Forró em estado de graça

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
A serviço das melodias
A serviço das melodias

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 22/03/2016 às 14:23:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

A canção em estado de graça. A serenata brejeira do terceto Crav&rosa devolve uma espécie de pureza fundamental ao cancioneiro nordestino. Se na forma o forró é evocado o tempo inteiro, é na feição, contudo, que Lucas Campelo, Bárbara Sandes e Henrique Teles investem com mais felicidade. Leituras íntimas, ancoradas no arfar delicado do acordeon, privilegiam sutilezas melódicas e acentuam a natureza agreste do repertório. As reações variam: Há quem cante junto, quem balance o corpo, mais animado, e há também quem desfrute tudo de olhos fechados.
A fina flor da tradição regional. De Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Flávio José, Elba Ramalho e Trio Nordestino, a João Silva, Pinto do Acordeon, Acioly Neto e Petrúcio Amorim. Mais do que a reverência pura e simples, entretanto, importa ao projeto reanimar a beleza latente em alguns dos versos mais inspirados que pontuam a música brasileira. Nem que seja por força da heresia.
Segundo Henrique Teles, as aproximações realizadas entre o nordeste brasileiro e o resto do mundo se dão de maneira muito natural no repertório da Crav&rosa, a partir de nossa própria herança musical. Assim é que uma típica chanson francesa, por exemplo, pode suceder um xote de compasso arrastado. Do mesmo modo, os arranjos podem revelar acentos musicais essencialmente estranhos a esta seara. Basta que a pesquisa colabore com a sensibilidade evocada pelo projeto. A emoção é a única norma.
As primeiras composições assinadas pelo trio começam a ganhar forma. E recebem o mesmo tratamento dispensado aos gigantes que coroam o repertório. Nenhum artifício, nenhuma firula, nenhum excesso. Voz e sanfona, simplesmente. Sempre a serviço da melodia.