O CHÃO DERRETENDO AOS PÉS DO SENADOR

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 05/03/2016 às 16:06:00

O senador Amorim sente fugir-lhe aos pés aquele chão que imaginara sólido. O chão para ele pavimentado ardilosa e calculadamente pelo irmão ousadíssimo nos negócios e nas atividades de cooptação política. O chão do senador é, na verdade, uma máquina bem azeitada que já teve, antes, plenas condições para oferecer "atrativos", aquele costume, aliás, que não foi inventado pelo irmão articulador. Ele apenas o reinventou com força total e sem limites para exercitá-lo amplamente, e nisso reside a chave dos sucessivos êxitos alcançados. Mas, com a derrota em 14, o chão estreitou-se. Veio a tempestade que desabou sobre a Assembleia, uma das bases do pavimento que se imaginara fosse resistente. E agora, o chão do senador se encolhe, se desmancha. Aliados de peso com a consistência e credibilidade, por exemplo, do deputado federal Laércio Oliveira, afastam-se do anunciado projeto de conquista da Prefeitura de Aracaju. Outro deputado federal, esse, com a rara capacidade de recolher os votos difíceis da periferia, Adelson Barreto, está às voltas com graves problemas, e, ao que se propala, sem merecer até agora dos aliados a devida solidariedade e o imprescindível apoio. O deputado, que tem um poderoso arsenal de votos, se mostra um tanto indisposto a envolver-se com a candidatura do senador Amorim. Um outro aliado que tem peso eleitoral, o deputado capitão Samuel, traça o rumo para novo destino.
Finalmente, aquela desoladora imagem que os assessores do senador enviaram às redações, tudo diz, e com muita eloquência, sobre a metáfora do chão que se derrete, aqui aplicada, para traduzir uma realidade adversa a quem acalentou sonhos tão ambiciosos.
Nas fotos enviadas aparece o senador Amorim visitando, com propósitos eleitorais, a Terra Dura. Ele caminha na solidão de um quase deserto, tendo ao lado um padre, talvez apto à pressurosa celebração de uma missa de Réquiem, pelo chão que se desmilinguiu.