Quem ganha e quem perde

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O presidente municipal do PSB, Elber Batalha, saiu ontem com nota lamentando a \"postura de desespero\" que o PCdoB de Aracaju tem adotado nos últimos tempos. \"Inicialmente tentando descredibilizar a pré-candidatura do PMDB, do amigo Zezinho
O presidente municipal do PSB, Elber Batalha, saiu ontem com nota lamentando a \"postura de desespero\" que o PCdoB de Aracaju tem adotado nos últimos tempos. \"Inicialmente tentando descredibilizar a pré-candidatura do PMDB, do amigo Zezinho

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Publicada em 21/04/2016 às 12:14:00

O presidente municipal do PSB, Elber Batalha, saiu ontem com nota lamentando a "postura de desespero" que o PCdoB de Aracaju tem adotado nos últimos tempos. "Inicialmente tentando descredibilizar a pré-candidatura do PMDB, do amigo Zezinho Sobral, no que foi duramente refutado pelo presidente João Augusto Gama, que de forma elegante mandou o PCdoB cuidar da vida dele e deixar a candidatura dos outros, pois não iria ceder às pressões comunistas".
Prossegue a nota: "Depois da reprimenda de Gama, o PCdoB passou a mirar toda a sua artilharia pejorativa e difamatória contra o pré-candidato do PSB, Valadares Filho, levantando ofensas e inverdades sobre sua pessoa e do próprio partido. Finaliza: "Nesse ritmo, acusando, agredindo e interferindo em outros partidos, o PCdoB de Aracaju caminha a passos largos rumo ao isolamento político, um destino triste e melancólico para uma sigla de bela história e de grandes integrantes".

Quem ganha e quem perde 

Todo o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que a Câmara dos Deputados aprovou no domingo passado por ampla maioria, deverá ter consequências nas eleições deste ano em Aracaju.
Dois pré-candidatos a prefeito de Aracaju, Valadares Filho (PSB) e Zezinho Sobral (PMDB), podem ser afetados diretamente pela questão do impeachment que dividiu o Brasil e Sergipe.
O deputado federal Valadares Filho, que votou pelo impeachment, deixa de contar com os votos que sempre contou: os de centro-esquerda, pela sua formação política ideológica nesse segmento da sociedade. Com isso, nas eleições deste ano, ele estará mais no campo de centro-direita, que já tem dois pré-candidatos competitivos: João Alves (DEM) e Eduardo Amorim (PSC).
Os votos de setores de centro-esquerda, Valadares não perdeu no domingo. Começou lá atrás, quando descartou a possibilidade de ter a ex-primeira-dama Eliane Aquino (PT) como vice pela conjuntura nacional, ou seja, pelo rompimento político do seu partido com o governo federal do PT. Isso não foi atenuado, mesmo externando seu respeito, carinho e consideração por Eliane.
Em razão disso, nas eleições municipais deste ano Valadares disputará mais os votos de centro-direita e correrá atrás dos votos dos eleitores favoráveis ao impeachment da presidente Dilma.
Um outro que também pode ser afetado pelo processo de impeachment da presidente Dilma, mesmo não sendo deputado federal, é o pré-candidato a prefeito Zezinho Sobral (PMDB). Zezinho, que vem trabalhando incansavelmente para consolidar seu nome como candidato a Prefeitura de Aracaju, já tinha como certo ter Eliane Aquino como vice.
Hoje, mesmo conseguindo consolidar sua pré-candidatura, pode ter dificuldades para a boa assimilação de aliança com o PT e, consequentemente, ter Eliane como vice. Primeiro porque petistas e setores de centro-esquerda vão ter dificuldade para digerir hoje uma aliança com o PMDB, o partido que comandou o processo de impeachment da presidente Dilma. Segundo porque setores de centro-direita, que já terá provavelmente três pré-candidatos a prefeito, não aceitará votar em um candidato que tem o PT como vice.
Dentro desse cenário político Edvaldo Nogueira (PCdoB), um outro pré-candidato da base aliada do governo, pode levar uma vantagem: não ter qualquer problema para ter Eliane Aquino como vice, pois o PCdoB sempre foi aliado histórico do PT e ele, inclusive, às vésperas da votação do impeachment, saiu com nota em apoio a presidente Dilma.
Tendo o PT como vice, Edvaldo pode ganhar o apoio de setores de centro-esquerda e dos petistas, mas perde junto aqueles que são a favor do impedimento da presidente Dilma e aqueles com formação política de centro-direita.
Os maiores perdedores do processo de impeachment são o deputado federal João Daniel, que por ser do PT deixará de ter toda a estrutura de quem está no poder, assim como as bases vinculadas aos programas sociais. Assim como o PT e lideranças petistas, que perderão o governo e todo o aparelhamento de cargos, ONGs e projetos sociais.
Os que saem mais fortalecidos são os deputados federais André Moura (PSC) e Fábio Reis (PMDB). André pela sua atuação como coordenador do pró-impeachment na Câmara, estando sempre na mídia nacional. E Fábio Reis (PMDB), com o seu voto pelo impedimento, vai conseguir manter o partido nas mãos do governador Jackson Barreto e ter aberta as portas dos ministérios na nova República. Sem falar que os dois parlamentares serão prestigiados no provável governo de Michel Temer (PMDB).

Fogo amigo 1
Os vereadores Lucas Aribé (PSB) e Lucimara Passos (PC do B) usaram ontem a tribuna da Câmara Municipal para criticar o deputado federal Valadares Filho (PSB) por ter votado a favor do impedimento da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Lucimara chegou a pedir desculpas à população pelo fato de na campanha eleitoral de 2012 ter ido para as ruas pedir votos para o parlamentar para a Prefeitura de Aracaju.

Fogo amigo 2
De Lucas Aribé, que é do mesmo partido de Valadares, inclusive, chegou a ser líder do PSB na Câmara e hoje é vice-líder: "Tirar uma presidente sem motivos, não é democracia. É hipocrisia. Isso é deputado que está ocupando o cargo sem a devida competência (...). Meu Deus do céu, deveria ter vergonha".

Papel inverso 1
O presidente da Câmara, Vinícius Porto (DEM), acabou fazendo a defesa de Valadares Filho. "O vereador Lucas Aribé foi líder do PSB por dois anos e hoje destila toda a sua ira contra o presidente estadual desse mesmo partido. Deve estar querendo sair da agremiação e está buscando motivos para isso", disse.

Papel inverso 2
Afirmou ainda: "Quando Lucas diz que os deputados federais que votaram a favor do impeachment não têm preparo, ele está colocando por terra o discurso dos próprios colegas do partido que há três anos apontam Valadares Filho como o maior homem do mundo. E agora ser criticado dessa forma, só porque se posicionou favorável ao impeachment de uma mulher que tem levado o país à falência? Não entendi. Do mesmo modo as pessoas que acompanham a política não devem ter entendido nada".

Homem do
presidente 1     
Uma influente fonte política disse ontem à coluna que o homem forte de Sergipe no eventual governo de Michel Temer será o jurista e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto. Segundo a fonte, Britto, inclusive, pode ser ministro da Justiça.

Homem do
presidente 2
Ressalta que o sergipano é muito próximo de Temer e, inclusive, estão sempre almoçando nos finais de semana em Brasília. "Michel Temer só chama Carlos Brito de Carlinhos", disse.

Na nova República
A imprensa nacional já aponta cinco nomes como os mais próximos do vice-presidente: Eliseu Padilha (RS), Henrique Eduardo Alves (RN), Moreira Franco (RJ), Geddel Vieira Lima (BA) e Romero Jucá (RR). Eles têm em comum o fato de já terem ocupado cargos importantes em administrações petistas. Os quatro primeiros foram ministros durante os governos do ex-presidente Lula e de Dilma. Jucá, por sua vez, foi líder do governo no Senado tanto nas gestões de Lula quanto de Dilma.
Como mineiro
Informações chegadas à coluna de Brasília dão conta que o ex-governador Albano Franco (PSDB) atuou bem nos bastidores para conseguir apoio da bancada federal de Sergipe pelo impeachment da presidente Dilma. Teria interferido diretamente junto aos indecisos Jony Marcos (PRB) e Adelson Barreto (PR).

Fora Cunha 1
O deputado Valadares Filho iniciou ontem uma campanha pela saída imediata do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu em processos onde é suspeito de ocultação de transações financeiras internacionais ilícitas, corrupção e recebimento de propinas no esquema do Petrolão. "A batalha continua. NÃO a Eduardo Cunha", disse o parlamentar, enfatizando que haverá cobrança junto à bancada do PSB para o julgamento no Conselho de Ética. Todos os sergipanos conhecem o meu compromisso com a ética", disse.

Fora Cunha 2
"Quero reafirmar que, juntamente com a bancada do PSB, irei cobrar com firmeza a saída imediata de Eduardo Cunha por não ter, há muito tempo, a menor condição moral de continuar exercendo as suas funções, e cobraremos também que o processo que tramita no Conselho de Ética seja rapidamente votado", afirmou. Enfatizou que votou na abertura do processo de impeachment "com a minha consciência, pensando no melhor para o país, seguindo a orientação do meu partido e respeitando a Constituição Federal, através do rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal".

Fora Cunha 3
O ex-deputado federal João Fontes, que atuou muito pelo impeachment da presidente Dilma, também encampou o Fora Cunha. "Nosso projeto é mobilizar a população para mostrar que não tem cabimento tirar Dilma e deixar Cunha na presidência da Câmara, com tantas denúncias contra ele", disse.

Fora Cunha 4
Segundo Fontes, Eduardo Cunha não tem condições de imparcialidade na presidência da Câmara, por ser réu em vários processos. "Cunha vai dificultar o andamento dos processos contra ele. O caminho é afastá-lo. Vai ser um processo mais doloso, por ter divisão, dificuldade de unificação. Precisamos fazer com que o Supremo Tribunal Federal cumpra seu papel constitucional", afirmou.

Fora Cunha 5
Ressalta que também é preciso fazer campanha para tirar Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, por ter nove denúncias contra ele. "Precisamos tirar Cunha e Renan, fazer a limpeza geral", disse o ex-parlamentar que acompanhou no plenário da Câmara toda a votação do impeachment da presidente Dilma.

Por unanimidade
Na sessão realizada ontem, o Pleno do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) recebeu nos autos dos Procedimentos Investigatórios Criminais de nºs 201500114334 e 201500120699, denúncias ingressadas pelo Ministério Público Estadual (MP) contra o deputado estadual Valmir Monteiro (PSC). Com isso, o parlamentar passa a ser réu nas ações que tratam de dispensa ou inexigibilidade de licitação fora das hipóteses previstas em lei e peculato, supostamente praticados quanto prefeito de Lagarto.

Sucessão
Informações chegadas à coluna dão conta que o senador Eduardo Amorim (PSC), que é pré-candidato a prefeito de Aracaju, vem procurando Valadares Filho para conversar.  Vão ter um encontro no domingo, durante almoço, com a presença do presidente estadual do PSC, deputado federal André Moura.

Justificativa
O secretário-geral do PSD, Jorge Araújo, lamentou ontem as críticas que recebeu por ter criticado o voto do deputado federal Fábio Reis (PMDB) pelo impeachment da presidente Dilma. Lembra que tem várias declarações suas fazendo ressalvas a alguns deputados federais do seu partido por defenderem o impedimento da presidente, por entender que o afastamento sem as acusações para tal em nada ajudará o país nesse momento de crise. "Declarei que o PSD foi criado a nível nacional como base do governo federal, e em Sergipe a sua implantação teve a coordenação do ex-governador Marcelo Déda".

Veja essa...
Nas rodas políticas pró-Dilma o presidente estadual do PMDB, João Augusto Gama, está sendo criticado por ter declarado dias antes da votação do impeachment na Câmara que o impedimento seria aprovado. E que 24 horas após aprovação do impeachment pediu a renúncia da presidente da República.

Curtas
O líder do PSC, deputado André Moura, emitiu nota de repúdio à imprensa internacional sobre as declarações da presidente Dilma de considerar "ilegal e golpista" a ação dos deputados pelo impeachment.
 
A nota diz que a presidente omitiu que o rito do impeachment foi determinado pelo STF, que ela desconsidera que está sendo acusada de ter cometido um dos maiores crimes que podem ser praticados por uma mandatária, já que a vítima, no caso, é toda a nação, e que, para defender-se se considera vítima.
Na tribuna da Câmara ontem, o vereador Bertulino Menezes (PSB) disse que "Chegou a hora de cassar o mandato do escroque do Eduardo Cunha".

Ressaltou que o posicionamento do PSB de Sergipe pelo afastamento do presidente da Câmara acontece em total sintonia com a indignação expressa pela sociedade brasileira diante do volume de denúncias de corrupção já divulgadas durante a crise moral e política instaladas no Brasil.