O novo quadro em Sergipe

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O secretário-geral do PSD em Sergipe, ex-deputado Jorge Araújo, disse ontem que foi difícil assistir senadores que eram ministros do governo do PT e que, de repente, votaram contra a presidente Dilma Rousseff, com a exceção do senador Armando Monteiro. De
O secretário-geral do PSD em Sergipe, ex-deputado Jorge Araújo, disse ontem que foi difícil assistir senadores que eram ministros do governo do PT e que, de repente, votaram contra a presidente Dilma Rousseff, com a exceção do senador Armando Monteiro. De

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Publicada em 13/05/2016 às 00:56:00

O secretário-geral do PSD em Sergipe, ex-deputado Jorge Araújo, disse ontem que foi difícil assistir senadores que eram ministros do governo do PT e que, de repente, votaram contra a presidente Dilma Rousseff, com a exceção do senador Armando Monteiro. Destacou os senadores Capiberibe e Lídice da Mata que, mesmo sendo do PSB, votaram a favor de Dilma por não virem crime de responsabilidade. Jorge deve estar contrariado com o presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab, que era ministro de Dilma até a véspera do impeachment e agora é ministro de Temer.

O novo quadro em Sergipe

Desde as 11h27 de ontem o país tem um novo presidente. Nesse horário, o vice-presidente Michel Temer foi notificado sobre o afastamento da presidenta Dilma Rousseff do cargo por até 180 dias, passando a ser o presidente interino com a aprovação do impeachment da presidente no Senado em sessão que só acabou às 6h38 da manhã.
Com a aprovação do impedimento no Senado, por 55 a 22, Temer já aguardava a notificação no Palácio Jaburu com vários ministros do seu futuro governo, entre eles Henrique Meireles (Fazenda), Alexandre de Moraes (Justiça) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

O afastamento de Dilma Rousseff e a chegada de Michel Temer no Palácio do Planalto vai mudar muito a política no país, primeiro porque sai um governo do PT e entra um do PMDB, que hoje são adversários políticos a nível nacional e têm projetos diferentes de poder.
Sergipe deve ser o único estado em que os dois partidos permanecem aliados. Isso pode custar muito caro ao governador Jackson Barreto (PMDB), que se manifestou publicamente contra o impeachment da presidente Dilma, mesmo o impedimento sendo defendido por lideranças do seu partido e aquele que assumiria o governo fosse da sua agremiação partidária.

Ainda não se sabe se Jackson, mesmo sendo do PMDB, vai ter as portas abertas dos ministérios em Brasília como sempre teve no governo do PT, com Lula e Dilma. E, consequentemente, conseguir a liberação de recursos para Sergipe, seja através de Emendas do Orçamento da União ou projetos do governo estadual.
Sem falar que pode haver mudanças no comando do PMDB em Sergipe. Desde o processo de impeachment na Câmara dos Deputados iniciou as especulações de que o deputado federal André Moura (PSC), um dos coordenadores do impedimento de Dilma na Câmara, poderia assumir o comando da legenda no estado.

O deputado federal Fábio Reis (PMDB), seu aliado político, pode reverter os dissabores. Isso porque voltou atrás e acabou votando pelo impedimento, mediante pressão de familiares e amigos. O parlamentar será o braço forte de JB em Brasília para impedir que a oposição queira emparedá-lo no estado.
Já para o PT, o estrago será devastador. No Palácio do Planalto há 13 anos, todas as lideranças e militância do partido devem perder os cargos no governo federal, começando pelo presidente estadual Rogério Carvalho, que é secretário de Gestão Estratégia e Participativa do Ministério da Saúde.
Tem ainda Lúcia Falcon, que é presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária; e Silvio Santos, ex-presidente estadual do PT, que recentemente deixou a superintendência do Ibama para assumir a Superintendência Regional do Trabalho em Sergipe. O PT de Sergipe ainda tem cargos no BNB, Banco do Brasil, MDA, entre outros órgãos. São centenas de cargos federais em Sergipe e no país ocupados por petistas.

Também perde no governo do PMDB os Mitidieri, pelo fato do deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) ter votado contra o impeachment junto com o deputado do PT, João Daniel. O PSD vai perder a Funasa, SPU, Conab e o Dicom no Estado.
Quem ganha com a mudança de comando do governo federal do PT para o PMDB é o prefeito João Alves Filho (DEM). Desde que era governador, JAF nunca teve uma boa relação política com Lula e Dilma.
Agora, no governo Michel Temer, com seu partido fazendo parte da base aliada e dispondo de ministério, o prefeito deve ter as portas abertas nos ministérios nesse final de sua administração.
Sem falar na força que ganhou ao fazer a sua mulher, a senadora Maria do Carmo Alves (DEM), deixar a Secretaria Municipal de Ação Social e reassumir seu mandato em Brasília na última segunda-feira para votar favorável ao impeachment.
São as idas e vindas da política brasileira...

Codevasf
De Brasília chega a informação a coluna de que a Codevasf está sendo disputada pelos senadores Antônio Carlos Valadares (PSB) e Eduardo Amorim (PSC), e o deputado federal André Moura (PSC). Por muitos anos a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba esteve sob o comando de Valadares e agora tem na superintendência o apadrinhado político do governador Jackson Barreto (PMDB), Said Schoucair.

Conab
A Companhia Nacional de Abastecimento em Sergipe também está sendo pleiteada por André Moura. Hoje a superintendência da Conab está com o deputado federal Fábio Mitidieri.

Mapeamento
A oposição em Sergipe que votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara e no Senado já fez o mapeamento dos cargos federais no Estado e entregou ao novo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira.

Ministérios 1
Desde quando começou a se falar na formação do novo ministério de Michel Temer, que foram especulados os nomes de cinco sergipanos para ministro. Falou-se primeiro no nome do deputado federal André Moura (PSC), depois no do deputado federal Laércio Oliveira (SD), em seguida no do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, no senador Antônio Carlos Valadares (PSB) e no deputado federal Jony Marcos (PRB).

Ministérios 2
Chegou-se a especular que Laércio Oliveira assumiria o Ministério do Trabalho, que Carlos Britto poderia ser ministro da Justiça, que Valadares seria o ministro da Integração Nacional e que Jony Marcos poderia comandar o Ministério do Esporte. André Moura passou a ter o nome cogitado para líder do governo na Câmara.

Ministérios 3
Ontem Temer divulgou a lista dos seus 22 ministros e não tem nenhum sergipano. Para o Trabalho foi nomeado Ronaldo Nogueira de Oliveira, para a Justiça Alexandre de Moraes e para o Esporte foi nomeado Leonardo Picciani. O presidente interino ainda não definiu os ministros da Integração Nacional e Minas e Energia.

Curiosidade 1
A nova equipe de governo de Temer tem pelo menos quatro ministros que foram dos governos do PT de Lula e Dilma. São eles: Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), que era ministro das Cidades de Dilma; Geddel Vieira (ministro-chefe da Secretaria de Governo), que foi ministro da Integração Nacional de Lula e Dilma; Henrique Alves (Turismo), que foi ministro na mesma pasta no governo Dilma; e Henrique Meirelles (Fazenda), que foi presidente do Banco Central no governo Lula.

Curiosidade 2
O deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE), que disse o 342º "sim" no plenário da Câmara dos Deputados e garantiu, assim, o prosseguimento do processo do impeachment, virou ministro de Temer. É o novo ministro das Cidades.

Curiosidade 3
Com Michel Temer o PMDB chega pela terceira vez à presidência da República sem vencer nenhuma eleição em seus 50 anos de história. Os outros dois vice-presidentes peemedebistas que assumiram a presidência foram José Sarney, em 1985, com a morte de Tancredo Neves; e Itamar Franco, em 1992, com o impeachment do então presidente Fernando Collor.  

De fora
O PSB do senador Valadares e do deputado federal Valadares Filho não emplacou um ministério. Assim como o PSC de André Moura e Eduardo Amorim.

Com ministério 1
O DEM do prefeito João Alves e da senadora Maria do Carmo ficou com o Ministério da Educação e Cultura, que tem a frente o deputado federal de Pernambuco, Mendonça Filho.

Com ministério 2
O PRB do deputado federal Jony Marcos e do prefeito Heleno Silva conquistou o Ministério da Indústria e Comércio, que terá no comando o presidente nacional do partido, Marcos Pereira. No Governo do Estado a legenda tem a secretaria vinculada ao ministério: a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciências e Tecnologia (Sedetec), com Chico Dantas.

Com ministério 3
Os seis ministérios do PMDB, sendo três da cota pessoal de Temer (Secretaria de Governo; Casa Civil; Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; Desenvolvimento Social e Agrário; Esporte; Turismo); os três do PSDB (Cidades; Relações Exteriores; Justiça e Cidadania); os dois ministérios do PP (Saúde; Agricultura, Pecuária e Abastecimento); e os únicos ministérios do PSD (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), PPS (Defesa), DEM (Educação e Cultura), PV (Meio Ambiente), PTB (Trabalho),  PR (Transportes, Portos e Aviação Civil) e PRB (Indústria e Comércio).

Ponto de vista 1
Do deputado federal André Moura (PSC) sobre o Senado ter referendado a decisão da Câmara no impeachment: "Nesta manhã, o povo brasileiro acordou com a feliz notícia de que seus esforços, seus clamores, não foram em vão. O Senado fez a sua parte, dando continuidade ao processo iniciado na Câmara dos Deputados. Plantamos a semente da esperança, para um novo Brasil."

 Ponto de vista 2
Disse ainda André: "O presidente Michel Temer reúne qualidades morais e políticas indispensáveis para unir o país neste momento bastante conturbado, em meio a uma perversa crise moral e econômica que prejudica a todos, especialmente os mais pobres. O povo certamente dará ao novo governo um tempo para arrumar a casa, cuja missão conta com o irrestrito apoio do PSC".

Ponto de vista 3
Do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa sobre o impeachment da presidente Dilma: "Acredito que a destituição de Dilma esteja servindo a interesses espúrios. Eles querem tomar o poder a qualquer custo para continuar nas práticas ilícitas. É isso que está em jogo". Para ele, as decisões sobre o afastamento foram tomadas sem levar a em consideração a opinião da população.

Lançamento
O ex-governador Albano Franco (PSDB) participa amanhã do lançamento do livro da autora sergipana Tina Correia, esposa do jornalista sergipano e colunista de O Globo, Ancelmo Gois. O lançamento será às 17h, na Livraria Escariz, no bairro Jardins. O livro, que levou 30 anos para ser concluído, tem o apoio da Fundação Augusto Franco.

Veja essa...
Do governador Jackson Barreto à coluna sobre o voto dos senadores de Sergipe no processo de impeachment da presidente Dilma: "Foi uma vergonha o pronunciamento dos três senadores. Parecia os três patetas. Maria precisou ler o pronunciamento, Eduardo Amorim não falou coisa com coisa e Valadares discursou querendo enganar a si mesmo. Parecia uma ópera-bufa". 

Curtas
No governo do presidente interino Michel Temer não tem nenhum ministério ocupado por mulheres.

Um grupo de mulheres se acorrentou ontem às grades que cercam o Palácio do Planalto logo após a saída da presidenta Dilma Rousseff do local. Elas seguravam cartazes que formam a frase "Resistência contra o golpe".

Para o senador Eduardo Amorim, a redução do número de ministérios - anunciada como uma das possíveis primeiras medidas do novo governo - tem um "impacto simbólico por gerar credibilidade".
Além de poder continuar a morar no Palácio da Alvorada, a presidente afastada vai receber seu salário normalmente e terá direito à segurança e a gabinete pessoal.  

A convite do governador Jackson Barreto, o deputado Fábio Reis (PMDB) o acompanha hoje na agenda que tem no baixo São Francisco, nos municípios de Brejo Grande, Ilha das Flores e Neópolis, para entregar investimentos.

Morreu e foi sepultado ontem vítima de complicações após um infarto, o ex-presidente estadual do PT, Severino Bispo. Ele se juntou aos petistas Marcelo Déda, José Eduardo Dutra, Luiz Alberto e Oswaldo Vilela.