Processo de luta democrática não pode ser interrompido, diz João Daniel

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O deputado federal João Daniel discursa em defesa da presidente Dilma
O deputado federal João Daniel discursa em defesa da presidente Dilma

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Publicada em 16/04/2016 às 01:09:00

Em seu discurso na tribuna da Câmara nesta sexta-feira, dia 15, na sessão em que os deputados se posicionaram sobre a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o deputado federal João Daniel (PT/SE) reafirmou ter certeza que no próximo domingo a democracia e o respeito à Constituição federal e o direito da presidenta concluir seu mandato sairão vencedores. O parlamentar disse em seu discurso que vivemos um momento muito importante, onde o país vive um tempo decisivo de definir se continua caminhando para o avanço ou se dá um passo para o retrocesso.
Ao saudar todos os movimentos populares, sociais e sindicais, João Daniel ressaltou que hoje, amanhã e domingo essa militância estará nas ruas, de cabeça erguida porque acredita no amanhã, no país e no atual projeto. "É uma militância que não se rende, que não se curva na defesa da luta democrática histórica deste país", declarou.
O deputado afirmou que tem certeza que no domingo a democracia sairá vencedora, porque nas ruas e no plenário da Câmara o que tem se ouvido de quase todos os partidos, de homens e mulheres conscientes de que não se pode interromper um processo de luta histórica, democrática do país e de que a presidenta Dilma não cometeu nenhum crime. João Daniel parabenizou todos os lutadores e lutadoras pela democracia no Brasil, principalmente aqueles que, mesmo não concordado com o governo Dilma e o PT, nesse momento estão comprometidos com a história do Brasil, a exemplo do PCO e PSOL e outros democratas.
Ele relatou que ao descer para o plenário encontrou no elevador uma senhora negra, trabalhadora da Casa, com os olhos cheios de lágrimas, e ao questioná-la do motivo ouviu dela que era porque querem tirar uma mulher honesta do governo, uma mulher que lhe deu o direito de ter uma casa. "É o futuro dessas mulheres e homens que neste momento está em jogo. Estamos vivendo um momento onde nós poderemos continuar os programas que levaram dignidade a brasileiros por todo país, como o Bolsa Família, o Luz para todos, a quantidade triplicada de vagas para jovens nas universidades e conquistar o desejo de sonhar, ou retroceder", frisou.
Segundo ele, os avanços conquistados no Brasil nos últimos 13 anos possibilitaram inúmeras possibilidades, como filhos de pessoas pobres poderem concluir uma faculdade em medicina, em engenharia, em odontologia, em geografia, em mecânica. "São as mulheres quilombolas, as mulheres indígenas, pessoas da periferia que tiveram a oportunidade nos governos democráticos populares. Não foi só a oportunidade do direito a comida, que não é nada para os que nunca passaram fome. Os 40 milhões que deixaram de passar fome passaram a sonhar e o sonho passou a ser realidade", destacou.
Para o deputado João Daniel, essas conquistas é que estão em jogo, não é a apenas saída da presidenta Dilma. "Eles [os que perderam as últimas eleições] têm muita raiva. Mas a grande raiva é porque o povo passou a sonhar, a ter gosto de viver, passou a ter sua terra, sua casa, a ter dignidade. E um povo quando sonha é um povo que começa a construir uma Nação", disse.
De acordo com o parlamentar, os governos Lula e Dilma passaram a colocar o Brasil em outro patamar. Na sua avaliação também está em jogo a geopolítica internacional neste momento. "Se nós continuaremos dando ideias, se nós continuaremos lutando por um mundo de paz, sem guerra ou se seremos, como diz Frei Betto, o quintal do imperialismo como queriam os que perderam as eleições para o presidente Lula e quando perderam as duas eleições para a presidenta Dilma", ressaltou.

Lutadores - João Daniel ressaltou também que o dia 17 de abril tem uma história que marca a trajetória dos lutadores pela democracia no Brasil. Este ano, a data completa 20 anos do massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, quando trabalhadores rurais sem terra foram assassinados brutalmente, na administração do então governador Almir Gabriel, do PSDB, que ordenou a ação da Polícia Militar daquele estado contra os que lutavam pela terra, por justiça. "Em nome daqueles mortos, a exemplo de Uziel Alves Pereira, de 18 anos, jovem que covardemente foi assassinado, queremos saudar todos aqueles que deram a vida, a exemplo dos que na semana passada foram assassinados no Paraná, também de maneira covarde, com apoio da PM do governo do PSDB, com apoio da grilagem de terra e daqueles que ao longo da história massacraram nosso povo covardemente", disse.