O PT com Jackson

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A visão do artista Mangueira sobre a cidade de Laranjeiras
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Publicada em 24/04/2016 às 00:45:00

As queixas da deputada estadual Ana Lúcia contra o governador Jackson Barreto não refletem no PT sergipano, que majoritariamente apoia o governo e quer manter aliança do partido com o PMDB nas eleições municipais de outubro. "O PT faz parte do governo e pretende manter esta posição até as eleições de 2018", diz o presidente estadual do partido, Rogério Carvalho, que nas eleições de 2014 foi o candidato a senador na chapa de JB.

A deputada Ana Lúcia é um dos mais críticos parlamentares da Assembleia Legislativa ao governo do Estado e é chamada nos gabinetes do palácio como líder da oposição. Ela vota contra todos os projetos de relevância encaminhados pelo governo. Na semana passada, após a maioria da bancada sergipana na Câmara Federal ter apoiado a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, a deputada enxergou uma suposta falta de empenho do governador e saiu atirando.

Ao Sergipe247, Ana Lúcia foi contundente. "Não podemos ficar com aliados que nos traíram. O governador Jackson Barreto foi o único governador que não conseguiu reverter nenhum voto. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B) liderou a movimentação dos demais governadores do Nordeste em busca de mudanças dos votos dos deputados. O governador da Paraíba, que é do PSB, também atuou em favor da presidente, fora os governadores da Bahia, do Ceará e do Piauí, que dialogaram com as suas bancadas para defender a democracia. Não vi essa vontade política do governador Jackson Barreto. O comportamento dos outros mostrou que eles conseguiram reverter o voto. Jackson não reverteu nenhum voto", completou.
Para não azedar as relações com o PT, Jackson se recusou a fazer qualquer comentário sobre a entrevista de Ana Lúcia, o que não é de seu perfil. E houve muita insistência nesse sentido, já que ele passou toda a sexta-feira visitando obras do governo na capital, cercado de jornalistas e radialistas.

À noite, o ex-deputado Rogério Carvalho fez questão de esclarecer à Tribuna que esta é uma posição individual da deputada Ana Lúcia, que é contestada pela ampla maioria do PT. "O governador Jackson Barreto está tendo um comportamento exemplar contra esse golpe que estão aplicando contra a presidente Dilma e o PT. Assinou manifesto contra o processo, organizou protestos, mantendo a sua luta em defesa da democracia. Além disso, ao longo de seu governo, vem prestigiando petistas históricos e militantes pela democracia em nosso país", destaca Rogério Carvalho.

Como presidente do PT, Rogério havia convocado uma reunião da executiva estadual do partido a fim de discutir o assunto para a segunda-feira, às 11 horas, mas como o secretário nacional de Finanças do PT, Márcio Macêdo, não tem condições de estar em Aracaju, foi remarcada para quinta-feira, em horário ainda a ser definido. Ele disse ainda não saber a posição de Márcio, mas avisa que já conversou com o deputado federal João Daniel e ele tem posição semelhante.

E reforça: "Ao longo de toda a história do PT Jackson Barreto tem sido um grande companheiro, mantendo a sua posição histórica a favor da democracia e contra o golpe que estão aplicando contra a presidente".
Apesar da posição da deputada Ana Lúcia, o PT sergipano deverá continuar marchando ao lado de Jackson, inclusive indicando Eliane Aquino, viúva do governador Marcelo Déda, como candidata a vice-prefeita na chapa do PMDB, caso José Sobral viabilize o seu nome na disputa. Se não conseguir, o candidato deverá ser o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), numa aliança com PT e PMDB.

Situação de Valadares Filho

O voto do deputado federal Valadares Filho (PSB) pelo impeachment da presidente Dilma deverá ter reflexos na sua candidatura a prefeito de Aracaju. Nas eleições de 2012 quando perdeu no primeiro turno para o prefeito João Alves Filho (DEM), Valadares Filho foi o candidato do então governador Marcelo Déda, de Jackson Barreto, do então prefeito Edvaldo Nogueira e quem foi às ruas com suas bandeiras foram os militantes petistas.
Se para prefeito faltaram apenas 5 mil votos para levar a eleição para o segundo turno, em 2014 quando disputou a reeleição Valadares Filho teve apenas 12 mil votos na capital, como se não tivesse mantido um recall da eleição municipal.
O deputado começou a campanha muito bem avaliado e disputava com Edvaldo a preferência do governador. Atualmente, Valadares Filho sabe que não conta com JB, por isso busca a todo custo um entendimento com o PSC dos irmãos Amorim e do deputado federal André Moura. Hoje está previsto um almoço seu com o senador Amorim.
Outra novidade: o presidente da Câmara de Vereadores de Aracaju, Vinícius Porto (DEM), um dos mais leais ao prefeito João Alves, passou a fazer defesas sistemáticas do deputado Valadares Filho. É como se já tivesse percebido que o barco de João e do vice José Carlos Machado já naufragou.

Faixas são rejeitadas

O vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado (PSDB), constatou o óbvio: a população aracajuana não aprovou as faixas exclusivas para ônibus nas avenidas Beira Mar e Tancredo Neves. Por razões óbvias: quem é usuário do sistema de transporte reclama que não houve qualquer melhoria e as viagens nos ônibus articulados, batizados de "BRT paraguaio", mesmo utilizando as faixas, conseguem ser mais demoradas do que antes; e os que utilizam veículos próprios em função do aumento considerável dos engarrafamentos, inclusive em horários em que isso não ocorria.
A rejeição a medida fez com que a SMTT anunciasse a suspensão da cobrança de multas para os motoristas que transitam pelas faixas exclusivas para ônibus. A pintura de faixas nas avenidas sem a implantação de obras de mobilidade não representa absolutamente nada. É mesmo para enganar a população, prática rotineira da gestão do prefeito João Alves Filho.

Obras de mobilidade

O governo Jackson Barreto está investindo R$ 130 milhões em obras de mobilidade na Grande Aracaju que terão grande impacto no trânsito da capital. Essas obras não correm o risco de serem paralisadas em função da crise econômica porque já estão com os recursos creditados, inclusive as contrapartidas do governo estadual - convênios com organismos financeiros nacionais e recursos do Proinveste.
O complexo de obras na zona Norte é executado pelos programas Pró-Transporte e Proinveste, num investimento superior a R$ 42 milhões. Vão de intervenções urbanas realizadas desde a segunda etapa da Orlinha do bairro Industrial, à pavimentação e esgotamento sanitário de 11 ruas do residencial Santa Tereza e adjacências, até as melhorias nas avenidas Euclides Figueiredo, João Ribeiro e Tancredo Campos.
Na zona Oeste, o governo constrói a nova entrada para Aracaju, vindo da BR-235, passando pela avenida Santa Gleide, com ligação mais rápida e direta para o centro comercial. A obra está com 90% dos serviços concluídos e está orçada em R$ 28 milhões, incluindo a obra e indenizações.
Na avenida Tancredo Neves, no viaduto do Detran, já está sendo executada a interligação da avenida Augusto Franco com a avenida Gasoduto, no conjunto Orlando Dantas (Bairro São Conrado), e todos os seus acessos. O investimento supera os R$ 60 milhões e é fruto da parceria entre os governos estadual e federal, por meio do programa Pró-Transporte. Desse montante, R$ 20 milhões são destinados a indenizações de terrenos e residências por onde passará a nova via.
São obras concretas e não pinturas de faixas em avenidas da capital.

Processos por corrupção

Com o título "Críticos da corrupção na sessão do impeachment são alvos de denúncias", a Folha de S. Paulo publicou na edição de ontem ampla matéria sobre o envolvimento de parlamentares em escândalos de corrupção. Segundo a reportagem, pelo menos 7 dos 70 parlamentares que citaram "corrupção" na tribuna durante a sessão de domingo respondem a inquéritos ou ações penais no STF (Supremo Tribunal Federal) que miram em delitos graves como corrupção e desperdício do dinheiro público.
De Sergipe o citado é o deputado federal André Moura. Diz o seguinte:
"Alvo de pelo menos quatro inquéritos criminais, entre eles por suspeita de formação de quadrilha e tentativa de homicídio, o deputado André Moura (PSC-SE) iniciou seu voto em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff afirmando que o país vive o maior escândalo de corrupção da história.
Um dos mais fiéis aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado sergipano também é investigado por suposto desvio de recursos públicos.
André Moura argumenta que não foram encontradas provas contra ele. "Foram denúncias de um adversário político, afastado da prefeitura por corrupção, que admite não ter provas e que já mudou depoimentos. Fui inocentado pela Justiça de Sergipe"."
Não é bem assim: André está condenado pelo Tribunal de Justiça, perdeu diversos recursos no STJ e pode ser julgado a qualquer momento pelo STF. Em 2014 disputou a eleição sub júdice e só pode assumir em função de decisão do TSE.