Secretaria Nacional da Mulher da CTB pede cassação de Bolsonaro

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Ivânia Pereira e a advogada sergipana  Zélia Trindade, que assinam a ação
Ivânia Pereira e a advogada sergipana Zélia Trindade, que assinam a ação

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Publicada em 23/04/2016 às 00:07:00

A Secretaria Nacional da Mulher da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) formulou pedido de cassação do mandato do deputado federal Jair Bolsanaro (PSC/RJ), por incitar publicamente à violência e em especial por fazer apologia ao crime de tortura.

A peça jurídica se refere às declarações de Bolsanaro durante a declaração de voto ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, no domingo, dia 17, na Câmara de Deputados.
"Ao 'homenagear' o coronel Carlos Brilhante Ustra, Bolsanaro incitou, banalizou e festejou crimes de tortura em uma clara alusão aos quais sofreram a presidenta Dilma Rousseff, no período Ditadura Militar, sob as ordens do militar, que foi reconhecido pela Justiça brasileira como torturador", justifica a secretária Nacional da Mulher da CTB, a sergipana Ivânia Pereira.  
Em um dos trechos do discurso na Câmara dos Deputados, Bolsanaro disse com euforia que "(...) pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim".

Apesar de se proclamar cristão, contraditoriamente, Bolsanaro (militar da reserva) é conhecido pelas furiosas declarações de extrema direita, homofóbicas, machistas e da defesa da prática legítima da tortura. "E desta vez, a sociedade tem de reagir de forma mais contundente. Bolsanaro foi longe demais. A CTB entende que fomos todos e todas agredidos com aquelas declarações, enquanto eleitores e eleitores e cidadãos brasileiros, patriotas e democráticos. Mas em especial, enquanto mulheres. A fúria de Bolsanaro foi dirigida a primeira mulher que hoje ocupa o mais alto cargo da República brasileira, eleita democraticamente pelo povo.", afirma Ivânia Pereira.
A ação da Secretaria das Mulheres da CTB será patrocinada pela advogada e historiadora sergipana Zélia Trindade. Trindade é feminista atuou no movimento social e estudantil na Universidade Federal de Sergipe (UFS). "Estou lisonjeada em receber essa missão da CTB nacional. Acompanhei as declarações do deputado e o que nos causa maior indignação é que foram expressas em rede nacional, por um parlamentar em uma Casa Legislativa, sem nenhum constrangimento ou pudor", afirma Trindade.