Feito à ordem

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Publicada em 06/05/2016 às 00:25:00

É público e notório que os aliados do governador Jackson Barreto (PMDB) veem caminhando de uma forma que pode levar ao isolamento do partido do governador, que na quinta-feira da semana passada lançou o ex-secretário da Saúde Zezinho Sobral como pré-candidato a prefeito. A prova maior foi que nenhuma liderança das legendas aliadas compareceu ao ato político.

O que está acontecendo hoje é o PT caminhando para uma composição com o pré-candidato a prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), diante da conjuntura nacional. E partidos como PSD, PRB e PRB se articulando para compor com o pré-candidato Valadares Filho (PSB). O PSD, inclusive, já oficializou apoio ao deputado.
Percebendo isso, e até mesmo porque já estamos em maio, o mês das definições sobre a sucessão municipal em Aracaju estabelecido pelo próprio governador, JB começou a se mobilizar. Na terça-feira conversou em Brasília com o PSD, através do deputado federal Fábio Mitidieri e do deputado estadual Luiz Mitidieri.

Ontem à tarde Jackson esteve com o PDT, na pessoa do prefeito Fábio Henrique (Nossa Senhora do Socorro). Hoje, dia do seu aniversário, a conversa é com o PSB, através do pré-candidato Valadares Filho. Ele também terá uma nova conversa com Luiz Mitidieri.
No sábado, JB agendou um encontro com o PT, quando estarão presentes o presidente estadual do partido, ex-deputado federal Rogério Carvalho, e o secretário nacional de Finanças, o ex-deputado federal Márcio Macedo.

Na semana passada, o governador teve conversas com o PRB, nas pessoas do deputado federal Jony Marcos e do prefeito Heleno Silva (Canindé do São Francisco).
O que se percebe é que o governador - que estava deixando os aliados livres, leves e soltos - agora, nesse mês de definições estabelecido por ele mesmo, quer chamar o feito à ordem. Conhecedor da política como ninguém e líder incontestável da política sergipana, Jackson não deve demorar a colocar o trem nos trilhos.
Agora é só aguardar o desenrolar dos acontecimentos na sua base aliada, que tem 11 partidos e três pré-candidatos a prefeito da capital.

No interior
O governador Jackson Barreto (PMDB) já começou a se movimentar com relação à sucessão municipal. Vem conversando com os aliados em cada município visando formar uma chapa competitiva para prefeito e vereador. Anteontem se reuniu com as lideranças aliadas no município de Pirambu, contando, inclusive, com a presença do ex-prefeito Juarez Batista.

Ponto de vista
De JB ao ser questionado pela coluna se estava sendo isolado pelos aliados no processo eleitoral deste ano, uma vez que nenhum partido foi ao lançamento da pré-candidatura do PMDB e as conversas que estão ocorrendo sobre a sucessão são com os pré-candidatos do PSB e PCdoB: "Isolado? Todo mundo só fala em Jackson Barreto, todos querem o apoio de Jackson Barreto. Me deixem em paz para trabalhar". Antes de prestar essas declarações JB deu uma risada.

Pela tangente
Sobre a implantação do Plano de Cargo, Carreira e Vencimento (PCCV) dos servidores, que tinha firmado o compromisso com a categoria de implantá-lo em maio, o governador disse que está analisando a questão financeira do estado. "Não quero chegar ao ponto de parcelar salário, como vem fazendo Minas Gerais, o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. O governo de São Paulo tirou vantagem de servidor. Não inventei nada. A economia do país está em dificuldade. Vou devagar, patinando, pagando a todo mundo e fazendo a transferência de repasse dos Poderes".

Conselho
Aliados do presidente estadual do PSB, deputado federal Valadares Filho, o estão aconselhando a não entregar os cargos que o partido tem hoje no governo Jackson Barreto como propôs o senador Antônio Carlos Valadares. Um deles é o prefeito Heleno Silva (PRB-Canindé). Acha que ele deve se manter na base do governo, que ajudou a ser eleito. Valadares se encontra hoje com JB.

O substituto
Informações chegadas à coluna dão conta que o advogado Eliziário Sobral deve ser o novo Controlador Geral do Estado, em substituição a Adnelson Ferreira. A indicação de Adnelson foi feita pelo hoje presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clovis Barbosa, ainda no primeiro governo de Marcelo Déda.

Sobre o PT
Do líder do governo ontem na Assembleia, deputado petista Francisco Gualberto, sobre desentendimentos entre lideranças do PT sobre a sucessão municipal em Aracaju: "Essa discussão interna no PT terá somente dois caminhos: aliança com o PCdoB de Edvaldo Nogueira ou com o PMDB de Jackson Barreto, que consequentemente terá como candidato a prefeito o ex-secretário da Saúde Zezinho Sobral. A nossa caminhada será por um desses caminhos. E possivelmente todos do PT estarão no mesmo sentido. Essa é a nossa expectativa".

Defesa no
parlamento 1
Tanto Gualberto na Assembleia quanto o vereador Emmanuel Nascimento na Câmara Municipal usaram ontem a tribuna do parlamento para defender o governador Jackson Barreto (PMDB) da acusação feita pelo presidente nacional da Juventude do PT, Jeferson Lima, de que ele era "golpista" no processo de impeachment da presidente Dilma. O presidente estadual do PT, Rogério Carvalho, foi o primeiro a fazer a defesa de JB, que foi publicada ontem pela coluna, assim como a polêmica declaração de Jeferson.

Defesa no
parlamento 2
Disse Gualberto na Alese: "Alguns petistas não estão fazendo a análise correta sobre o comportamento do governador Jackson Barreto durante o processo de impeachment da presidente Dilma. A postura de Jackson contra o golpe foi clara. Ele se manifestou em todos os meios de comunicação contrário ao golpe em curso. Inclusive vi o deputado Luciano Bispo, que também é do PMDB, ir à imprensa dizer que era contrário ao impeachment de Dilma".

Defesa no
parlamento 3
Declarou Emmanuel na Câmara, como presidente municipal do PT: "O governador Jackson Barreto não é golpista e nem traidor. Ele agiu dignamente nesse processo a favor da presidente Dilma Rousseff e contra o impeachment. Chegaram até a ameaçar de tirar o PMDB dele. Jackson tem uma história democrática, de justiça social, que sempre trabalhou pelo interesse dos mais pobres e não poderia defender este golpe. Em relação ao impeachment, Barreto foi honesto durante todo esse tempo".

No café
Ontem, em uma roda política no shopping, o comentário era o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e os dias ruins que o deputado federal André Moura (PSC) terá pela frente com a queda de Cunha e a decisão da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe de manter a condenação por improbidade administrativa dele, da mulher e do cunhado, que são pré-candidatos a prefeito de Japaratuba e Pirambu respectivamente, além da irmã. É que essa decisão os tornam inelegíveis por oito anos.

Fora Cunha 1
Não faltou quem não comemorasse ontem o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do exercício do seu mandato e, em consequência, da presidência da Câmara por decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). Assim como a posição do STF que, por unanimidade, manteve a decisão de Teori. Cunha não tem condições morais de presidir a Câmara e, muito menos, ser o segundo na sucessão presidencial com o provável impeachment da presidente Dilma.

Fora Cunha 2
Em 1992 já havia um "Fora, Cunha". Naquele ano, em meio à turbulência em torno do processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, o Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação do Rio de Janeiro exigia a saída do economista Eduardo Cosentino da Cunha da presidência da companhia telefônica estadual. "Um collorido na presidência da Telerj", denunciava o cartaz de protesto. Detalhe: Cunha foi presidente da Telerj indicado pelo famoso tesoureiro de Collor, o PC Farias.

Quer ficar
Em entrevista a imprensa, Eduardo Cunha disse que não vai renunciar. Ele é réu de um processo no STF por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por acusação de ter recebido US$ 5 milhões em propina do esquema investigado pela Operação Lava Jato.

Solidariedade
Alguns líderes partidários aliados de Cunha divulgaram ontem uma nota manifestando solidariedade ao deputado. Eles avaliaram "com elevada preocupação" a decisão de Teori. Para os deputados, a decisão "demonstra um desequilíbrio institucional entre os poderes da República". Assinaram a nota os líderes do PSC, André Moura (SE); do PSD, Rogério Rosso (DF); PTB, Jovair Arantes (GO); PMDB, Leonardo Picciani (RJ);  PTN, Renata Abreu (SP); e PR, Aelton Freitas (MG).

Veja essa...
Ontem, no plenário da Câmara, presidida pelo vice-presidente Maranhão (PP-MA), alguns deputados governistas usaram a placa "tchau, querido", em alusão ao bordão "tchau, querida" que adversários de Dilma Rousseff usaram durante a votação do impeachment. Nada como um dia atrás do outro.

Curtas
Nesse sábado o governador Jackson Barreto volta a Japaratuba. Vai prestigiar o "Governo em Ação", que levará à sede do município alguns serviços à população como entrega de Carteira de Identidade e Carteira de Trabalho. JB visitará ainda dois povoados.

Como a coluna divulgou com exclusividade, o advogado José Carlos Felizola, genro do vice-governador Belivaldo Chagas (PSB), assumiu ontem a presidência da Cohidro. A posse de Felizola, uma indicação pessoal do governador, ocorreu às 15h, na sede da empresa.  

Durante entrevista a Rádio Ouro Negro, o jovem empresário Monteirinho surpreendeu ao dizer que não existe queda de receita em Rosário do Catete. "A arrecadação, na ordem de R$ 5 milhões, é suficiente para manter todos os serviços funcionando e atender as necessidades do povo. O problema é a má gestão", disse Monteirinho, que está dando o que falar na sucessão de Rosário.

No twitter, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa elogiou o ministro Teori Zavascki, afirmando que ele "acaba de tomar uma das mais extraordinárias e corajosas decisões da história político-judiciária do Brasil".

Na manhã de hoje será realizada no Bairro Santos Dumont uma ação comemorativa em alusão ao dia das mães que acontece no 1º domingo de maio. A atividade contará com uma equipe para medição da pressão arterial, mesa de frutas, carrinho de pipoca e algodão doce e brindes para as mães. A ação é realizada pelo Hapvida Saúde.