violência e sim com debates e prol do interesse de todos", disse.