O risco do revés

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Publicada em 01/05/2016 às 00:22:00

A incerteza provocada pela crise política no Brasil que se arrasta desde o final da eleição presidencial de 2014 nos deixa frente a frente com uma convicção: o risco do revés no que diz respeito aos avanços sociais. Certamente um eventual governo de Michel Temer, sem legitimidade e apoio popular, levará à bancarrota uma série de programas sociais implantados com sucesso nos últimos anos. Primeiro porque mantê-los não faz parte do perfil nem do desejo do grupo que poderá assumir o país. Segundo porque tais avanços representam uma ameaça às pretensões políticas alinhadas com a visão Centro-Direitista de governar.

Recentemente, após o andamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff em Brasília, o deputado federal João Daniel (PT/SE) usou a tribuna da Câmara dos Deputados para falar em retrocesso, caso os fatos se concretizem. Em Sergipe, o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) fala em decepções para o povo que não está conseguindo enxergar o mal que vem à frente. E todas essas preocupações têm lógica.
No governo de Centro-Direita haverá cortes significativos em programas sociais que viraram bandeira do poder público nos últimos 12 anos. Bolsa Família é o mais famoso por ter conseguido tirar 30 milhões de famílias da situação de miséria, fazendo a economia girar e fortalecendo as relações de sociais em muitas localidades. Por esses motivos deve sofrer retaliações. "Garantir renda às famílias pobres tem efeitos positivos na alimentação, saúde e frequência escolar de milhões de crianças e jovens, além de inibir o ingresso precoce no mundo do trabalho", disse a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), preocupada com o futuro do programa.
A propósito, a revisão cadastral feita esse ano mostrou que mais de 604 mil famílias do Bolsa Família melhoraram de vida em 2015. Um grande avanço, até porque nesse contexto se incluem programas exitosos como o Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, além de projetos de saneamento básico que contemplam grande parte dos municípios brasileiros. Tudo isso é fato.

Mas nessa leva de prejudicados, sem terrorismo algum, estarão os programas da área da educação, que são vários, a começar pelo Enem, modelo de teste para ingresso na universidade pública elogiado no mundo inteiro. O Fies, Pronatec, Ciência sem Fronteiras e alguns outros poderão ser deixados de lado. A não ser que a classe empresarial exija a manutenção visando seus lucros exorbitantes. Avanços legislativos nas áreas de acessibilidade, nos benefícios às empregadas domésticas que conseguiram mais dignidade, no salário mínimo que passou a ter ganho real anualmente, tudo isso poderá ficar no passado.  
E mais. Os programas sociais do governo registraram a queda significativa da desnutrição e da mortalidade infantil, assim como a ampliação do registro civil de nascimento e o desenvolvimento social de regiões como o Semiárido. Foi implantado ainda o auxílio financeiro a trabalhadores rurais em períodos de entressafra e também a trabalhadores que vivem da pesca. Os incentivos à produção artística e cultural se multiplicaram. Mas tudo isso ficará seriamente ameaçado a partir de agora. Um preço alto a ser pago por um povo tão sofrido.

Campanha
A legislação eleitoral do Brasil pode até não permitir - e não permite -, mas a campanha política para suceder João Alves Filho (DEM) na Prefeitura de Aracaju já começou há tempos. A prova está estampada todos os dias nas colunas e páginas políticas dos jornais impressos, nos programas vespertinos e matutinos de emissoras de rádio, nos blogs e portais de notícias. Algo para TRE nenhum botar defeito.
Atrás da porta
Muita gente percebeu que o empresário Edvan Amorim se retirou de cena. Mas poderá voltar, caso a candidatura de Eduardo Amorim (PSC) à Prefeitura de Aracaju seja pra valer. Recentemente o estrategista Edvan disse à imprensa que as decisões políticas agora partem do próprio senador Eduardo. Será?

Sinal
Feito boi ruim de tanger, o senador Eduardo Amorim partiu para o ataque contra o ex-aliado João Alves Filho esta semana. "O povo e eu esperávamos dele muito mais ações e resultados positivos. Já daria pra ter muita coisa diferente na saúde, na educação e na mobilidade urbana da capital. Quando as pessoas não correspondem às expectativas é hora de mudar", apontou Amorim.

Coisa dele
João Alves, na infinitude de sua sabedoria política, irá aguardar apenas o momento certo para anunciar seu futuro político. Há quem aposte que ele não abrirá mão de disputar a reeleição para a Prefeitura de Aracaju este ano. "João só sai da política morto. É coisa dele", disse o amigo Venâncio Fonseca (PP), deputado estadual e ex-aliado de primeira hora. "Mas tem gente que não percebe que está na hora de parar", cutuca. Em tempo: João Alves está com 74 anos de idade.
 
Apostas
Continua grande a repercussão do evento que oficializou a pré-candidatura de Zezinho Sobral à Prefeitura de Aracaju pelo PMDB na quinta-feira à noite. Principalmente por conta do engajamento do governador Jackson Barreto, que fará mais uma aposta eleitoral com grandes chances de sucesso. No final dos anos 80, JB apostou no desconhecido Wellington Paixão e levou a melhor. Em meados dos anos 90, JB também apostou no nome de João Augusto Gama e saiu vitorioso nas urnas para a Prefeitura de Aracaju. Agora, com o cargo de governador do Estado, ele não vai admitir decepção alguma com o desempenho de Zezinho.

Com Zezinho
Belivaldo Chagas (PSB) dá sinais claros de que está rompido politicamente com os Valadares. Com experiência política bem avantajada no legislativo e no executivo, o atual vice-governador sabe exatamente o que faz. O fato de ele ter comparecido ao lançamento da pré-candidatura de Zezinho Sobral a prefeito de Aracaju pelo PMDB, na quinta-feira, 28, mostra que seu projeto é estar ao lado de Jackson Barreto. Só que nem todo mundo pensa assim. Para o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), Belivaldo estava apenas sendo gentil com o grupo de JB. "O vice-governador estava prestigiando um aliado do seu governo por respeito. Todo mundo sabe que Belivaldo é incentivador da pré-candidatura de Valadares Filho. Isso representa respeito ao nome de Zezinho, que pode ser um aliado de Valadares Filho num possível segundo turno", analisou Fábio.

Valadares e JB
Na sexta-feira à noite o senador Antonio Carlos Valadares (PSB) deu entrevista a André Barros, na Liberdade FM, dizendo que conhece bem Jackson Barreto e acha desnecessário o governador não querer assumir publicamente a candidatura de Zezinho Sobral. "Mas ele vai assumir lá na frente", disse. "Valadares Filho não é criança, nem eu sou criança, nem Fábio Mitidieri é criança. Então é melhor colocar os pontos nos is". Segundo Valadares, a estratégia de JB é melhorar a posição de Zezinho nas pesquisas e depois sair em busca do convencimento dos aliados. Faz sentido.

Saída
Aliás, estranhamento o senador acha que foi um erro do PSB ter aceitado cargos no governo de Jackson Barreto. "Não tenho nada contra Jackson, tenho por ele o maior respeito, mas o PSB não deveria ter participado do governo dele. Fui contra. Para mim o PSB deveria ter apoiado JB sem exigir nada. E nesse momento deve sair do governo. Procurar o governador e agradecer", disse Valadares. No governo de JB, o partido de Valadares mantém o comando da Casa Civil, Secretaria de Cultura e da Fundação Aperipê.

Insensatez
Continua a queda de braço entre Governo e Sintrase. Parados desde o último dia 4 de fevereiro, os servidores da administração direta do Estado pleiteiam principalmente a implementação integral do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), aprovado e sancionado há quase dois anos. Enquanto isso persistem as ameaças de corte de ponto de servidores que recebem mensalmente menos que um salário mínimo. Haja insensatez.

Geraldo
O ex-vereador de Itaporanga d'Ajuda, Geraldo Fotógrafo (PDT), está querendo voltar ao parlamento e pretende disputar a eleição desse ano pra valer. Geraldo, que é presidente do diretório municipal do PDT, foi eleito em 2004 e reeleito em 2008. Em 2012 ficou como suplente, mas com votação superior a muitos eleitos. A matemática da legenda tirou sua vaga. Agora ele aguardará a convenção partidária, a ser realizada entre 20 de julho e 05 de agosto, para definir sua posição. Pode sair até candidato a prefeito de Itaporanga, caso os colegas decidam. "Por que não?", garante ele.

Pressão popular
A sessão da Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória na quinta-feira à noite entrou para a história. Naquele dia a população da cidade lotou o espaço para protestar e impedir que os vereadores aprovassem os projetos reajustando os próprios salários e os do prefeito, do vice e dos secretários. Por conta da pressão, o presidente da Casa, vereador Júnior Gazeta, suspendeu a sessão antes de iniciar a votação. Pelos projetos, a partir de 2017, o prefeito de Glória passaria a ganhar R$ 30.386,68, o vice R$ 20.257,78, os vereadores e secretários R$ 7.586, 67. Muito, para um município do sertão sergipano que registra carência em quase tudo.

• Clareza
Continua muito claro para a humanidade que o processo de impedimento do mandato de Dilma Rousseff nada tem a ver com combate à corrupção. Primeiro porque corrupção não faz parte do cardápio da acusação contra a presidenta. Segundo porque corrupto de verdade é quem comandou o processo na Câmara dos Deputados, além dos muitos dos que esbravejaram pela destituição do governo. E se isso não é um golpe, nada mais será. Simples assim.