Não vai ser fácil

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Publicada em 26/04/2016 às 10:30:00

Em 1992, os "caras pintadas" foram para as ruas e conseguiram o impeachment do então presidente Fernando Collor. Não foi muito difícil e não teve maiores consequências porque Collor era de um partido pequeno, o PMN, e não tinha grupos de apoio.
Agora, 24 anos depois, o país caminha para um novo impeachment de um presidente da República. Dessa vez existe uma grande diferença: a presidente Dilma Rousseff é filiada ao PT, um partido com mais de um milhão de militantes no Brasil e que tem o apoio de dezenas de entidades sindicais e movimentos sociais.
Como a Câmara dos Deputados, o Senado deve aprovar o impedimento da presidente ainda na primeira quinzena de maio. Mas haverá resistência, pois os que são contra vão para as ruas dizer que é "golpe" tirar do governo uma presidente eleita democraticamente com 54 milhões de votos e, consequentemente, o vice Michel Temer (PMDB), tido como um dos autores do "golpe", terá dificuldades para governar nos 180 dias que a presidente estiver afastada.
O MST, o maior movimento social vinculado ao PT, já está nas ruas em todo o país em reação ao impeachment. No estado, no sábado, os sem-terra foram em marcha a três municípios de Sergipe no fim de semana: Pirambu, Estância e Itabaiana, em repúdio ao impedimento de Dilma.  
Em Pirambu, o MST se concentrou em frente à residência do deputado federal André Moura (PSC), que foi o coordenador do impeachment da presidente na Câmara dos Deputados. Aos gritos de "não vai ter golpe" os mais exaltados jogaram pedras na casa, ocupada apenas pela empregada.
No domingo, em Aracaju, um grupo de sem-terra com suas bandeiras também ocupou a frente de um prédio, o Luciano Barreto Júnior, no Bairro Jardins, achando que era a residência de André Moura na capital. Nas duas manifestações, o parlamentar era chamado de "golpista" e "coringa do golpe".
Essa manifestação do MST ocorreu em todo o país  no final de semana e na porta de vários deputados que votaram pelo impeachment de Dilma, como Jair Bolsanaro (PSC-RJ), que ao votar pelo impedimento na Câmara dos Deputados homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos torturadores durante a ditadura militar. Assim como na residência do vice Michel Temer, em Brasília, o Palácio Jaburu.
O MST já anuncia o fechamento de rodovias federais e estaduais em um dia de luta pela democracia e contra o impedimento. O objetivo é parar o Brasil, criticar o "golpe branco", dizer que querem "criminalizar o PT e o ex-presidente Lula" e que o que estar por vir é pior para o país: a volta do projeto neoliberal.
Trocando em miúdos, o país terá pela frente grandes conflitos, principalmente no dia da votação e aprovação do impeachment no Senado e nos 180 dias de governo interino de Temer. E os parlamentares que votaram pelo impedimento vão perder o sossego.
Não será dos melhores os dias vindouros...

Ponto de vista 1
O deputado federal André Moura (PSC) disse ontem que aceita qualquer manifestação, favorável ou contra, desde que seja pacífica e democrática. E que esse tipo de ato feito pelo MST lhe "dar mais força para continuar lutando com afinco para que a presidente Dilma seja afastada em definitivo do cargo e a certeza de que está no caminho certo".

Ponto de vista 2
André disse ainda que via como um elogio ser chamado de coringa do golpe. "Não me amedrontarei. Tenho plena certeza que, em pouco tempo, o Senado aprovará o impeachment e o país voltará a ter respaldo interno e externo sob o comando do presidente Michel Temer, que, ao longo de sua história política, demonstra total competência para este desafio", afirmou.

Em vão
Em Aracaju, membros do MST protestaram em frente ao prédio Luciano Barreto Júnior achando ser a residência de André Moura usando fantasias da cor preta e camisas vermelhas. Pintaram a rua com palavras de ordem contra o parlamentar, só que no prédio residem o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Mendonça, e o empresário Edvan Amorim, irmão do senador Eduardo Amorim (PSC).

Em nota 1
O MST disse que diante do atual momento de ameaça à democracia com o "golpe parlamentar" contra o governo da presidenta Dilma, eleita democraticamente pelas urnas, decidiu realizar a "Marcha pela democracia". Diz que ela saiu da sede do município de Japaratuba no dia 22 em direção a Pirambu, passando pelo povoado São José onde realizaram manifestações, aulas públicas, debates e palestras sobre o "golpe arquitetado por Michel Temer, Eduardo Cunha e os perdedores das eleições 2014".

Em nota 2
Ainda na nota é dito que no dia 23, cerca de 400 trabalhadores marcharam do povoado São Jose a Pirambu, tendo como destino a casa de praia de André Moura, onde aconteceu "um escracho para denunciar o golpismo do deputado". Nega que tenha havido apedrejamento e agressão e assegura que o ato foi pacífico, onde foi utilizado apenas um carro de som.
Em Japaratuba
No domingo, o governador Jackson Barreto (PMDB) foi a Japaratuba visitar alguns povoados. Com certeza, não perdeu a oportunidade de criticar André Moura por trabalhar pelo impeachment da presidente Dilma.

Compromisso
administrativo 1
Ontem à tarde, Jackson embarcou para Brasília onde tem uma agenda cheia hoje. Terá audiência com o ministro Jaques Wagner (Ministro Chefe de Gabinete da presidente Dilma) para tratar das obras do aeroporto de Aracaju e do Hospital do Câncer.

Compromisso
administrativo 2
JB também irá ao Ministério das Cidades, onde tratará do pró-moradia correspondente a 5.700 casas na grande Aracaju e liberação de recursos para abastecimento de água. A última agenda é no Serviço de Patrimônio da União (SPU), para tratar da liberação de terrenos de Marinha para construção dessas moradias na zona de expansão de Aracaju.
Compromisso
administrativo 3
Amanhã, o governador embarca para o Rio de Janeiro para reunião com as empresas Genpoewer e Exxon Mobil. Na pauta, assinatura de contrato para fornecimento de gás natural para a usina termoelétrica que será construída no porto de Sergipe pelo consórcio. JB retorna a Aracaju na quinta-feira e na sexta-feira cumpre agenda de inaugurações no interior.

Posse
Quem também embarcou ontem à tarde para Brasília foi o ex-prefeito e ex-deputado estadual Zé Franco, acompanhado dos vereadores Vagnerrogeris Lima e Jairo Joaquim, e do prefeito Fernandinho Franco (Muribecaz). Ele toma posse hoje como presidente estadual do PSDB.

Com JB 1
Zé Franco saiu satisfeito do encontro que teve na sexta-feira passada com o governador Jackson Barreto, quando se discutiu a sucessão municipal em Nossa Senhora do Socorro, onde é pré-candidato a prefeito. JB chegou a propor a indicação do vereador Betinho (PMDB) como seu vice.

Com JB 2
"Disse ao governador que Betinho seria um grande vice como Maria da Taiçoca, por ser um jovem, um vereador que somaria muito. O seu nome ia ajudar muito na campanha", afirmou à coluna o pré-candidato a prefeito de Socorro minutos antes de embarcar para Brasília.

Com JB 3
Franco comemorou o fato de ter "aparado as arestas" com o governador durante a conversa na sexta. "Os problemas foram superados, até porque não teve nada demais. Sempre fomos amigos e sempre gostei muito de Jackson. O que ocorreu foi que na eleição passada ficamos em lados opostos, quando apoiei Eduardo Amorim", justificou.
Disposição
Enfatizou que se "puder ajudar ao governador vai ajudar, jamais lhe prejudicar". Ele lamentou as críticas que sofreu por ter se encontrado com JB, atendendo a um convite dele, até pelo fato de sempre ter sido seu amigo.

Em frente
De Zé Franco ao ser questionado sobre a pré-candidatura a prefeito de Socorro do Padre Inaldo (PCdoB), que é deputado estadual: "Padre Inaldo continua sendo meu aliado e pré-candidato a prefeito. Eu também sou pré-candidato. Mais na frente vamos ver como as coisas vão ficar".  

Na Alese
O clima foi tenso ontem na Assembleia Legislativa por conta de uma discussão acalorada entre os deputados Ana Lúcia (PT) e Capitão Samuel (PSL). O motivo foi porque Samuel rebateu a acusação da colega parlamentar, feita na semana passada, responsabilizando os militares pela crise na previdência social. Ele disse que os responsáveis são os professores, por um déficit da previdência de 37,5%, enquanto os dos policiais militares é de 13,39%.

Consequências
A decisão da Adema, anos atrás, de negar licença ambiental para construção da obra da Praia Formosa, na 13 de Julho, sem um devido estudo de impacto ambiental, a cada dia mostra que era pertinente. O aterro do rio em cerca de 700 metros de extensão e cerca de 400 de cumprimento para a construção de um projeto da prefeitura de Aracaju, fez com que a água que deveria se acomodar no local fosse para a Barra dos Coqueiros, destruindo ontem casas na Atalainha. Essa destruição foi pré-anunciada pelo então presidente da Adema, o biólogo Genival Nunes, que na época chegou a travar uma batalha judicial com o prefeito João Alves (DEM). A obra foi iniciada por decisão judicial. Quem vai pagar o prejuízo das famílias carentes, que perderam tudo?

Veja essa...
Dos 21 parlamentares indicados ontem para a comissão do impeachment no Senado, mais de um terço responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Dos oito senadores com processos, quatro deles integram a lista dos políticos investigados pela Operação Lava Jato. Antes de levar o caso ao plenário da Casa, o grupo será responsável por analisar a denúncia contra a presidente Dilma Rousseff acolhida na Câmara no último dia 17.

Curtas
Segundo o presidente estadual do PSC, deputado federal André Moura, deve acontecer ainda esta semana um encontro do senador Eduardo Amorim (PSC) com o deputado federal Valadares Filho (PSB) e o senador Valadares (PSB) sobre a sucessão municipal em Aracaju.

Revela André que o encontro pode ser em Brasília ou no fim de semana em Aracaju. Para ele, o momento pode ser o "início de uma perspectiva de entendimento entre dois pré-candidatos a prefeito de Aracaju", avalia, ressaltando que já iniciou "conversas" com o colega parlamentar Valadares Filho.

Havia uma expectativa de que o encontro de Eduardo e André aconteceria no domingo passado, na capital, o que não ocorreu. Só foi adiado.
Ontem, em entrevista a Jovem Pan, o senador Amorim disse que o plano hoje do seu bloco político é uma candidatura própria. "Se quiser vir ajudar, se quiser vir somar, com certeza, Valadares é um nome que tem uma história", frisou.

Do senador sobre o BRT: "Isso aí é para dizer que cumpriu o que foi prometido na campanha. Mas não condiz com o que a sigla BRT justifica: Bus Rapid Transit. Que significa Trânsito Rápido. Precisa ter as plataformas de acesso rápido. Faixas exclusivas e rápidas em avenidas amplas. Não podemos passar por esse sofrimento sem que fique, ao menos, um aprendizado", afirmou, falando sobre os problemas no trânsito.