A EXONERAÇÃO NA HORA ERRADA

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 05/03/2016 às 16:06:00

Exonerar o ministro da Justiça Eduardo Cardoso, nessas circunstâncias, foi um entre tantos outros erros cometidos pela presidente, em consequência de equivocadas estratégias, ou desastrosas omissões. Dilma não se caracteriza pela habilidade e também não se faz destacar pela inteligência. Precisaria, então, de uma generosa dose de humildade para ouvir e seguir conselhos, orientações de assessores experientes no trato com a política, mais ainda, com a gestão da economia. Mas, para cúmulo dos azares que recaem sobre o país, a presidente também não revela nenhuma sintonia com o indispensável sentimento de humildade. Pior ainda, colocou à margem pessoas qualificadas que tentaram assessorá-la, como Delfim Neto, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, o próprio Eduardo Cardoso e tantos outros, entre eles o vice-presidente Michel Temer, e se fez refém de um círculo restrito de "conselheiros", aquela habitual entourage íntima, formada por quem se prende a interesses específicos e não tem visão suficientemente ampla em que possa caber a dimensão complexa do Brasil.
Vai daí a presidente exonerou, no pior momento, o seu sensato e comedido ministro da Justiça. Alegavam contra Eduardo Cardoso que ele era o ministro mais "tucano" da presidente. E insistiram no expurgo, sem atentar para o fato de que o defeito que apontavam no ministro era exatamente uma virtude, precisamente aquela que mais faz falta à presidente: a capacidade de dialogar, de conviver civilizadamente com todos os setores políticos. Se a presidente houvesse exercitado essa capacidade, se houvesse procurado valorizar a virtude apontada como defeito do ministro, sua situação não estaria tão periclitante, e o Brasil não atravessaria esses dias turbulentos ou caóticos em que a presidente passeando pela mediocridade, nos colocou.