Quadro do impeachment

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Em conversa ontem com a coluna, o deputado federal Valadares Filho (PSB) demonstrou insatisfação com outdoor em que aparece como se tivesse recusado R$ 1 milhão para votar contra o impeachment da presidente Dilma, ao lado de outros dois colegas parlamenta
Em conversa ontem com a coluna, o deputado federal Valadares Filho (PSB) demonstrou insatisfação com outdoor em que aparece como se tivesse recusado R$ 1 milhão para votar contra o impeachment da presidente Dilma, ao lado de outros dois colegas parlamenta

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Publicada em 14/04/2016 às 01:41:00

Em conversa ontem com a coluna, o deputado federal Valadares Filho (PSB) demonstrou insatisfação com outdoor em que aparece como se tivesse recusado R$ 1 milhão para votar contra o impeachment da presidente Dilma, ao lado de outros dois colegas parlamentares: André Moura (PSC) e Laércio Oliveira (SD).
Segundo ele, nunca recebeu esse tipo de proposta. Ressaltou que votará pelo impeachment pelas razões que já explicou, através de nota à imprensa e aos amigos, e que não tinha conhecimento do outdoor e muito menos do seu teor. Lembra que a nota também foi publicada nas redes sociais.  
O ex-deputado João Fontes nega que tenha mandado fazer esse outdoor. Assume que tinha organizado com o movimento pró-impeachment um outro em que aparece os cinco deputados que ficaram de votar contra o impeachment.

Quadro do impeachment

Quando da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, só havia a certeza de que dois dos oito deputados federais de Sergipe iriam votar pelo impedimento da presidente: André Moura (PSC) e Laércio Oliveira (SD).
Logo depois, o deputado Valadares Filho (PSB) oficializou que votaria pelo impeachment. Em nota, disse que é visível a incapacidade de governar da presidente Dilma, que levou o Brasil a uma enorme recessão, gerando desemprego e diminuindo o poder aquisitivo dos mais pobres. E que em reunião da bancada federal do PSB com a direção nacional, por ampla maioria, ficou decidido que a votação a favor do impeachment será a única alternativa para estancar a crise e reconquistar a confiança da Nação.
Com isso, subiu para três a quantidade de deputados de Sergipe a favor do impeachment. Os outros cinco - Fábio Mitidieri (PSD), Fábio Reis (PMDB), Adelson Barreto (PR), Jony Marcos (PRB) e João Daniel (PT) - demonstram uma tendência a votar contra o impeachment.
A exceção de Adelson Barreto, os outros quatro parlamentares chegaram a declarar publicamente que votariam contra o impeachment. Adelson disse que acompanharia o seu partido. Já os outros que seriam contrários ao impedimento da presidente. Fábio Mitidieri e Jony Marcos, inclusive, são de partidos que estavam na base do governo.
Na última terça-feira o PRB, do deputado Jony Marcos, fechou questão a favor do impeachment da presidente. Ontem foi a vez do PSD, de Fábio Mitidieri, decidir a favor do impedimento de Dilma. O PR de Adelson tomará posição até a sexta-feira.
Desses cinco deputados, o caso mais delicado é o de Fábio Reis, por ser do PMDB que comanda o impeachment de Dilma, mas por fidelidade ao governador Jackson Barreto (PMDB) defende a permanência da presidente no governo.
Com esse cenário político em Brasília e pressão popular em Sergipe e no país, não é improvável que no Estado somente o deputado João Daniel vote contra o impeachment pela razão óbvia de ser do mesmo partido da presidente.
Agora é aguardar o domingo, 17, dia da votação histórica do impeachment da presidente, cujo seu mandato está por um fio com a debandada do governo do PMDB, PRB, PP e PSD e a manobra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), de estabelecer que a votação começará pelos deputados do Sul, cuja grande maioria é favorável ao impedimento de Dilma, deixando a votação do Norte e Nordeste por último, que têm uma tendência maior a favor da presidente.

Pressão
O deputado federal pastor Jony Marcos (PRB), que chegou a declarar que votaria contra o impeachment, vem sofrendo pressão da igreja para votar pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff. Os deputados Adelson Barreto (PR) e Fábio Reis (PMDB) também estão sendo pressionados pelos amigos e eleitores.

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Na terça-feira, o PRB anunciou que sua bancada, tanto na Câmara quanto no Senado, votará integralmente a favor do impeachment. O partido possui 22 deputados e um senador.

Divisão
Já a bancada do PR de Adelson Barreto na Câmara, que tem 40 deputados, ainda está dividida. O ex-deputado Valdemar Costa Neto, cacique da legenda e condenado no escândalo do mensalão, quer a permanência na base. Do outro, oposicionistas defendem o impeachment.

Expectativa
Tem quem aposte que mesmo a maioria do PSD nacional sendo favorável hoje ao impeachment, o deputado Fábio Mitidieri vai manter a sua posição contrária ao Fora Dilma.
Manifestações 1
Em Sergipe, os movimentos a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff organizaram atos para o domingo. O ato pró-impeachment será no Calçadão da 13 de Julho, a partir das 14h, quando haverá um telão que transmitirá a votação na Câmara dos Deputados.

Manifestações 2
Já a manifestação contra o impeachment acontecerá nos arcos da Orla da Atalaia, também começando às 14h. No horário das 17h às 18h haverá show de vários artistas sergipanos como Chico Queiroga, Antônio Rogério, Giló, Heitor Mendonça e Nino Karvan. Já das 18h às 19h apresentação do Samba do Arnesto, Azzuis Gois, Bruna Brandão e Werden. Depois das 19h show de Plástico Lunar, Henrique Teles, Diane Veloso e Alex Sant´Anna, além de Hip Hop pela Democracia e Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop.

Em Brasília
Na tarde de ontem, o deputado federal André Moura (PSC) reuniu na liderança do PSDB os lideres dos partidos de oposição, para tratar do mapeamento dos deputados que votarão em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. André acredita que o processo será aprovado com número bastante maior do que o necessário.

Alfinetada
De um aliado do governador Jackson Barreto sobre as notícias que estão sendo veiculadas na imprensa enaltecendo André Moura como coordenador do impeachment da presidente: "Se ele tivesse a importância que estão dando estaria na Comissão Especial do Impeachment. Nem ele nem o PSC fazem parte da comissão".

Ponto de vista 1
Do governador Jackson Barreto (PMDB) em conversa ontem com a coluna sobre o processo de impeachment: "A situação está complicada. Acredito na presidente Dilma e mantenho a minha posição. No mais, Deus tome conta".

Ponto de vista 2
Disse ainda JB: "Tenho história, compromisso, formação ideológica e dela não abro mão. Não sou de tergiversar nessa hora. Tenho a consciência de que é golpe, com a direita toda envolvida. A direitona no país não morreu e a máquina da economia do país está por trás disso".

Adiada
O PMDB cancelou ontem a reunião do pré-candidato a prefeito do partido, Zezinho Sobral, com lideranças políticas e comunitárias, em apoio ao projeto da legenda no pleito municipal deste ano em Aracaju. Segundo Jackson, o partido entendeu que não era época de fazer esse tipo de encontro às vésperas da votação do impeachment da presidente em que a população não está nem ai para candidaturas. O ato estava agendado para às 15h, em um hotel da orla.

Indenizar-se 1
Intimados, o ex-vereador e advogado Alcivan Menezes e dois filhos foram ontem ao Departamento de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap) prestar depoimento sobre irregularidades na utilização das verbas indenizatórias pagas mensalmente aos vereadores no valor de R$ 15 mil, pela Câmara Municipal de Aracaju. Os três empresários são acusados de participar do esquema fraudulento de contratos fictícios de locação de veículos e serviços advocatícios envolvendo R$ 12 mil das verbas indenizatórias de 15 vereadores.

Indenizar-se 2
Como 13 dos 15 vereadores que participaram das oitivas, Alcivan Menezes e os filhos se reservaram ao direito constitucional de permanecerem calados durante depoimento com a participação da delegada Danielle Garcia e do promotor de Justiça Bruno Melo. Por orientação dos advogados, só vão falar em juízo.

Indenizar-se 3
Segundo a delegada, o inquérito policial deve ser concluído na próxima semana. A tendência é que a grande maioria dos vereadores seja indiciada por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal na Operação Indenizar-se, deflagrada no início do mês pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual.

Registro
Em meio à grave crise política que o país atravessa, a Câmara dos Deputados registrou o maior troca-troca partidário em mais de uma década. Segundo levantamento da BBC Brasil a partir de dados oficiais da Casa, 99 deputados trocaram de partido em 2016, quando ficou aberta a "janela partidária" para trocas sem risco de perda de mandato. Isso representa 19,3% do total, ou seja, praticamente um quinto dos 513 integrantes da Câmara. Em Sergipe, apenas o deputado federal Adelson Barreto trocou de legenda, deixou o PTB pelo PR.

Análise
Do cientista político Jairo Nicolau, professor da UFRJ, sobre o índice elevado de parlamentares que trocaram de partido: "Vinte por cento dos deputados mudarem de legenda, isso é avassalador para uma democracia tradicional. Se você olhar parlamentos de outros países, não há uma mudança dessa magnitude".

Reforma 1
Parte da Reforma Política foi aprovada ontem na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) e segue agora para o Plenário. A proposta (PEC nº 113/2015) prevê o fim da reeleição para cargos no Executivo e a criação de uma cláusula de barreira que limita o acesso ao Fundo Partidário. O relator, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), considera que a permissão para a reeleição foi um erro.

Reforma 2
Valadares defendeu o fim da reeleição e propõe uma cláusula de barreira mais dura que a aprovada pelos deputados, que daria acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão para qualquer partido que elegesse um deputado federal ou um senador. Mas aceitou uma sugestão da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) para que a implantação da barreira seja gradual. Para o senador, isso vai facilitar a aprovação da PEC na Câmara.

Veja essa...
Enquanto aguardam a definição sobre os últimos detalhes para a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, deputados da oposição que querem seu afastamento abriram ontem um bolão "democrático". As apostas, que custam R$ 100, se referem ao placar de domingo (17), quando está prevista a decisão final da Câmara sobre o processo. O bolão vai premiar apenas quem acertar integralmente o resultado. Se ninguém acertar, o dinheiro vai ser doado para caridade. Segundo o deputado Carlos Manato (SD-ES), está de 370 o pessimista e o otimista 396.

Curtas
O deputado estadual afastado por decisão judicial mediante processo da subvenção social, Augusto Bezerra (PHS), saiu ontem com nota dizendo que após o massacre que todos acompanharam, as suas contas de campanha de 2014 foram aprovadas agora no TSE. E questiona: "E agora? Será que darão o mesmo espaço para propagar que minhas contas foram devidamente aprovadas?"

Ressalta ainda Augusto que no campo cível e criminal provou que nunca ameaçou ninguém, que não tem histórico de violência e nem tem funcionários fantasmas.
Finaliza dizendo que não será "bode expiatório e nem boi de piranha para ninguém", pedindo a Deus serenidade para aguentar "tantas calúnias" e declarando que após a nota só falará em juízo.    

       O Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista) e a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) estão recomendando aos empresários para que não abram os shoppings de Brasília no próximo domingo, quando a Câmara votará o processo de impeachment da presidente Dilma.